Brasileirão Série A

Thiago Carpini resiste no São Paulo e se sente respaldado, mesmo com queda iminente

Técnico concede entrevista coletiva após a derrota para o Flamengo ainda no comando da equipe

Thiago Carpini deixava transparecer o seu abatimento com a derrota do São Paulo para o Flamengo, nesta quarta-feira (17), pelo Campeonato Brasileiro, ainda à beira do campo do Maracanã. Isolado e sob uma forte pressão que só aumenta a cada dia, o treinador está na iminência de ser demitido do cargo. Mas ainda se sente respaldado para aparecer diante das câmeras e falar como técnico do clube.

O comandante apareceu para conceder sua entrevista coletiva quase uma hora depois do fim da partida. Trata-se de algo pouco usual em partidas fora de casa, quando normalmente o treinador visitante é o primeiro a falar para agilizar os procedimentos logísticos de saída do estádio e transporte até aeroporto ou hotel.

Os principais trechos da entrevista de Carpini

  • disse que se sente respaldado no cargo;
  • garantiu que não teve conversas com integrantes da diretoria;
  • técnico não acompanha as redes sociais, nem a imprensa;
  • afirmou que clima no vestiário é de “chateação” pela derrota.

Carpini garantiu que não foi comunicado “de nada” e disse que se sente respaldado pela diretoria. O técnico ainda afirmou que as movimentações do São Paulo em busca de um substituto no mercado são apenas “especulação.

“Enquanto eu não for comunicado de nada, me sinto respaldado, porque na verdade tudo o que ouvimos é especulação. Claro que a insatisfação de parte do torcedor é compreensível, até de parte da imprensa. Eu nunca mudei minha maneira de ser”. (Thiago Carpini)

— O que eu acho que preciso fazer é sempre ter dignidade, fazer meu melhor, representando a instituição, a mim mesmo, fazendo o melhor para o São Paulo enquanto estivermos à frente do projeto. O respaldo é dentro daquilo que imaginamos que pode ou não acontecer. Me sinto respaldado. Uma derrota ruim, mais uma derrota sofrida, sequência difícil, momento delicado do São Paulo. Mas mais uma vez valorizo os atletas, o que entregaram dentro de campo, o que nos propusemos a fazer. O respaldo, ninguém me dá respaldo. Meu respaldo eu que crio, é o meu trabalho, minha auto estima, minha maneira de ser, o respeito ao meu trabalho, meu princípio. Por mais que as pessoas tendem a falar do ser humano, extrapolam. Me sinto seguro e sigo trabalhando com minhas convicções — disse o treinador.

Isolado, técnico se blinda de pressão

Carpini trata de se blindar do ambiente externo para conseguir lidar com a pressão e com as especulações que só crescem em relação a sua saída. O treinador evita acompanhar as redes sociais e o noticiário esportivo durante o dia a dia de treinamentos. Cabe à assessoria de imprensa do técnico mantê-lo informado sobre as repercussões na imprensa e entre os torcedores.

— Como falei. Eu procuro fazer meu melhor para mim mesmo. Tenho minha responsabilidade, meu respeito à instituição, torcedor, esse grupo de atletas que sempre me abraçou. Em relação a noticiário, mídias sociais, acompanho muito pouco. Mas isso chega, as informações chegam, tem um pessoal que trabalha com isso. Eu vivo mais a vida real, o que sou capaz de fazer. E diga-se de passagem sou bom no que faço. Muitos falam que os erros podem ser atrelados à minha idade, mas vejo pessoas com mais bagagem fazerem da mesma maneira — ressalta o treinador.

“Quem tem que responder essa pergunta não sou eu. Eu me vejo fazendo o que sempre fiz. Trabalhando e fazendo meu melhor. Essa especulação de fica, não fica, sai, não sai, tem mais de 30 dias. Eu sigo trabalhando enquanto for o comandante”. (Carpini)

Ambiente no vestiário

Carpini se mantém no cargo mesmo após duas derrotas seguidas muito graças à postura dos jogadores. O respaldo do elenco ao técnico pesou e muito para que a diretoria evitasse tomar uma decisão sobre a saída do treinador neste momento. O próprio comandante reconheceu isso logo na primeira pergunta da coletiva da última quarta-feira (10), após a vitória sobre o Cobresal. Hoje, são os atletas que seguram o treinador no cargo. Por isso, o ambiente no vestiário era de chateação no Maracanã.

— Vestiário de chateação, de mais uma vez criar algumas situações e alguns gols que tem acontecido fogem do nosso controle. Vestiário chateado, de lamentação. não conversei com o presidente, com o executivo, com ninguém. Normal. Eles estiveram no vestiário me cumprimentando, todos os atletas, nenhuma conversa fora disso. Se algo acontecer imagino que tenha essa conversa. o que eu posso falar é de chateação por mais uma derrota do são Paulo — ressaltou o treinador.

> Os próximos jogos do São Paulo

  • Atlético-GO x São Paulo — Brasileirão — domingo, 21 de abril, às 18h30 (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
  • Barcelona-EQU x São Paulo — Libertadores — quinta-feira, 25 de abril, às 21h (horário de Brasília) — Transmissão: ESPN (TV fechada)
  • São Paulo x Palmeiras — Brasileirão — segunda-feira, 29 de abril, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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