Brasileirão Série A

Grêmio usa (de novo) Renato como escudo, mas nem o maior ídolo tem sido capaz de proteger o clube

Enquanto dirigentes se calam, treinador gremista tenta passar segurança que não condiz com o desempenho do Tricolor Gaúcho dentro de campo

Em uma sala de imprensa abarrotada de repórteres, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul/RS, o técnico Renato Portaluppi concede entrevista coletiva, após a derrota do Grêmio, por 3 a 0, para o Juventude, enquanto o presidente Alberto Guerra, o vice-presidente de futebol Antônio Brum e o executivo de futebol Luís Vagner Vivian observam.

A cena do último domingo (7) não foi inédita. Acontece em todos os jogos. Mas é simbólica, à medida que nenhum dos dirigentes gremistas se manifestou após a goleada sofrida para o adversário gaúcho, que mantém o Tricolor na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, na 18ª colocação, com 11 pontos em 13 jogos.

— Quando falo que estou dando minha cara a tapa, vocês sabem muito bem que tem um regulamento aqui por parte do presidente, da diretoria, que eles não conversam. Não dão entrevistas independente do resultado. Não estou aqui sozinho. Estou aqui dando minha cara a tapa porque sempre fiz isso, eles também sempre fizeram, só que é um regulamento do clube que eles não falam toda hora — afirmou Renato.

Hierarquia no Grêmio é subvertida

Por mais que o treinador tenha tentado justificar o motivo das vozes dos dirigentes não serem ouvidas como a sua, o simples fato dele fazer isso prova como a hierarquia do clube está subvertida, e como a atual gestão do Grêmio, assim como a anterior, utiliza Renato como escudo.

É verdade que em 2021 a saída do maior ídolo da história do Grêmio desencadeou no terceiro rebaixamento da história do clube. Catástrofe essa para a qual Renato revelou ter alertado o então presidente Romildo Bolzan Jr. antes de deixar o cargo.

— Não quero falar de 2021. Quando eu fui embora do Grêmio falei para o presidente: ‘vai acontecer isso' — contou.

A inabalável autoconfiança de Renato, que flerta com a arrogância, é o que faz o treinador do Grêmio garantir que o mesmo não vai se repetir em 2024.

— [Não vai acontecer] porque eu estou aqui. Eu tenho a palavra do meu presidente, do meu executivo, do meu vice-presidente, que estão sempre do meu lado. E eu tenho a confiança do meu grupo. Eu confio no meu grupo até a morte. Quando estou dando minha cara para bater, que o Grêmio vai sair dessa situação já já, é pela confiança que tenho em todos eles — garantiu.

Grêmio apresenta muitos problemas dentro de campo

O problema é que essa segurança que Renato apresenta em sua fala não condiz com o desempenho do time dentro de campo. O Grêmio apresenta problemas repetidos, seja de escolhas individuais ou táticas. A defesa, por exemplo, que já foi a quarta mais vazada do Brasileirão de 2023, mesmo com o vice-campeonato, segue uma peneira.

Isso sem falar na sempre elogiada gestão de grupo de Renato. A mal contada preservação de Marchesín, que demonstrou inconformidade publicamente, ao mesmo tempo, em que discutiu veementemente com Reinaldo no empate em 2 a 2 o Palmeiras, indica que nem mesmo o maior ídolo do Grêmio tem conseguido proteger o clube e o grupo de jogadores.

Grêmio no Campeonato Brasileiro 2024

  • 18º lugar, com 11 pontos em 13 jogos
  • 3 vitórias, 2 empates e 8 derrotas
  • 28% de aproveitamento
  • 10 gols feitos, 17 gols sofridos
Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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