Milito destaca saúde mental, e isso pode fazer toda diferença para o Atlético-MG
Gabriel Milito chegou ao Atlético com um discurso de mentalidade, atrelado a saúde mental, que pode fazer diferença em campo e fora dele
O argentino Gabriel Milito foi apresentado como novo treinador do Atlético-MG nesta quarta-feira (27). Além das respostas bem explicadas sobre o que pretende do time em campo, mostrando uma sinergia com o que o clube e a torcida também desejam, o técnico falou muito sobre saúde mental, assunto em alta no futebol mundial, demonstrando ter todo o entendimento de como os atletas devem ser tratados, e isso pode fazer toda a diferença para o Galo em campo.
A saúde mental no futebol é um tema cada vez mais em alta. Em 2023, a Trivela fez um levantamento que mostrou que quase metade dos clubes da Série A no Brasil não tinham psicólogos. O Atlético não era um desses, já que conta com Michelle Rios, que faz o acompanhamento com os jogadores fora de campo. Inclusive, nesta quarta, em postagem apoiando Richarlison, que se tornou uma bandeira do tema no futebol, o Galo citou a importância da profissional.
A história do @richarlison97 é mais um exemplo de como a saúde mental importa, e o acompanhamento profissional, muitas vezes, é um tabu.
É com esse cuidado que o Galo possui, em sua comissão técnica, a psicóloga Michelle Rios e, agora, Patricio Morales, que chega junto com o… pic.twitter.com/AvWG8keJa0
— Atlético (@Atletico) March 27, 2024
E esse tema tem tudo para ficar ainda mais em evidência no Atlético com a chegada de Gabriel Milito. Além de ter demonstrado total entendimento da importância do mental dos jogadores, ele fez questão de trazer com ele um profissional da área, mesmo com o Galo já tendo alguém, como citado.
— O futebol evoluiu muito nas questões físicas e táticas nos últimos anos. Faltava a ferramenta do tema psicológico. No futebol de elite, o jogador está submetido a muitas situações estressantes, de muita pressão. Se um jogador está com problemas, é preciso ajudá-lo, para tirarmos o melhor desempenho. Temos que ser fortes mentalmente, e por isso acredito muito na psicologia. Por isso meu grupo de assistentes tem um psicólogo, que é muito profissional, que faz o seu trabalho — afirmou Milito ao ser questionado sobre ter em sua equipe o psicólogo Patricio Morales.
Um jogador, antes de jogador, é uma pessoa. Damos muita importância ao fator humano. Estamos para ajudá-los. Estamos para construir uma força interna no clube. Temos que ir na mesma direção. Se vamos divididos, estaremos mais fracos. Juntos, estamos fortes – Gabriel Milito
Para Milito, não adianta talento sem mentalidade
Gabriel Milito falou sobre a questão mental dos jogadores em outras respostas. Por exemplo, para ele, não adianta um jogador ter talento se não tem mentalidade (e vice-versa). Para ele, o elenco do Atlético tem essas duas coisas.
— Para chegar a este lugar, tem se que ter talento e muita mentalidade. Se não, não chega. Pode jogar futebol, mas não neste nível. Se jogar com talento, mas sem mentalidade, não chega. Com mentalidade e sem talento, também não chega. Tem que unir os dois aspectos — Gabriel Milito
Milito destacou que já via talento e mentalidade no time antes de chegar. Mas, é claro, que isso é mais perceptível no dia a dia e, principalmente, nos jogos. Como o jogador se comporta após uma vitória e uma derrota é um ponto crucial para o argentino.
— Ver como eles sabem ganhar e perder. Falamos com os jogadores: na adversidade, busquem o melhor, não que isso diminua seu rendimento. Quando as coisas vão bem, tudo é mais fácil. Mas, é futebol, e sabemos que, nas equipes, há momentos duros, de adversidade e que não se conseguem as coisas. Aí, preciso ser valente, mas também da valentia dos jogadores — destacou o treinador.
‘Posso perdoar um erro, mas não que o jogador não dê 100%’
A forma como Gabriel Milito vê o futebol é diferente de muitos treinadores, principalmente no Brasil. No país, muitas vezes, só o resultado importante. Para o treinador, vale muito o caminho e, principalmente, como os jogadores se portam em campo. Errar faz parte, acontece com todos, mas não competir não faz, e ele não perdoa isso.
— Os erros acontecem a todo tempo no futebol. Posso perdoar um erro, mas não posso perdoar que o jogador não dê 100%. Comigo joga quem joga bem, mas quem também deixa 100% em todas as partidas. Este clube e o futebol de elite exigem isso. Isso facilita ou aumenta as chances de ganhar. A união de muitas coisas te fazem ser uma grande equipe, e tenho certeza que não pode faltar a paixão — destacou o treinador.
⚔️💪🏼 Protagonismo, garra e vontade… Milito é apresentado e fala sobre sua ideia de jogo.
🎥 Ao vivo na @GaloTV: https://t.co/hDLf938N1a#MilitoÉGalo pic.twitter.com/OExiGpNq2q
— Atlético (@Atletico) March 27, 2024
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Derrotas positivas e vitórias negativas?
Além das questões com os jogadores, Gabriel Milito parece também ter uma relação bem natural com as derrotas. Ele fez questão de deixar claro (mais de uma vez) que não gosta de perder, mas são coisas que acontecem no futebol e, algumas vezes, podem ser até positivas.
— Todos queremos ganhar. Mas acredito que muitas vezes tem vitórias que fazem mal e derrotas que fazem bem. Aconteceu comigo como treinador e jogador, de ganhar um jogo contra uma equipe superior e depois ficar cinco jogos sem ganhar, porque se conformou com essa vitória sobre a equipe superior. Tem derrotas contra equipes inferiores ou superiores, não importa, uma derrota sempre é uma derrota, que te ativa — afirmou.
Muitas vezes tem frases que prefiro que não aconteça, mas que acontecem, como: “o erro forma parte da aprendizagem” ou “o fracasso é parte do êxito”. Ninguém quer fracassar, ninguém quer cometer erros, mas acontece. Temos que capitalizar o melhor de cada uma dessas situações para melhorar — afirmou Gabriel.
Não tratar uma derrota como o fim do mundo, como muitas vezes acontece, principalmente no Brasil, é algo que pode ser positivo para o Atlético dentro e fora de campo. No futebol, só um time vence, e não é por isso que todos os outros são ruins ou não prestam. Entender isso e ainda usar para melhorar, como Milito citou, é o melhor caminho para chegar ao êxito.
— Não quero perder nenhuma partida, quero aprender de acertos, mas sei que vamos errar, eu o primeiro, mas seguirei trabalhando com a mesma paixão para fazer melhor — concluiu o argentino.
Nos últimos anos, principalmente após a espetacular temporada de 2021, saindo campeão brasileiro e da Copa do Brasil, além de ter chegado nas semis da Libertadores, o Atlético e a torcida passaram a viver de uma forma que cada derrota/eliminação pesou muito mais. O entendimento de que o elenco forte e que dominou o Brasil em um ano deveria seguir assim de qualquer jeito nos anos seguintes minou alguns jogadores e, principalmente, treinadores. Se Gabriel Milito conseguir implementar essa mentalidade de usar derrotas como aprendizado e não como punição, tanto nos jogadores, como na diretoria e até na torcida, o Galo tem tudo para evoluir como clube.



