Diniz não vai abrir mão de seu estilo — mesmo que isso signifique nova derrota para Seleção
Treinador único no modo de agir, pensar e escalar equipes no Brasil, Fernando Diniz não se preocupa com resultados nem mesmo na Seleção, mas sim em ter sua voz mais ouvida
Os resultados nunca moveram Fernando Diniz. Desde o Votoraty até a Seleção Brasileira, o treinador coloca muitas outras coisas à frente do placar de um jogo de 90 minutos. Em entrevista recente após o título da Libertadores pelo Fluminense, o técnico já detalhara o tema que agora prova ao manter seu estilo mesmo com a pressão nas Eliminatórias.
Contra a Argentina, Diniz escala a Seleção com quatro atacantes — como aliás fez também pelo Flu na campanha do título da Libertadores.
— A minha maneira de pensar o futebol não é departamentalizando o jogo: a defesa fica atrás, o meio de campo fica no meio, e o ataque fica na frente. É um jeito muito mais orgânico, mais junto, todos os jogadores têm que jogar de maneira coesa para a coisa funcionar de maneira mais efetiva — resumiu Diniz, em sua coletiva na segunda (20).

O Brasil de Fernando Diniz vai a campo enfrentar a Argentina, às 21h30 (de Brasília) no Maracanã com: Alisson, Emerson Royal, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Carlos Augusto; André e Bruno Guimarães; Raphinha, Rodrygo, Gabriel Jesus e Gabriel Martinelli.
Finalizado
0
-1
Brasil - Argentina
South America – Copa do Mundo Qualifying - Maracana
6° Turno
Nem Messi muda ideias de Fernando Diniz na Seleção
O que permeia sua trajetória, como ele mesmo narra, “não é uma bola que entra ou não”. Fiel à filosofia que passou a levar seu nome, o treinador da Seleção não mudará contra a campeã da Copa do Mundo no Maracanã. Nem por Lionel Messi.
– O Messi mexe. O futebol não é isso, os encaixes e a coesão é que vão favorecer ou não no decorrer do jogo. Não tem como não se preocupar com um jogador desse tamanho. E a gente tem que jogar. Não fugir das características e ao mesmo tempo tentar conter toda a capacidade de criação que ele possui.

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Pressão e cargo interino na Seleção não preocupam Diniz
Outra frase comum em coletivas de Fernando Diniz é: “não me apego ao cargo”. Quando aceitou o convite da CBF para ser técnico da Seleção Brasileira, manteve seu emprego no Fluminense, abraçou os dois projetos e acabou campeão da Libertadores.
— Tinha um monte de gente esperando acontecer alguma coisa. Quando eu recebi o convite, eu sabia a responsabilidade que era, mas também a grande honra que era. Uma coisa que não gosto é que quem tinha uma opinião tem que manter a opinião. Tem que ter colhão para manter. Se você ganha a pessoa muda opinião, uma vida tão sem graça, uma vida que não quero para os meus jogadores.

Agora, embora não queira provar nada como treinador do Brasil, Diniz tampouco está preocupado. Nem mesmo um provável último jogo à frente da Seleção, que tem acerto com o italiano Carlo Ancelotti, de acordo com a CBF, o incomoda.
— Estou muito bem. Eu não fico pensando que é o último jogo. Para mim, é o grande jogo, os dias que tenho para treinar é o que tenho para fazer o melhor possível. Minha conexão com o presidente é muito boa, sinceridade desde o primeiro momento. Tenho que fazer o melhor que posso. Desafio está posto, oportunidade muito grande. Todo mundo sonha estar na Seleção. Para mim é um grande desafio, me sinto bastante feliz e honrado.
Em entrevista exclusiva à CONMEBOL @LibertadoresBR, o técnico Fernando Diniz falou sobre suas maiores preocupações no futebol. E elas estão fora de campo. É sempre muito bom ler e ouvir o que o treinador do Fluminense tem a dizer. Sua visão do esporte é diferenciada. pic.twitter.com/EF4TfDPCGs
— Caio Blois (@caioblois) May 30, 2023
O Dinizismo, para Fernando Diniz, vai muito além do resultado
Embora viva um sonho, Fernando Diniz prefere deixar tabelas e placares de lado. Para ele, o importante é que os jogadores vivam um futebol melhor, e que as pessoas sejam mais respeitadas.

O técnico rotineiramente chama o esporte de “máquina de moer gente”, e seu maior desejo não é uma taça. É que suas ideias possam ganhar mais voz e o futebol, como um todo, melhore.
– O que eles chamam de Dinizismo, enquanto eu estiver trabalhando vou continuar seguindo minhas convicções. Minha maior convicção é fazer tudo pelos jogadores.
Após quebrar um tabu negativo e ser o primeiro comandante a perder dois jogos seguidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, Diniz se mantém fiel às suas ideias. Por isso, uma nova derrota – que ampliaria a marca ruim – não modifica o que o técnico pensa sobre o futebol.
– Não é ganhar a Libertadores que vai fazer de mim melhor ou pior. Trabalho muito e amo o que faço. Procuro ser um excelente marido, um excelente pai de família e um excelente amigo. Esses são meus maiores títulos, e o futebol precisa mais disso. Se não tivesse vencido, eu ia continuar trabalhando para ganhar numa próxima vez. Os campeonatos acabam e a vida continua. Campeão é quem melhora constantemente e consegue suplantar as críticas fáceis. Quem sabe o que se passa está dentro, quem está fora vê miragem. A gente fica nesse lenga lenga de rotular pessoas fracassadas, esse conceito. É quase o mesmo de quem tem dinheiro é bem sucedido e quem não tem não vale – opinou, logo após conquistar a Libertadores da América pelo Fluminense.



