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Atlético-MG de Milito já passou por diferentes cenários, e se saiu bem em todos

Em quatro jogos com Milito, Atlético viveu cenários bem diferentes, e conseguiu se sair bem de todos eles, um ponto positivo ao treinador

São menos de três semanas de trabalho de Gabriel Milito no Atlético-MG. Mas com quatro jogos realizados, sendo dois de Libertadores e duas finais. Não foi uma sequência nada fácil para um início de trabalho, e o Galo ainda enfrentou diferentes cenários nesse pouco tempo. O último nesta quarta-feira (10), em um típico jogo de Liberta contra o Rosario Central, na Arena MRV. Mas, o saldo é (muito) positivo, com o time se saindo bem em quase todos eles.

Milito chegou ao Atlético com a missão de explorar toda a qualidade que o elenco possui, algo que não estava acontecendo com Felipão no comando. E a evolução do time é evidente, mesmo com pouco tempo dele no clube e menos ainda para treinar e implementar suas ideias.

São quatro jogos, três vitórias e um título desde que Milito chegou ao Atlético. A sequência de resultados é ótima, o desempenho melhor a cada jogo e um treinador que encanta os jogadores e os torcedores, seja pela forma como o time dele se comporta em campo ou nas palavras nas coletivas pós-jogos.

Um paciente, guerreiro e forte Atlético contra o Rosario

Começando pelo último jogo, o Atlético venceu o Rosario Central, na Arena MRV, em um típico jogo de Libertadores, truncado e muito duro, decidido no detalhe, na raça e na individualidade. Foi, sem dúvida, o jogo mais difícil para o Galo no ano, e ele demonstrou confiança e qualidade para sair vencedor.

O Atlético encontrou um Rosario extremamente fechado, que sabia se defender. Mas teve, como citou Milito, “paciência para jogar”, e conseguiu sair na frente. Após dominar o primeiro tempo, sofreu no segundo com a pressão argentina e levou o empate, mas criou forças para conseguir voltar a frente do placar e sair com a vitória.

No primeiro tempo, fomos superiores. Abrimos o placar e pudemos quebrar a estrutura defensiva do Rosario e controlar os contra-ataques, com Saravia se saindo muito bem contra Campaz. Tivemos paciência para jogar e criamos situações de gol. No primeiro tempo, poderíamos ter feito 2 a 0 na chance de Paulinho. No segundo tempo foi mais difícil. A sensação, antes deles empatarem, é que não estávamos controlando a partida como no primeiro. Mas, graças a qualidade dos jogadores, pudemos fazer o 2 a 1 — analisou Milito

O cenário do jogo contra o Rosario Central foi de um duelo muito duro e pegado, que precisou de um Atlético paciente para furar uma barreira defensiva muito bem montada. Mas, quando furou e isso fez o adversário sair para o jogo, acabou sofrendo muito. No entanto, teve forças (física e mental) e qualidade para buscar o segundo. Foi um jogo onde o individual fez a diferença, somado a mentalidade que não se perdeu após o empate.

O Atlético encantador, goleador e forte mentalmente

Antes do Rosario Central, o Atlético passou por outros cenários completamente diferentes. Na estreia de Milito, logo em uma final de Mineiro contra o Cruzeiro, o Galo foi extremamente encantador na primeira etapa, dando um show na Arena MRV e abrindo 2 a 0 podendo ser 3 ou 4. O problema é que não conseguiu manter isso para o segundo tempo e acabou cedendo o empate. O cenário foi de um êxtase enorme para grande decepção, mas que ainda assim deu esperança ao torcedor para o futuro, já aquele foi só o primeiro jogo com Milito após uma semana de treinos.

No jogo seguinte, o Atlético foi até a Venezuela estrear na Libertadores e encarou o fraco time do Caracas, que até tentou se defender, mas sem sucesso por conta da qualidade baixa do time. O resultado foi uma goleada também empolgante, com o time fazendo exatamente o que se esperava nos jogos contra os times mais frágeis do Mineiro. Em um cenário em que era favorito, o Galo conseguiu ser bastante dominante.

Já no terceiro jogo, a volta contra o Cruzeiro, o Atlético de Milito tinha que vencer a partida em um Mineirão com recorde de público só com cruzeirenses. Para piorar o cenário, saiu atrás no placar. Mas, demonstrou muita força mental correndo atrás do placar em um cenário bastante adverso, virando assim o jogo e sangrando-se campeão.

