Brasil

Mesmo sem grandes parceiros, Suárez tornou Grêmio um dos melhores ataques do Brasil em 2023

Carregado por Luis Suárez, Grêmio teve o segundo melhor ataque do Campeonato Brasileiro 2023, apesar da limitação de outras peças

A passagem de Luis Suárez pelo Brasil foi tão memorável que, mesmo sem as melhores parcerias, ele conseguiu tornar o Grêmio um dos melhores ataques do país em 2023. Além do vice-campeonato, os 63 gols fizeram do Tricolor Gaúcho o segundo time que mais marcou no Campeonato Brasileiro, atrás apenas do campeão Palmeiras, que balançou as redes uma vez a mais. Ao todo, na temporada, o time de Renato Portaluppi anotou 106 gols em 64 partidas.

Suárez, sozinho, foi responsável por 29 deles, 17 somente no Brasileirão. El Pistolero ainda distribuiu 17 assistências aos companheiros durante o ano — 11 no Brasileirão, em que foi líder no quesito. Em linhas gerais, o camisa 9 carregou nas costas um time que apresentou insuficiência técnica e tática em algumas ocasiões.

Como foram os companheiros de ataque de Suárez em 2023?

O craque uruguaio esteve rodeado de jogadores cuja história e qualidade não chegam nem perto da sua. Quem iniciou o ano mostrando estar disposto a aproveitar a parceira inigualável foi Ferreira. Porém, o camisa 10 voltou a sofrer com as lesões e a irregularidade em 2023. Somado ao desgaste com a torcida, ao salário alto e ao contrato perto do final, é provável que deixe o clube, ainda que tenha ido bem na reta final da temporada, com alguns gols e ótima entrada na virada épica sobre o Botafogo.

Principalmente por não ter fartura de opções de lado de velocidade, Renato variou muito o esquema tático e as peças do Grêmio ao longo do ano. No Campeonato Gaúcho, em um 4-2-3-1 com três meias atrás de Suárez, Vina teve momento de destaque ao marcar gol no clássico Gre-Nal vencido pelo Tricolor por 2 a 1. Depois de virar reserva, e opção para a ausência do camisa 9, ele deixou o clube em julho, rumo ao Al-Hazm, da Arábia Saudita.

As experiências sem pontas seguiram, seja no 3-4-2-1, ou no 4-4-2 losango. Quando mudava para o 4-2-3-1, especialmente após a saída de Bitello, para o Dínamo de Moscou, em setembro, Renato optava por Galdino pelo lado direito. Aposta vinda com pouquíssima grife do Tombense, o meia-atacante canhoto teve momentos de destaque ao longo da temporada, com gols bonitos e importantes, como contra o Botafogo, em São Januário.

Quem também veio sem expectativa, mas marcou gols relevantes no Brasileirão, foi o jovem centroavante André Henrique, que chegou ao Grêmio depois de se destacar no Campeonato Catarinense pelo Hercílio Luz. Responsável pelo gol de empate, no apagar das luzes, contra o Goiás, ele também deixou o seu na virada improvável sobre o Flamengo, quando Suárez estava suspenso.

Contratações do meio do ano pouco acrescentam, e melhor alternativa vem da base

Na metade do ano, o departamento de futebol gremista tentou dar mais opções ofensivas para Renato com as chegadas de Luan, Iturbe, Lucas Besozzi e João Pedro Galvão. Desses, apenas Besozzi teve algum destaque, com gol sobre o Athletico-PR e assistência contra o Bahia. Abraçado pela torcida após polêmicas no Corinthians, Luan pouco jogou, assim como Iturbe. João Pedro Galvão teve mais oportunidades, mas não aproveitou.

No final das contas, novamente a base do Grêmio apareceu como alternativa importante na reta final da temporada. Ainda precisando evoluir na parte tática e física, Nathan Fernandes, de 18 anos, comprovou o potencial que o faz ser considerado a grande joia da base gremista. Marcou o gol da virada contra o Flamengo, e deu assistência para o último gol de Suárez na Arena do Grêmio, deixando grande expectativa para 2024.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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