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O retorno de Marcelo ao Fluminense será uma grande atração da temporada 2023

Aos 34 anos, Marcelo retorna ao Fluminense, clube que o formou como jogador, após rescisão com o Olympiacos

O Fluminense pegou muita gente de surpresa com o anúncio do retorno do lateral Marcelo, de 34 anos, que recentemente deixou o Olympiacos, da Grécia. O jogador retorna ao clube que o formou como jogador e assinou contrato até dezembro de 2024, com opção de renovação por mais uma temporada. Será uma atração para toda a temporada pelo tamanho e importância que o jogador tem no futebol brasileiro e em um time que foi muito bem em 2022 e tenta manter o alto nível para 2023. Um jogador consagrado e identificado com o tricolor.

“É até difícil expressar o significado que esse momento representa para mim. São muitos anos sonhando em retornar às minhas origens, ao time que me formou e ensinou o que sei de futebol”, disse Marcelo ao site do Fluminense. O jogador só deve se apresentar em duas semanas no Brasil, depois de resolver questões na Europa, especialmente em Madri, onde tem casa.

Lateral ou meio?

O jogador atuou muito pouco na Grécia e o técnico Michel não parecia contar com ele. No Fluminense, ele será um reforço importante para o time do técnico Fernando Diniz, que embora tenha contratado o lateral Jorge, ele não convenceu nos primeiros jogos e ainda deu o azar de se machucar na terça, 21. A lesão é grave, de ligamento cruzado anterior, e o afastará por ao menos seis meses do futebol. Assim, falta um jogador ali, tanto que o técnico tem usado o lateral direito Guga improvisado no setor. Até Calegari já foi improvisado como lateral esquerdo, embora não seja sua posição. Marcelo deve chegar para ser o dono da posição.

Sempre houve conversas sobre o jogador atuar como meio-campista, pela sua capacidade técnica muito acima da média, ou mesmo atuar como um ponta, dada a sua imensa capacidade ofensiva. Inicialmente, porém, não deve ser assim que o jogador será usado. Marcelo tem uma capacidade ofensiva rara, mas também tem problemas defensivos sem a bola. Por isso, certamente será preciso criar compensações. Considerando o que ele pode oferecer, é possível criar essas compensações. É um equilíbrio que não é fácil, mas é possível.

Marcelo volta ao Brasil quatro anos depois do seu antigo companheiro de seleção, Daniel Alves, fazer o mesmo. Em 2019, recém-eleito o melhor jogador da Copa América, Daniel Alves voltou para o São Paulo. Ele atuou no meio-campo e vestindo a camisa 10 na grande maioria do tempo que esteve no clube, comandado, na maior parte do tempo, justamente por Fernando Diniz, atual técnico do Fluminense. No final da sua passagem, já com Hernán Crespo, ele passou a ser ala.

Consagrado como lateral, Marcelo tem capacidade técnica para ser meia ou ponta, se assim quiser. Pode ser que Diniz veja o mesmo potencial que viu em Daniel Alves para isso. São, porém, jogadores bem diferentes. E considerando o problema que o Flu tem na lateral esquerda, Marcelo pode resolver a questão, ainda que exija uma compensação defensiva para que ele atue plenamente. Além disso, a sua atuação no meio, onde o Flu tem Paulo Henrique Ganso jogando bem, pode criar um desequilíbrio no setor – ou, ao menos, exigir um esforço maior para equilibrar ali.

Um dos melhores do mundo na posição pelo Real Madrid

Marcelo pelo Real Madrid em 2008 (PHILIPPE DESMAZES/AFP via Getty Images)

Marcelo começou a sua carreira no time principal do Flu em 2005 e ficou pouco tempo antes de se transferir, ainda aos 18 anos, para o Real Madrid, em 2007. Conviveu por seis meses com Roberto Carlos, um dos maiores nomes na posição no clube e da história do futebol brasileiro e mundial. Rapidamente assumiu a posição de titular.

Pelo Real Madrid, Marcelo se tornou um jogador lendário. Não só esteve entre os melhores do mundo por muitos anos, como foi muito vitorioso, com títulos importantes e se tornando um dos líderes da equipe ao longo dos anos. Foram cinco títulos de Champions League pelo clube, quatro mundiais de clubes, seis títulos espanhóis, duas Copas do Rei, três Supercopas da Uefa e cinco Supercopas da Espanha.

Marcelo se tornou jogador da seleção brasileira em 2006, quando o técnico ainda era Dunga. O jogador ainda estava no Fluminense quando foi chamado pela primeira vez, ainda muito jovem. Fez a sua estreia em um jogo contra Gales, no dia 5 de setembro daquele ano, pouco depois da Copa do Mundo. Fez um gol logo na sua estreia.

Foram 58 jogos com a camisa do Brasil e um título: a Copa das Confederações de 2013. Ficou fora da Copa do Mundo de 2010 por opção de Dunga (que preferiu levar Michel Bastos para a posição, com Gilberto como reserva). Em 2014, Marcelo foi titular do time comandado por Luiz Felipe Scolari. Também foi titular na Copa de 2018, com Tite. Perdeu espaço na seleção depois disso. Não foi mais chamado por Tite depois da Copa do Mundo. Seu último jogo com a camisa do Brasil foi a derrota por 2 a 1 para a Bélgica, nas quartas de final daquele Mundial.

Perda de espaço no Real Madrid e ida para a Grécia

Apesar da perda de prestígio na seleção, continuou atuando no Real Madrid. Começou a perder espaço na temporada 2020/21, quando passou a ficar muitos jogos no banco e sequer entrar em campo. Os seus minutos em campo foram diminuindo à medida que seu contrato se aproximava do fim, em 2022. Deixou o clube ao final da temporada 2021/22, aclamado como ídolo, mas sem mais parecer oferecer o mesmo em campo. Ferland Mendy era o titular e Marcelo entrava só de vez em quando.

No Olympiacos, a expectativa era alta de que ele fosse a estrela. Faltou combinar com o técnico, que pareceu nunca confiar no brasileiro para isso. A rota de colisão levou à rescisão do contrato, deixando o jogador livre no mercado. Havia especulações de interesse da MLS, com o Los Angeles Galaxy sendo o principal candidato, e um retorno ao Brasil.

Retorno para casa

Fluminense e Botafogo eram os principais candidatos, já que o Flu é o seu time de formação e o Botafogo é o time que o jogador é torcedor. O retorno ao Fluminense, anunciado nesta sexta-feira, é um retorno ao local onde ele se criou. Agora, como veterano, ele terá a missão de ajudar o Flu de Fernando Diniz a ser um time ainda melhor em 2023, depois da ótima campanha que fez em 2022, chegando à Libertadores.

É impossível saber se Marcelo será um sucesso no Fluminense, mas certamente será uma das grandes histórias para se acompanhar na temporada pelo Flu. Será uma estrela em um futebol brasileiro que tem trazido jogadores de relevância – ou mantendo alguns, ao menos aqueles que são possíveis. Marcelo será uma atração no Brasileirão e na Libertadores que será interessante ver, até para saber como Fernando Diniz tentará tirar o melhor dele. Será, sem dúvida, uma atração onde quer que o Fluminense vá jogar.

Marcelo retorna ao Fluminense (reprodução/Fluminense FC)
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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