O Atlético de Milito então já esteve em um cenário de estreia complicadíssima que conseguiu dar a esperança necessária mesmo com o resultado não sendo o esperado. Depois, sendo franco-favorito, fez o esperado ao dominar e golear o adversário. Na terceira vez, em um cenário completamente adverso, deu a volta por cima e conquistou um título. Por fim, em um jogo tenso e pegado, foi forte e teve qualidade para sair vencedor. Basicamente, em todos os cenários que teve no curto espaço de tempo, o Galo de Milito se saiu muito bem.

Formações diferentes e rotação do elenco

Um detalhe que chama atenção no início de trabalho de Milito é que ele não repetiu escalação nenhuma vez. Em todos os jogos, pelo menos uma alteração no 11 inicial foi feita, quase sempre no meio-campo. O motivo, segundo Milito, é o estilo de jogo do adversário, pois o Galo se adapta a cada situação, mas é também pela fadiga dos atletas nessa maratona de jogos que só está começando.

— Nós contamos com um bom grupo de jogadores. De alto nível. Em algumas posições mais do que outras. E isso me permite escolher a cada partida e rodar o time. Jogamos quatro partidas muito importantes e em grande sequência. Gostamos de ter muita dinâmica no time. Mas, para ter isso, temos que estar bem fisicamente e conceitualmente. Nisso, vamos melhorando, correremos melhor e teremos mais energia. Mas é necessário rodar, e tenho a possibilidade de fazer isso sem que a equipe modifique o comportamento — explicou o treinador.

Desde que chegou, Milito deixou muito claro que pode mudar a escalação e a formação sempre, mas nunca o estilo de jogo do time. Independente de quem estiver em campo e qual seja a formação escolhida, o Atlético precisa ser um time que domina o adversário e fica com a bola.

Nesta quarta, o treinador colocou Scarpa na vaga de Otávio, que havia iniciado o clássico. Outra mudança foi na defesa, mas essa por lesão, já que Bruno Fuchs se lesionou — e vai ficar mais um tempo fora. O escolhido foi Mauricio Lemos: “Bruno Fuchs é um zagueiro muito importante pro time. Depois de várias partidas, sofreu uma lesão leve, que não o permitiu jogar hoje e não deve permitir jogas os próximos 2 ou 3 jogos. Mas, temos um bom elenco. Há substitutos. São jogadores com outras características, mas são bons”, afirmou.

As mudanças na escalação vão seguir acontecendo, seja por lesão ou desgaste, até pelo fato da maratona de jogos do Atlético estar longe de acabar. Ter o time bem fisicamente é um dos pontos principais para o estilo do treinador funcionar.

Haverá fatigas físicas e lesões, mas também fatigas mentais, de jogar tantas partidas importantes. Não é para qualquer um. — Gabriel Milito.

Um Atlético cada vez mais forte mentalmente

O jogo desta quarta contra o Rosario foi mais um que mostrou como o Atlético está se fortalecendo também mentalmente. Depois do empate contra o Cruzeiro na estreia de Milito, a Trivela questionou o treinador sobre os jogadores sentirem muito os gols adversários e o rendimento deles caírem no jogo, levando a sofrerem mais, como no caso desse próprio clássico. O treinador afirmou que isso seria trabalhado, e parece já estar surtindo efeito.

Depois da virada mesmo em um cenário completamente adverso na final do Mineiro, com o Atlético mostrando que não sentiu o gol marcado pelo Cruzeiro, o Galo demonstrou força mental de novo contra o Rosario, marcando minutos após sofrer o empate.

— Estou realmente contente com a equipe que tenho. Sobretudo com a mentalidade. A qualidade está aí, mas só ela não serve, necessitamos da mentalidade, e essa equipe tem isso. Espero que, com o passar o tempo, melhoremos em todos os aspectos do jogo — destacou Milito, que fala sobre a importância da saúde mental desde que chegou ao clube.

Gabriel Milito seguirá sem tempo no Atlético. São jogos e viagens seguidas que não lhe darão muito tempo para treinar e implementar suas ideias, mas, desse mesmo jeito, o time vem evoluindo e saindo com saldo positivo em diversos cenários. O importante é seguir assim. A próxima missão, provavelmente, trará um novo cenário, já que é a estreia do Campeonato Brasileiro, contra o Corinthians, no domingo (14), em São Paulo.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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