Brasil

Marquinhos não consegue liderar Seleção que encerra 2023 com piores números defensivos em quase 60 anos

Seleção Brasileira encerra ano com a sua pior média de gols sofridos por partida desde 1964

Com seus bastidores em ebulição após a deposição de Ednaldo Rodrigues do cargo de presidente da CBF, a Seleção consegue viver um 2023 tão caótico quanto em campo. O Brasil encerrou a temporada com sua pior campanha na história das Eliminatórias da Copa do Mundo e com sua posição mais baixa no ranking da Fifa desde 2016. Duas marcas negativas que só não são mais terríveis do que o rendimento da defesa ao longo do ano.

A Seleção sofreu 14 gols em nove jogos em 2023. A média de 1,55 gol sofrido por partida é a pior desde 1964 – quase 60 anos! Naquela temporada, o Brasil atuou apenas três vezes e sofreu cinco gols, com uma média de 1,66 por jogo.

E não para por aí. A seleção brasileira não sofria tantos gols em uma mesma temporada desde 2014. Sim, teve “apenas” um 7 a 1 para a Alemanha no meio do caminho, e ainda assim, o Brasil consegue ir até pior em 2023. Isso, porque a equipe de Felipão sofreu 15 gols em 14 jogos nove anos atrás, com uma média de gols bem inferior à atual.

Mal nos amistosos…

A defesa brasileira começou a vazar logo após a Copa do Mundo de 2022, ainda sob o comando interino de Ramon Menezes. A Seleção fez três amistosos e sofreu sete gols – uma média superior a dois gols sofridos por partida. Foram derrotas Marrocos (2 a 1) e Senegal (4 a 2), além de uma vitória sobre Guiné por 4 a 1. Até mesmo em uma vitória sobre uma seleção de menor escalão, o Brasil conseguiu sofrer um gol.

… Ainda pior nas Eliminatórias

Veio Fernando Diniz, chegaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026… E nada mudou. Em mais seis jogos, o Brasil só não sofreu gol em um, na vitória por 1 a 0 sobre o Peru. Ao todo, foram sete gols sofridos e três derrotas consecutivas – algo inédito na história das Eliminatórias.

E há uma comparação que é ainda mais perversa com a equipe atual. O Brasil de Tite foi vazado menos vezes em 17 partidas nas últimas Eliminatórias, para a Copa do Catar, do que a equipe de Diniz em apenas seis jogos até agora. No ciclo para o último Mundial, a Seleção sofreu apenas cinco gols. A média de gols atual é quatro vezes maior.

– A vida não é só estatística. Se a gente analisar um processo de mudança. Jogamos com confiança plena. Se a Argentina perdesse, teria outra história. A gente jogou boa parte do tempo melhor que a Colômbia, que a Argentina, o treinador da Argentina, por exemplo, concordou. O resultado a gente não controla, mas a gente controla o treinamento, o que se pretende fazer no jogo. Como a gente vai fazer para ganhar? Deixar de evoluir, de acreditar nos meninos, isso é o futuro que a gente tem. Eles se empenharam. A tendência é melhorar mantendo o trabalho. Eu acredito na força do trabalho – se defendeu Diniz, após a derrota para a Argentina.

Seleção tem pior retrospecto defensivo desde 1964 (Foto: Vito Silva/CBF

Marquinhos não consegue se consolidar como líder

Aos 29 anos, Marquinhos assumiu a camisa 3 de Thiago Silva para ser a grande referência do sistema defensivo da Seleção neste ciclo de Copa do Mundo e no próximo. Ele é também o segundo na hierarquia de capitães de Fernando Diniz, atrás de Casemiro. E abraçou de imediato a função de “veterano” mesmo antes dos 30.

– Ainda estou com uma idade boa. 29, meu último ano de jovem. Depois, entro nos 30. Muita coisa aconteceu na minha vida, muitas cicatrizes. Coisas boas, coisas difíceis para se levar. Tento fazer meu melhor sempre. Ninguém tem cadeira cativa. São muitos bons nomes. Nova geração vindo. Magalhães, Militão, outros grandes nomes aparecendo. Temos que sempre fazer o melhor para se manter aqui. E com tranquilidade. Venho tentando sempre ajudar meus companheiros. Experiência te traz muita coisa boa. Muitas coisas que eu não enxergava. Coisas que eu não fazia. Hoje, com a experiência, eu vejo as coisas com mais clareza. No que eu puder, eu vou sempre ajudar meus companheiros – disse o zagueiro.

É bem verdade que a Seleção não pôde contar com Éder Militão, que será o parceiro de Marquinhos na zaga titular. Diniz também conviveu com muitos desfalques nas laterais. Mas o novo camisa 3 da Seleção não conseguiu assumir a liderança esperada para comandar o sistema defensivo brasileiro nos duelos nas Eliminatórias.

Quando a Seleção volta a jogar?

A Seleção só volta a jogar em março do ano que vem. No dia 23, o Brasil enfrenta a Inglaterra em um amistoso em Wembley, em Londres. Está previsto ainda outro duelo com a Espanha, no Santiago Bernabéu. Mas até agora, esta partida não foi oficializada pela CBF. Estes serão os últimos dois compromissos sob o comando do técnico Fernando Diniz e antes da disputa da Copa América, em junho, (supostamente) já com Carlo Ancelotti.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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