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Como o Atlético-MG pode desintoxicar os perseguidos Jemerson e Edenilson

Jogadores mais criticados pela torcida, que sempre levam a culpa quando o time não vence, Jemerson e Edenilson precisam de uma desintoxicação no Atlético

O Atlético-MG vive momentos de altos e baixos desde que teve o mágico ano de 2021. Com isso, há sempre jogadores apontados como vilões quando as coisas não dão certo. Atualmente, os “perseguidos” são o zagueiro Jemerson e o meia Edenilson. Para tentar retomar o prestígio deles com a torcida, o Galo pode ter que fazer uma espécie de desintoxicação — além de um trabalho mental.

No último sábado, quando o Atlético empatou por 2 a 2 com o Cruzeiro na Arena MRV, Jemerson, que já não nutre mais um grande apreço do torcedor, acabou marcando contra o primeiro gol cruzeirense, que desencadeou na reação do adversário até empatarem a partida. Nesse caso, foi um azar do zagueiro, que estava no lugar errado e na hora errada, já que o gol saiu após Mauricio Lemos chutar a bola nele. Mas o defensor já tinha um gol contra em clássico recente, o que pesa muito mais agora.

No primeiro clássico da história da Arena MRV, um 0 a 0 truncado e chato caminhava para ser o placar o final, mas, já nos minutos finais, Jemerson foi tentar cortar um cruzamento e acabou mandando contra o próprio gol. Dessa forma, a Raposa venceu o primeiro duelo na casa do Galo. O zagueiro, que naquela época já não estava no seu melhor momento, acabou ficando ainda mais marcado na torcida, chegando a ser vaiado quando seu nome aparecia no telão e também quando pegava na bola no jogo seguinte em casa.

Já Edenilson é um jogador que nunca conseguiu nutrir o carinho da torcida. Desde que chegou, no início de 2023, não teve muitas grandes atuações, o que foi irritando cada vez mais o torcedor. No fim do último ano, ele teve uma sequência de três jogos em alto nível, inclusive marcando gol na ótima vitória do Atlético contra o Flamengo em pleno Maracanã.

No entanto, esses jogos não foram suficientes para fazer ele ter créditos com o torcedor. Titular de Felipão até o fim da primeira fase do atual Mineiro, ele seguiu sendo muito criticado por suas atuações. Reclamações de falta de intensidade são as mais comuns. No clássico do primeiro turno, falhou no primeiro gol do Cruzeiro e, neste último, passou longe de dar a consistência pensada por Milito ao meio-campo na segunda etapa.

Hoje, tudo que Jemerson e Edenilson fazem com a camisa do Atlético tem pesos diferentes. Se eles erram, a pressão é muito maior. Se acertam, isso é relativizado. A relação da torcida com eles está bastante estremecida. Mas, há algo que pode ajudar a desintoxicar e normalizar o caso.

Atlético tem que trabalhar o mental e entender o momento

O primeiro ponto essencial para o Atlético tentar fazer Jemerson e Edenilson darem a volta por cima e ganharem a confiança do torcedor é trabalhar o mental. Com falhas, jogos ruins e muitas críticas, é normal que o jogador se sinta mais acanhado e pressionado, fazendo com que ele erre justamente pela pressão de precisar acertar para não ser um alvo. Confiança é o ponto central para iniciar essa recuperação.

Contra o Cruzeiro, por exemplo, após o gol contra, Jemerson errou um passe fácil no lance seguinte, claramente se sentindo afetado pelo que aconteceu. Mas, depois, conseguiu forças para fazer um desarme impecável em Matheus Pereira, que o recolocou no jogo. No fim, fora o gol contra sem querer, o zagueiro fez uma boa partida, mas, claro, ficou marcado pelo ocorrido e saiu como vilão.

Fazer os jogadores serem “esquecidos”

O segundo ponto parte do treinador e dos próprios jogadores, o qual é entender o momento e saber que, às vezes, é melhor poupar um atleta que se tornou alvo, mesmo que ele esteja com confiança em si próprio.

Jemerson não vive boa fase e sempre sai como o culpado quando o Atlético não vence — ele tendo culpa direta ou não. Então, talvez seja melhor colocá-lo no banco para ser poupado de críticas e pressão desnecessária. Quando o time voltar a vencer, ele pode voltar a entrar gradualmente. Talvez sendo titular, mas fora de casa, onde não terá um estádio inteiro pressionando, e assim poder recuperar não só a confiança pessoal como também a do torcedor.

O mesmo vale para Edenilson, que tem uma trajetória até esse possível redenção mais complicada, pois Jemerson é cria do Galo e já tem algo construído no clube, enquanto o meia não tem isso. Basicamente parte do ponto zero, ou, nesse caso, de um ponto negativo com a torcida.

O meia teve uma luxação no cotovelo esquerdo com ruptura de ligamentos que deve tirá-lo de campo por um tempo, o que já pode servir como esse período fora até o time se recuperar e ele (talvez) entrar sob menos pressão.

Por fim, o terceiro ponto depende só dos jogadores. Se isso tudo for feito e eles não entrarem em campo com vontade e dedicação, brigando por cada bola, como o torcedor quer, nada vai adiantar e eles vão seguir sendo alvos da torcida.

O ponto aqui é, basicamente, fazer o torcedor “esquecer” essa raiva que tem dos jogadores tirando eles de campo e, consequentemente, das críticas. Com o time engatando uma boa sequência, a torcida estará mais “tranquila”. Somando as duas coisas, os hoje perseguidos podem entrar também com menos pressão e desempenharem o bom futebol que já demonstraram ter.

Atlético já teve casos parecidos

Essa gangorra do futebol, em que o jogador pode ser o mais amado em um mês e o mais odiado na outra, é comum, principalmente no Brasil. No Atlético, não é diferente. Dois casos recentes no clube são dos atacantes Vargas e Paulinho.

Vargas se tornou o vilão em 2022 após ser expulso na eliminação do Galo na Libertadores e chegou a ser afastado, alegando ainda problemas de saúde mental. No fim do mesmo ano, ele retornou ao time (até porque Hulk se lesionou e não tinha outra opção) e acabou sendo o responsável direto por dar a vaga para a próxima Libertadores para o Alvinegro. Mas, como a gangorra não para, o chileno voltou a ter atuações ruins e hoje não nutre muito prestígio da torcida.

Já Paulinho, que chegou com alta expectativa em 2023, também passou por essa gangorra. Ele começou o ano muito bem, sendo O cara do time nas fases preliminar e de grupo da Libertadores. No entanto, foi apontado como vilão nas oitavas da competição por perder um gol que daria a classificação ao Galo, além de viver um momento em que estava desperdiçando muitas chances. Mas ele conseguiu se recuperar (nesse caso, sem precisar de um tempo fora do time) e terminou o ano como artilheiro atleticano e do Campeonato Brasileiro.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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