Brasileirão Série A

São Paulo inicia busca por substitutos antes mesmo de definir saída de Thiago Carpini

Diretoria dá prioridade a profissionais estrangeiros; quinta-feira deve ser "Dia D" para bater martelo

Thiago Carpini deixou o Maracanã já nas primeiras horas da madrugada desta quinta-feira (18) ainda como técnico do São Paulo, mesmo após a derrota por 2 a 0 para o Flamengo. O treinador, inclusive, se disse respaldado no cargo durante a entrevista coletiva. Mas há boas chances de que tudo isso caia por terra e de que a diretoria decida por sua saída ao longo do dia. A Trivela apurou, inclusive, que os dirigentes já buscam um substituto no mercado e faz uma série de sondagens a profissionais estrangeiros antes mesmo de bater o martelo. 

A demissão de Carpini hoje soa apenas como questão de tempo. Isso, porque o comandante fez os últimos três jogos sob a obrigação de vencer para salvar o emprego — só venceu um, sobre o Cobresal e amargou ainda outra derrota, para o Fortaleza. Resultados que só aumentaram a pressão tanto externa quanto externa sobre o técnico. O treinador hoje está isolado no ambiente do clube, enquanto a diretoria tenta aplacar a turbulência nos bastidores.

Ao mesmo tempo, os dirigentes já avançam nas buscas por um possível substituto no cargo. A preferência é por profissionais estrangeiros. Neste momento, os treinadores brasileiros estão praticamente descartados, porque o consenso é de que não há um técnico de unanimidade no mercado nacional e que seja capaz de chegar e acalmar os ânimos — o nome de Felipão, por exemplo, esteve em pauta. O clube, inclusive, já ouviu alguns “nãos” durante as sondagens feitas até agora.

O português Carlos Carvalhal, hoje no comando do Olympiacos, e o espanhol Domènec Torrent, ex-Flamengo são profissionais que têm prestígio interno. Outro nome que foi especulado logo após a derrota para o Flamengo é o de Rafael Benítez, técnico campeão da Champions League pelo Liverpool e com passagens por Real Madrid, Chelsea. Mas a Trivela consultou uma fonte da diretoria que garantiu que o nome do espanhol não foi falado “nem de brincadeira”.

“Enquanto eu não for comunicado de nada, me sinto respaldado, porque na verdade tudo o que ouvimos é especulação. Claro que a insatisfação de parte do torcedor é compreensível, até de parte da imprensa. Eu nunca mudei minha maneira de ser”. (Thiago Carpini)

Diretoria do São Paulo nega interesse em Benítez (IconSport)

Casares deixa futuro de Carpini aberto

Minutos após acompanhar o sorteio da terceira fase da Copa do Brasil ainda na tarde desta quarta-feira (17) — portanto, ainda antes da derrota para o Flamengo —, o presidente Julio Casares já adotava um discurso evasivo sobre a permanência de Carpini. O mandatário evitou bancar o técnico, em caso de um resultado negativo no Maracanã, como de fato ocorreu.

— Viemos juntos, ele é o técnico do São Paulo. Viemos juntos, estamos juntos. Só saí do hotel para vir ao sorteio, estamos juntos e esperamos que a gente continue. Futebol sempre é resultado. O que reverte qualquer clima fora de campo é o resultado dentro de campo, isso é uma coisa natural — disse Casares.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Isolado, técnico se blinda de pressão

Carpini trata de se blindar do ambiente externo para conseguir lidar com a pressão e com as especulações que só crescem em relação a sua saída. O treinador evita acompanhar as redes sociais e o noticiário esportivo durante o dia a dia de treinamentos. Cabe à assessoria de imprensa do técnico mantê-lo informado sobre as repercussões na imprensa e entre os torcedores.

— Como falei. Eu procuro fazer meu melhor para mim mesmo. Tenho minha responsabilidade, meu respeito à instituição, torcedor, esse grupo de atletas que sempre me abraçou. Em relação a noticiário, mídias sociais, acompanho muito pouco. Mas isso chega, as informações chegam, tem um pessoal que trabalha com isso. Eu vivo mais a vida real, o que sou capaz de fazer. E diga-se de passagem sou bom no que faço. Muitos falam que os erros podem ser atrelados à minha idade, mas vejo pessoas com mais bagagem fazerem da mesma maneira — ressalta o treinador.

Desempenho após Data Fifa minou confiança

Thiago Carpini começou seu trabalho já fazendo história pelo São Paulo com a quebra do tabu em Itaquera e o título da Supercopa do Brasil. O treinador de 39 anos parecia destinado a engrenar, mas o seu trabalho estagnou depois da vitória sobre o Palmeiras no Mineirão — muito pelos desfalques, uma constante em sua passagem pelo clube.

A equipe oscilou no Campeonato Paulista, mas o técnico seguia respaldado pela diretoria de futebol,  que lhe respaldava e passava confiança para desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada. A avaliação interna era de que a equipe está no caminho certo e de que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini neste início de temporada.

Isso não mudou nem mesmo com a eliminação no Campeonato Paulista, nem agoraA confiança começou a ruir depois da derrota por 2 a 1 para o Talleres na estreia na Libertadores. O entendimento era de que a equipe deveria render mais após um período de 17 dias apenas para treinamentos durante a Data Fifa. Foi o início da queda de Carpini.

> Os próximos jogos do São Paulo

  • Atlético-GO x São Paulo — Brasileirão — domingo, 21 de abril, às 18h30 (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
  • Barcelona-EQU x São Paulo — Libertadores — quinta-feira, 25 de abril, às 21h (horário de Brasília) — Transmissão: ESPN (TV fechada)
  • São Paulo x Palmeiras — Brasileirão — segunda-feira, 29 de abril, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo