Brasileirão Série A

Trégua? São Paulo e Palmeiras resolvem um dos problemas do último clássico

Reunião entre clubes define que São Paulo cederá sala de coletivas para Abel Ferreira conceder entrevista

São Paulo e Palmeiras voltam a se enfrentar nesta segunda-feira (29), às 20h (horário de Brasília), pelo Campeonato Brasileiro, no MorumBIS, 57 dias depois do primeiro Choque-Rei do ano. Um clássico que ainda está vivo na memória de são-paulinos e palmeirenses – nem tanto pelo empate em 1 a 1 válido pelo Campeonato Paulista, mas pelas muitas polêmicas que tomaram conta dos bastidores no pós-jogo. Passados quase dois meses do encontro, ao menos um dos tantos assuntos nebulosos foi resolvido pelos clubes.

Representantes de São Paulo e Palmeiras se reuniram com a Polícia Militar e a Federação Paulista de Futebol (FPF) na última quinta-feira (25) para definir os detalhes da logística e operação do clássico. Na reunião, ficou acertado que o Tricolor cederá a sala de coletivas para Abel Ferreira conceder entrevista após a partida. Também foi selado um acordo para que o camarote de Leila Pereira e da diretoria dos visitantes esteja posicionado em um lugar central do estádio.

Choque-Rei das coletivas: entenda a confusão

O último clássico ficou conhecido como o Choque-Rei das coletivas após uma negativa do São Paulo para que o treinador do adversário utilizasse a sala de entrevistas do estádio para atender à imprensa. O Tricolor afirma que vetou apenas o uso da sala de coletivas para o adversário e que colocou à disposição os demais espaços do estádio para que Abel concedesse a sua entrevista. O Palmeiras, por sua vez, alega que o clube mandante proibiu que Abel realizasse a entrevista, em uma decisão comunicada apenas após a partida.

O que o São Paulo disse à época

O relato ouvido pela Trivela à época é de que um profissional do São Paulo comunicou à equipe de assessoria de imprensa do Palmeiras que Abel Ferreira não poderia conceder a sua entrevista na sala de coletivas do estádio minutos após o jogo, no túnel de acesso ao vestiário. Na conversa, o clube garante que disponibilizou outros espaços do MorumBIS para que o treinador atendesse à imprensa – como, por exemplo, a zona mista. Algo que é negado na versão palmeirense.

Trata-se de uma decisão institucional do clube, tomada depois do último clássico no Allianz Parque, em que o São Paulo foi derrotado por 5 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o então técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva em uma sala anexa próxima ao vestiário dos gandulas. Profissionais da imprensa — inclusive, a reportagem da Trivela — tiveram de sentar no chão para acompanhar a fala do treinador. O clube, inclusive, alega que nunca havia utilizado aquele espaço no Allianz Parque e cogita até que uma espécie de resposta após ter provocado o rival pela eliminação na Copa do Brasil, meses antes.

O São Paulo alegou, portanto, que a decisão se tratava de “reciprocidade”. O Tricolor publicou um comunicado em suas redes sociais em que garante que a opção de não conceder entrevista no MorumBIS foi do Palmeiras. O veto foi apenas ao uso da sala de entrevistas. Conforme apurado pela Trivela, o fato de o Alviverde ter construído uma sala de imprensa para os visitantes no Allianz Parque após a confusão foi recebido pelos são-paulinos como uma prova de que a postura foi correta no episódio.

O que o Palmeiras disse à época

O Palmeiras, por sua vez, alega que a negativa de cessão da sala de entrevistas coletivas para o técnico Abel Ferreira foi apenas uma das hostilidades das quais os integrantes de sua delegação foram alvos no MorumBIS.

Por conta de não ter recebido permissão para utilizar o espaço, o Palmeiras decidiu deixar o estádio sem conceder entrevistas também na zona mista, localizada no corredor por onde os atletas se dirigem aos ônibus. Apenas Raphael Veiga parou para atender à imprensa, enquanto a maioria dos integrantes da delegação já estavam no veículo.

O Palmeiras deixou o MorumBIS praticamente em silêncio e revoltado com a postura e o tratamento recebidos do lado do São Paulo. O departamento de comunicação do clube afirmou que a delegação alviverde foi recebida com hostilidade desde o primeiro momento em que chegou ao estádio, e que ouviu som alto no vestiário desde as 15h – cinco horas antes do clássico.

A versão contada pelos palmeirenses é de que o clube foi apenas informado de que Abel não poderia conceder entrevista na sala de imprensa do MorumBIS, sem a possibilidade de realizar a entrevista coletiva em algum outro espaço do estádio. O clube alviverde ainda relatou que só soube que não teria permissão de utilizar a sala após a partida, quando já havia programado o painel eletrônico que fica atrás dos técnicos durantes as entrevistas, conhecido como backdrop.

Principal polêmica do clássico ainda não foi superada

Abel Ferreira concederá entrevista coletiva, mas a principal polêmica do último clássico não foi superada. Em meio a muitas reclamações do São Paulo contra a arbitragem no túnel de acesso aos vestiários, o diretor de futebol Carlos Belmonte chamou Abel Ferreira de “português de merda”. Dias mais tarde, o dirigente publicou um vídeo com um pedido de desculpas ao técnico. Mas a manifestação não comoveu o treinador rival.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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