Brasil

Fluminense retoma vocação de repatriar ídolos com Thiago Silva; relembre outros

Com Thiago Silva, Fluminense volta a repatriar grandes ídolos como fez ao longo de sua história, e a Trivela relembrou os maiores que voltaram para casa

O Fluminense acertou o retorno de Thiago Silva, e retomou sua vocação em repatriar ídolos do clube. A gestão atual prometeu que faria isso e cumpriu. Mas não foi só nos últimos anos que o Tricolor se habitou a retornos de seus grandes jogadores.

A Trivela relembra outras grandes contratações que mexeram com os torcedores. O Flu trouxe ídolos de volta para casa em diferentes momentos da história do clube, seja para tentar retomar seus melhores dias ou para reforçar grandes times.

— Mais um monstro de volta para casa. Queria muito, quando comecei a gestão em 2019, uma das plataformas era trazer de volta quem fez história aqui. Primeiro iniciamos com Fred, depois Marcelo, e agora o Thiago. Fazia parte do orgulho do torcedor e tamanho de competitividade ao clube — afirmou Mário Bittencourt.

Thiago Silva volta ao Fluminense após 16 anos

O retorno que era um sonho que enfim virou realidade. O Fluminense acertou a contratação de Thiago Silva, que volta ao clube após 16 anos na Europa.

Thiago assinou contrato de dois anos com o Flu, onde encerrará sua carreira. O zagueiro de 39 anos ainda disputará mais três jogos pelo Chelsea nesta temporada, e no fim do mês, deve ser liberado pelos Blues para se mudar para o Rio de Janeiro.

A janela de transferências da Europa só reabre em 10 de julho, e até lá, o defensor tirará alguns dias de férias antes de se juntar ao elenco no CT Carlos Castilho. Thiago Silva será recebido com festa pelos torcedores no aeroporto e o Fluminense pretende fazer uma festa de apresentação no Maracanã.

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Marcelo volta ao Fluminense e conquista a Libertadores

Um retorno que nunca foi prometido se concretizou de maneira fugaz em 2023. O Fluminense surpreendeu o mundo do futebol ao anunciar a contratação de Marcelo, que rescindiu com o Olympiakos, da Grécia, após rápida passagem, e voltou ao Tricolor após 16 anos.

Marcelo fez um golaço e comandou Fluminense em goleada sobre o Flamengo que valeu o bicampeonato do Carioca - Photo by Icon sport
Marcelo fez um golaço e comandou Fluminense em goleada sobre o Flamengo que valeu o bicampeonato do Carioca – Photo by Icon sport

A volta já seria épica com o golaço na final do Campeonato Carioca de 2023, quando o Flu protagonizou a maior virada da história em uma decisão da competição e goleou o arquirrival Flamengo por 4 a 1. Mas o melhor ainda estava por vir.

Com o camisa 12 como um de seus grandes nomes, Marcelo conquistou a sonhada Libertadores pelo Fluminense. Campeão de tudo pelo Real Madrid, ele também venceu a maior taça da história do clube do seu coração. Sem dúvidas o lateral-esquerdo se tornou um dos maiores ídolos de todos os tempos do Tricolor.

Fred voltou emocionado e encerrou carreira no Fluminense

Na gestão Mário Bittencourt, um ídolo era prioridade: Fred. Para muitos o maior da história do clube, o camisa 9 ensaiou algumas vezes, prometeu, se declarou… e anos depois, acertou sua volta ao Fluminense. Em grande estilo.

Para muitos o maior ídolo da história do clube, Fred voltou ao Fluminense em 2020 - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Para muitos o maior ídolo da história do clube, Fred voltou ao Fluminense em 2020 – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Fred pedalou de Minas Gerais até o Rio de Janeiro durante a pandemia de coronavírus, em 2020. Quando chegou, foi importante no Campeonato Brasileiro e ajudou o Fluminense a voltar à Libertadores após oito anos.

A segunda passagem de Fred não foi impactante como a primeira, mas o camisa 9 mais uma vez se mostrou importante. Desde que pisou no Flu pela primeira vez, o clube só foi campeão com ele. Após encerrar a carreira em 21 de julho de 2022, o jogador se tornou dirigente e conquistou Campeonato Carioca e Libertadores em 2023, e Recopa Sul-Americana, em 2024

Após 10 anos sem títulos, o Fluminense se sagrou campeão carioca em 2022 com participação do atacante. Ele marcara 20 gols em 2021. Ao todo, foram 27 após o retorno, que viraram 199 em 381 jogos com a camisa tricolor. O último fez o centroavante se debulhar em lágrimas e explodiu o Maracanã em felicidade, contra o Corinthians, em 2022.

Conca e Thiago Neves voltaram e acenderam debate no Flu

Um foi campeão da Copa do Brasil de 2007 e esteve a um passo de se tornar o maior da história do clube na Libertadores de 2008. O outro bateu recordes em 2010, se tornou campeão brasileiro e virou xodó da torcida.

Thiago Neves e Conca jogaram juntos no Fluminense em 2008 e 2009, mas separados, reacenderam debate em seus retornos ao Fluminense: quem é mais ídolo do clube?

Ambos atuaram pelo Flamengo, e verborrágico, Thiago perdeu pontos com os tricolores por declarações que depois se arrependeria. O argentino, por outro lado, negou o Flu para jogar no arquirrival, o que já flertara em fazer no passado. As idolatrias foram manchadas.

