Demitido pela SAF em 2022, Luxemburgo pode ser cartada final do Cruzeiro no Brasileirão
Vanderlei Luxemburgo, treinador com passagens marcantes pelo Cruzeiro, é a aposta de uma diretoria desesperada para salvar a Raposa do rebaixamento
O Cruzeiro vive momento de desespero no Campeonato Brasileiro, na zona de rebaixamento e com sérios riscos de cair para a Série B pela segunda vez em sua história. Sem treinador, após a demissão de Zé Ricardo, e sem muito para onde correr, num momento de definição na temporada — a Raposa tem seis jogos pela frente até o fim do Brasileirão —, a diretoria da SAF celeste pode apostar num velho nome, muito conhecido da torcida azul, como cartada final pela permanência: Vanderlei Luxemburgo.
Campeão da Tríplice Coroa pela Raposa em 2003, com passagem sem muito sucesso em 2015, e fundamental ao ajudar o Cruzeiro a evitar a queda para a Série C em 2021, Luxa é muito querido pelo torcedor celeste e sua experiência é vista com bons olhos para “sacudir o vestiário estrelado”. Mas, caso se confirme o retorno de Vanderlei Luxemburgo à Toca da Raposa — o interesse foi adiantado pela Itatiaia e confirmado pela Trivela — um fato minimamente curioso virá à tona.
Vanderlei Luxemburgo era o técnico do Cruzeiro quando a SAF passou a controlar o departamento de futebol do clube, no início de 2022. O treinador, hoje com 71 anos, chegou a participar do planejamento da equipe para aquela temporada, inclusive indicando jogadores, mas foi demitido pela nova gestão celeste antes mesmo do início do Campeonato Mineiro. Isso aconteceu pela diretoria celeste entender que o treinador não se adequava às diretrizes definidas para o projeto pensado para a Raposa, incluindo a parte financeira.
“Desde a instauração de auditoria interna, o Comitê de Transição analisa todas as operações, procedimentos e contratos vigentes a fim de desenvolver uma gestão eficiente da SAF Cruzeiro. Para adequar as contas à realidade orçamentária do clube, a diretoria foi orientada a não renovar com a atual comissão técnica”, publicou o clube, na ocasião.
Para o lugar de Luxa, foi contratado o uruguaio Paulo Pezzolano, que conquistou o título da Série B daquele ano pelo Cruzeiro, onde ficou até o final do Campeonato Mineiro da atual temporada.
Dois anos depois, Luxemburgo é acionado pela SAF
Ao chegar no Cruzeiro, a SAF, encabeçada por Ronaldo Nazário, o Fenômeno, definiu que haveria uma definição prévia de “valores inegociáveis” em diversos setores do clube, incluindo o comando técnico. A ideia era que os treinadores da Raposa propusessem um estilo de jogo ofensivo, baseado em pressão e desejo em manter a posse de bola.
Hoje, quase dois anos depois, a SAF do Cruzeiro precisa dar um passo atrás e mostrar que as coisas no clube não são tão inegociáveis assim. Isso já havia sido demonstrado quando Zé Ricardo assumiu o clube, após diversos “não” de treinadores procurados antes dele. Com Vanderlei Luxemburgo, isso ganha ainda mais destaque, tendo, inclusive, um tom até mesmo irônico.
A ironia consiste no treinador, outrora descartado pela SAF, ser a última esperança para que a direção celeste não protagonize um dos anos mais vexatórios da centenária história do Cruzeiro.
Mas é preciso ser justo. No momento em que Luxemburgo foi demitido pela SAF celeste, o Cruzeiro vivia um momento diferente. Após dois anos na Série B, com riscos iminentes de cair para a Série C, uma reformulação era vista como essencial. Ainda no início da temporada, era possível apostar num nome diferente, dentro da ideia de jogo proposta. Com o Mineiro por jogar, haveria tempo hábil para avaliar o trabalho antes de jogar a segunda divisão, principal objetivo do clube na temporada.
Atualmente, o Cruzeiro vive um drama. Há menos de um mês para o fim do Brasileirão, o time celeste ocupa a 17ª colocação, com 37 pontos em 32 jogos — dois a menos que a maioria dos outras equipes do Campeonato e um a menos que o Vasco, rival direito na briga contra o rebaixamento. Além disso, a Raposa possui um elenco limitado e vem jogando mal, tendo perdido seus três últimos jogos na competição. Para piorar, a tendência é que, após a batalha campal entre torcedores do clube e do Coritiba, no último sábado (11), o restante das partidas estreladas na Série A seja sem a presença de seu torcedor.
Como aconteceu após a demissão de Pepa, o mercado torce o nariz para o Cruzeiro. Treinadores em alta ou promissores dificilmente aceitariam assumir um clube que pode ser rebaixado. Outros, mais em baixa, mas que entendem a missão de salvar a Raposa como algo improvável, entendem que não haveriam benefícios ao assumir o comando da equipe, que sofre pressão gigantesca por parte da torcida. Zé Ricardo, por exemplo, durou apenas dez jogos e sai muito criticado.
Vanderlei Luxemburgo é uma boa escolha?
Dentre todas essas nuances, a aposta em Vanderlei Luxemburgo, que há muito tempo não é mais aquele treinador que encantou o Brasil — vide sua controversa passagem pelo Corinthians na atual temporada — parece a mais lógica. O treinador possui currículo vasto, experiência que poucos têm igual no futebol, já tendo vivido os mais diferentes cenários no mundo da bola, e respeito por tudo que já fez no esporte.
URGENTE: Luxemburgo não é mais técnico do Corinthians.
Sofascore Brazil@SofascoreBR
Corinthians sob o comando de Luxemburgo em 2023: 38 jogos
14 vitórias
12 empates
12 derrotas
42 gols marcados
40 gols sofridos
Aproveitamento 47,36%https://t.co/rstMWPw6kT— Canal Coringão – O Time do Povo (@canal_coringao) September 27, 2023
Hoje, o problema do Cruzeiro não passa somente por esquemas táticos e estilo de jogo, mas é anímico, psicológico, e talvez alguém como Luxa consiga extrair mais de cada atleta nos poucos jogos que restam.
Por outro lado, seus trabalhos recentes são espaçados e ruins — ou modestos, no caso do próprio Cruzeiro de 2021 —. O treinador sobrevive mais no mercado pelo que ele já fez, por quem é, do que pelo que pode fazer à frente de um clube. Daqui para frente, a Raposa tem seis jogos, seis finais, sendo dois deles contra rivais diretos. Dá para conseguir se manter. E a diretoria celeste, com sua cartada final, dada após alguns passos sobre o orgulho da “gestão profissional da SAF”, faz sentido dentro do contexto, que é de desespero.



