Brasil

Paulinho assume protagonismo no Atlético-MG, que o credenciou para a Seleção

Paulinho saiu de vaiado para autor de todos os gols do Atlético nos últimos jogos, e agora terá a chance na Seleção Olímpica

Principal contratação do Atlético-MG para 2023, o atacante Paulinho já viveu altos e baixos no clube. Com um começo arrasador, ganhou o carinho da torcida. Mas depois de uma sequência ruim, passou a ser criticado e até vaiado. Mas o atacante conseguiu dar a volta por cima, se tornando o grande protagonista do time nos últimos jogos, o que o credenciou para ser chamado para a Seleção Brasileira.

Na convocação da Seleção Pré-Olímpica, o nome do Paulinho foi o que mais chamou atenção e surpreendeu, mas não por ele não estar bem, pelo contrário, está em ótima fase, e sim porque todos ficaram surpresos que ele ainda tem idade olímpica. O atacante estreou no futebol em 2017, no Vasco, já jogou na Alemanha e até foi campeão olímpico com a Seleção em Tóquio, em 2021, e mesmo depois de tudo isso, ainda tem lenha para queimar.

Aos 23 anos, ele está no último ano com idade olímpica. No ataque, vai disputar espaço com nomes que já estão na Europa, onde ele já passou, como Lázaro (Almeria-ESP), João Pedro (Brighton-ING) e Igor Paixão (Feyenoord-HOL), mas também com jogadores que eles costuma encontrar no Brasil, como Vitor Roque, Marcos Leonardo e Bitello.

O Brasil está no Marrocos, onde vai fazer dois amistosos contra os donos da casa. O primeiro acontece nesta quinta-feira (7), às 16h (de Brasília). A outra partida será na segunda (11), no mesmo horário.

Paulinho chamou o protagonismo no Atlético

A convocação de Paulinho é mais do que merecida. No Atlético, ele já disputou 45 jogos na temporada, marcando 19 gols e dando seis assistências. São 25 participações em gol, o que dá uma média de 0,5 por jogo. Ou seja, ele participa de um gol a cada dois jogos do Galo. Apesar da grande temporada, ele viveu um tropeço no meio do caminho.

Início arrasador na Libertadores

Paulinho teve um início incrível no Atlético, principalmente na fase preliminar da Libertadores. O atacante participou de todos os gols do Galo na segunda e na terceira fase da competição. O alvinegro disputou quatro jogos, marcando sete gols, e Paulinho balançou as redes quatro vezes, além de três assistências.

  • Carabobo-VEN 0x0 Atlético – 2ª fase preliminar
  • Atlético 3×1 Carabobo-VEN – 2ª fase preliminar – um gol e duas assistências para Paulinho
  • Millonarios 1×1 Atlético – 3ª fase preliminar – um gol de Paulinho
  • Atlético 3×1 Millonarios-COL – dois gols e uma assistência de Paulinho

Na fase de grupos, Paulinho não parou de marcar. Ele fez o gol da derrota do Atlético por 2 a 1 para o Athletico-PR, em Curitiba. Na volta, em BH, marcou os dois gols que deram uma importante vitória ao Galo. Contra o Alianz Lima-PER, outro jogo essencial para a classificação do Galo, deu assistência para Hulk marcar o gol da vitória.

Nesse meio, o atacante ainda contribuiu com mais alguns gols e assistências no Campeonato Mineiro, no Brasileirão e na Copa do Brasil. Foram dele, por exemplo, os dois gols da vitória contra o Corinthians, na ida das oitavas da copa nacional.

Fase ruim e mudança de técnico afetaram Paulinho

Depois do citado jogo contra o Alianza Lima, Paulinho ainda marcou o gol de empate do Atlético contra o Red Bull Bragantino, na partida seguinte. No entanto, foi ali que muita coisa começou a dar errado. A torcida do Galo já via o atacante como um jogador que desperdiça muitas oportunidades, mas como o time estava vencendo, ela relevava.

Na partida contra o Bragantino, Paulinho marcou, mas perdeu uma grande chance. Dali em diante, o Atlético ficou 10 jogos sem vencer, uma das piores sequências de sua história. O atacante não conseguia marcar, perdia algumas chances e era cada vez mais cobrado pela torcida.

A gota d’água para muitos torcedores foi na eliminação para o Palmeiras, na Libertadores. O Galo só conseguiu criar uma única chance em todo o jogo. Ela caiu nos pés de Paulinho, que driblou o goleiro, mas chutou para fora. No jogo seguinte, o atacante fez o gol da vitória contra o Bahia, mas ainda saiu de campo vaiado por alguns torcedores.