Thiago Neves foi apresentado nas Laranjeiras em seu retorno ao Fluminense em 2011 - Foto: Ralff Santos/ Fluminense F.C.
Thiago Neves foi apresentado nas Laranjeiras em seu retorno ao Fluminense em 2011 – Foto: Ralff Santos/ Fluminense F.C.

Em títulos, a vantagem é de Thiago Neves, que conquistou Carioca e Brasileirão em 2012 além da Copa do Brasil. Em números, Conca, que fez mais jogos (272), gols (56) e deu mais assistências (71), 98 partidas, cinco bolas na rede e 20 passes a mais que o amigo.

Hoje, ambos se dizem torcedores do Fluminense. E quando voltaram, se tornaram grandes contratações. Thiago Neves foi reapresentado nas Laranjeiras, em 2012, e Conca no telão do Maracanã, no ano seguinte.

Conca foi anunciado no telão do Maracanã em 2013 para voltar ao Fluminense no ano seguinte - Foto: Bruno Haddad/Fluminense FC
Conca foi anunciado no telão do Maracanã em 2013 para voltar ao Fluminense no ano seguinte – Foto: Bruno Haddad/Fluminense FC

Branco volta ao Fluminense para ser tetra em 1994

Quando o jejum de títulos do Fluminense chegava a nove anos, a diretoria se esforçou para montar um bom time. O ano era 1994, e com a Copa do Mundo nos Estados Unidos na mira, Branco voltou ao Tricolor para retomar o orgulho dos torcedores. Era uma fase de muitas “bolas na trave”.

Branco voltou ao Fluminense em 1994 para tentar encerrar jejum de títulos - Foto: Acervo O Globo
Branco voltou ao Fluminense em 1994 para tentar encerrar jejum de títulos – Foto: Acervo O Globo

Terceiro colocado do Campeonato Brasileiro em 1988 e 1991, o Flu também foi vice-campeão da Copa do Brasil, em 1992, e do Campeonato Carioca em 1991 e 1993. Branco voltou ao Fluminense junto ao amigo e companheiro Jandir. Tricampeões cariocas em 1983, 1984 e 1985, além de campeões brasileiros em 1984, os dois voltaram para tentar trazer taças às Laranjeiras.

Branco acabou não conquistando nenhum título pelo Fluminense nesta passagem, mas representaria o Tricolor na Seleção Brasileira. Autor do gol que levou o Brasil na semifinal da Copa do Mundo. No dia 17 de julho, ele entrou em campo como titular da lateral-esquerda e conquistou o sonhado tetra.

Coração pesa, e Edinho volta ao Fluminense em 1988

Se a carreira de comentarista fez os tricolores torcerem um pouco o nariz para Edinho, quem o viu em campo não esquece. O zagueiro formado no clube foi campeão carioca em 1975, 1976 e 1980, quando marcou o gol do título sobre o Vasco. Craque e torcedor do Fluminense, deixou o clube em 1982, valorizado, rumo à Udinese, onde jogou com Zico.

Edinho voltou ao Fluminense em 1988 após jogar contrariado em rival - Foto: Acervo O Globo
Edinho voltou ao Fluminense em 1988 após jogar contrariado em rival – Foto: Acervo O Globo

O maior ídolo do arquirrival Flamengo fez lobby, e o zagueiro trocou a Itália pela Gávea em 1987, onde foi campeão brasileiro. Mas Edinho, admitidamente, jogou contrariado. Sua vontade era voltar para o Fluminense, como faria no ano seguinte, não sem antes desabafar.

— Um fato tem que ficar bem claro: ao voltar da Itália, só fui jogar no Flamengo porque o Fluminense não me quis. Hoje posso confessar que apesar de todo o meu profissionalismo, foi difícil. Muito difícil mesmo. Vou confessar mais: como tricolor, sentia algo estranho ao jogar contra. Agora não. Voltarei ao Maracanã com mais prazer, afinal, minhas raízes estão nas Laranjeiras — afirmou, no dia do seu retorno.

Branco voltou ao Fluminense em 1994 para tentar encerrar jejum de títulos - Foto: Acervo O Globo
Branco voltou ao Fluminense em 1994 para tentar encerrar jejum de títulos – Foto: Acervo O Globo

Relembre outros ídolos que voltaram ao Fluminense

Não foram só esses ídolos que voltaram ao Fluminense. Na história recente, nomes como Magno Alves, Roni, Roger, Carlos Alberto e Washington guardaram identificação com o clube e voltaram ao clube anos depois.

Hoje comentarista, Roger divide opiniões entre os tricolores. Em campo, entretanto, era o único orgulho de uma fase tenebrosa do clube. O meia teve três passagens pelo Fluminense, e conquistou o Carioca de 2002 em sua primeira volta ao clube. Futebol nunca faltou para o ídolo, que anos depois passou a falar publicamente que o Flu era seu clube de coração.

Revelado no clube, Carlos Alberto foi capitão do Fluminense na conquista da Copa do Brasil de 2007. O Tricolor saiu de uma fila de 23 anos sem títulos nacionais.

Roni e Magno Alves tiveram retornos um pouco mais apagados. A dupla não viveu bons momentos ao voltar ao Fluminense em 2009 e 2015, não conquistaram novos títulos mas seguem identificados e com carinho da torcida.

Camisa 9 do time vice-campeão da Libertadores em 2008, Washington voltaria para ser campeão brasileiro em 2010. O Coração Valente é muito identificado com o Fluminense e está sempre presente no clube. Foram 83 jogos e 45 gols pelo Tricolor.

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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