Eliminatórias da Copa

Diniz vê derrota injusta para a Argentina, e exalta desempenho da Seleção mesmo em má fase

Seleção perde a terceira seguida, mas Fernando Diniz vê evolução e exalta desempenho do Brasil na derrota para a Argentina

O Brasil perdeu para a Argentina no Maracanã e quebrou tabus. Foi a primeira derrota da Seleção em casa na história das Eliminatórias, a terceira seguida na competição e uma má fase que se acumula. A pressão por resultados, entretanto, não afetou Fernando Diniz. O técnico viu resultado injusto na partida.

– Se não foi a melhor, foi uma das melhores atuações. Embora tivéssemos o mesmo número de finalizações, levamos mais perigo. A Argentina não teve chance, foi bola de escanteio que a gente errou na marcação. A gente errou muitos passes antes de finalizar. Estivemos muito perto da vitória, mais do que a Argentina, e achei o resultado injusto – declarou, em coletiva.

Com o resultado ruim, a Seleção está apenas no sexto lugar das Eliminatórias da Copa do Mundo, com sete pontos. Não fosse o aumento de vagas para 2026, a posição na tabela estaria fora da zona de classificação.

Tanto que, embora tenha considerado o Brasil melhor em campo, o treinador admitiu que as vaias da torcida fazem parte do contexto. Ainda que tenha criticado que parte dos 68 mil presentes no Maracanã tenha gritado “olé” para a Argentina.

– A torcida está no direito de fazer o que quiser. Temos que entregar nosso melhor. O torcedor é passional e quer vencer. Gritar olé para a Argentina é um pouco demais, mas vaiar, ficar indócil faz parte. Temos que saber conviver com as vaias e com a pressão. O torcedor brasileiro quer vencer e jogar bem. Não vencemos, veio a derrota e é normal as vaias, temos que saber lidar com isso – disse.

Diniz vê evolução do Brasil, mas lamenta derrotas em sequência

Fato é que os números de Fernando Diniz não são bons. São mais derrotas que vitórias nas Eliminatórias – 3 a 2 – e um empate. Resultados que nunca aconteceram com a Seleção na competição.

As estatísticas foram tema da resposta que mais tirou Diniz de sua zona de conforto. O treinador, ao seu estilo, respondeu de fato como quando conquistou o maior título de sua carreira, a Libertadores de 2023 pelo Fluminense.

– Lógico que a análise pode ser discutida. A vida pode ser discutida. Eu adoro responder a pergunta, porque vou falar a mesma coisa que quando ganhei a Libertadores. A vida não é só estatística. Se a gente analisar um processo de mudança. Jogamos com confiança plena. Se a Argentina perdesse, teria outra história. A gente jogou boa parte do tempo melhor que a Colômbia, que a Argentina, o treinador da Argentina, por exemplo, concordou. O resultado a gente não controla, mas a gente controla o treinamento, o que se pretende fazer no jogo. Como a gente vai fazer para ganhar? Deixar de evoluir, de acreditar nos meninos, isso é o futuro que a gente tem. Eles se empenharam. A tendência é melhorar mantendo o trabalho. Eu acredito na força do trabalho – opinou.

Mesmo assim, o técnico reconheceu os resultados ruins. No entanto, lembrou que o time é formado por jogadores jovens, sofreu com muitos desfalques e ainda assim, teve evolução.

– Eu concordo que a gente não pode perder. A gente faz de tudo para ganhar so jogos, se a gente conseguir melhorar as relações e os treinamentos, os resultados tendem a acontecer. A gente não pode garantir resultado, mas pode garantir trabalho. É uma construção. Eu acredito na força do trabalho. Se a gente conseguir melhorar o time, vamos crescendo mentalmente, a tendência do Brasil é de evolução.

Diniz lamenta brigas entre argentinos e Polícia Militar

O assunto da noite, entretanto, também esteve fora de campo. Fernando Diniz criticou as cenas que aconteceram antes do apito inicial, quando torcedores argentinos entraram em confronto com a Polícia Militar após confusão com brasileiros no setor sul.

Apesar de admitir não ter visto detalhes, Diniz não relativizou o ocorrido, mas viu um bom recado com a partida “limpa” dentro de campo.

– A gente não gosta que aconteça esse tipo de coisa. A gente não sabe o que aconteceu dentro de campo. A gente lamenta, mas não consigo explicar. Lamentável as cenas de violência e falta de respeito. O que aconteceu na final da Libertadores, não é isolado entre Brasil e Argentina. Infelizmente acontece esse tipo de situações em vários momentos, e a gente nunca quer que isso aconteça. A gente tem que dar os recados. O jogo foi faltoso, não foi desleal em nenhum momento. Nada em campo que estimulasse a violência já é um primeiro passo. É o principal exemplo que a gente pode dar. No mais, temos que lamentar e tentar que as medidas de segurança e que as torcidas venham para torcer – afirmou.

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Marquinhos

– O Marquinhos teve um desconforto muscular. Nada agressivo, mas achamos melhor ele sair. Departamento médico tomou a melhor decisão

Seleção é eficiente, mas não é eficaz

– Segundo as suas palavras, talvez eficiente seja o número de chances que tivemos e não matamos. Nesse sentido acho que sim. Tivemos chance, bola na trave, número de escanteios, levamos perigo na bola parada. Infelizmente a bola não entrou. Quero ressaltar o comprometimento dos jogadores. Vemos muita coisa de construção coletiva. Difícil pegar um time, ainda mais mexendo muito, ter a coesão que mostrou hoje. Se a gente relativizar o adversário, a idade do time, tivemos pontos positivos na parte mental, física e tática. Foram impecáveis na entrega e na marcação, que erramos muito contra a Colômbia. Tivemos uma melhora grande, mas no futebol nem sempre o resultado explica o jogo. A gente tem que procurar vencer, para confirmar o bom desempenho de hoje.

Tempo para treinar na Seleção

– Estamos fazendo isso. Treinando muito. Contra a Colômbia, convido vocês a rever o jogo depois. Você vai ver que tirando a emoção do jogo, você depura as coisas que aconteceram, que é o que fiz com os jogadores. O que fez de ruim para corrigir e o que fez de bom para melhorar. Quanto mais tempo para trabalhar, melhor. Eu adoro trabalhar. Precisamos de mais tempo de treinos e jogos, mas é a condição que está imposta. O jogo acaba sendo o melhor treinamento. Você não consegue treinar as emoções, é diferente a hora dos treinos. Para mim seria melhor que tivesse mais tempo e mais jogos. Mas não é assim na Seleção. Tenho que me adaptar e fazer que o time melhore. Torcer para que não ocorra problemas de convocação, que a gente possa ter mais jogadores que queríamos ter aqui, e que ninguém se lesione, casos de lesão, 4 ou 5 jogadores que poderiam ser opções.

Endrick

É um jogador que estava seguro. Acredito que tenha futuro brilhante no Palmeiras, Real, Seleção. Foi ruim porque depois o Joelinton foi expulso, talvez ele tivesse tido mais condição. Ele é diferente, tem um brilho especial, é por isso que convoquei. Ele mostrou isso nos treinamentos, quase sempre faz gol. Com um a menos ficou difícil de ele mostrar isso no jogo.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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