Algo que também “ajudou” Paulinho a passar a ter um desempenho pior foi a chegada de Felipão para substituir Coudet. Com o argentino, o camisa 10 formava dupla de ataque com Hulk e jogava mais próximo do camisa 7. Já com o brasileiro, a formação mudou para três atacantes, com Pavón aberto em uma ponta e Paulinho na outra, ficando assim distante de Hulk.

Reaproximação com Hulk e protagonismo

Na já citada partida contra o Bahia, quando Paulinho fez o gol da vitória, Felipão havia mudado um pouco o esquema do Atlético, para deixar de uma forma que Hulk e Paulinho voltassem a se encontrar com mais facilidade. Foi o que aconteceu, já que a assistência para o gol do triunfo foi do camisa 7.

Nos jogos seguintes, a dupla seguiu provando que precisam jogar sempre mais próximos, a final, é a melhor do Brasil. Hulk deu as assistências para os dois gols de Paulinho contra o Santos, na estreia da Arena MRV. O camisa 10 marcou seu nome na história do clube com o primeiro gol oficial da casa própria atleticana.

No último jogo, o Atlético apenas empatou com o Athletico-PR, mas Paulinho fez a sua parte, o atacante voltou marcou o gol alvinegro, agora sem assistência de sua dupla dinâmica. Com isso, ele é o autor de todos os últimos quatro gols do Galo no ano, assumindo o protagonismo no time e justificando a convocação para a Seleção Brasileira.

Paulinho briga por artilharia?

Só no Campeonato Brasileiro, Paulinho tem oito gols, é o artilheiro do Atlético na competição e o terceiro no geral, empatado com Deyverson e Marcos Leonardo. Ele fica atrás de Vitor Roque (11 gols) e Tiquinho Soares (13).

A sequência atleticana colocou e vai colocar Paulinho frente a frente com seus rivais pelo troféu de artilheiro. Ele já encarou Marcos Leonardo (2×0 Santos) e Vitor Roque (1×1 Athletico-PR), que inclusive são seus companheiros de seleção no momento. Quando voltar, o atacante e o Atlético terão pela frente o Botafogo de Tiquinho Soares (16/09) e o Cuiabá de Deyverson (23/09), ambos na Arena MRV.

Paulinho pode chegar a marca que não acontece desde 2010

Com 19 gols no ano, sendo o primeiro a “ameaçar” Hulk (22) na artilharia do clube, Paulinho já é o vice-artilheiro do Atlético com mais gols em um ano, ao lado de Lucas Pratto, que em 2016 também marcou 19 vezes. Como é muito provável que o atacante marque ao menos mais um gol e ultrapasse a marca de Pratto, é preciso voltar até 2010 para encontrar uma dupla de ataque tão artilheira quanto a atual.

Naquele ano, o Atlético Obina e Diego Tardelli no comando de ataque, formando uma das grandes duplas da história do clube. Juntos, eles combinaram para 52 gols, sendo 27 de Obina e 25 de Tardelli. Se Hulk e Paulinho mantiverem a média de gols deles, de 0,48 e 0,42 gol por jogo, respectivamente, eles vão conseguir bater a marca da dupla de 2010. Na média, o camisa 7 ainda faz mais sete ou oito gols, chegando a 29/30. Já o camisa 10 marca mais seis ou sete vezes, chegando a 25/26.

Confira a lista dos artilheiros e vices do Atlético nos últimos anos

  • 2022: Hulk, 29, e Sasha, 12
  • 2021: Hulk, 36, e Vargas/Zaracho, 13
  • 2020: Keno, 11, e Vargas/Savarino, 10
  • 2019: Ricardo Oliveira, 14, e Alerrandro, 13
  • 2018: Ricardo Oliveira, 22, e Róger Guedes, 13
  • 2017: Fred, 30, e Otero, 14
  • 2016: Robinho, 25, e Pratto, 19
  • 2015: Pratto, 23, e Luan, 12
  • 2014: Tardelli, 19, e André/Guilherme/Luan, 10
  • 2013: Jô, 19, e Tardelli, 18
  • 2012: Bernard, 15, e André, 14
  • 2011: Magno Alves, 18, e Neto Berola, 13
  • 2010: Obina, 27, e Tardelli, 25
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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