Brasil

Atlético-MG fez com o fraco Caracas o que se esperava em outras partidas fáceis

Atlético dominou e controlou o Caracas na estreia da Libertadores, algo que não aconteceu contra outros adversários considerados fracos

Futebol não é simples. Não é só contratar os melhores, ou ter um time melhor que o adversário para vencer. Mas quando há uma distância de qualidade grande entre dois times que se enfrentam, o que se espera é um domínio do time melhor no papel. O Atlético-MG fez isso ao golear o fraco time do Caracas na estreia da Libertadores, mas era algo que não havia feito antes contra outros times de nível semelhante.

Superior tecnicamente, o Atlético não teve nenhum problema para golear o Caracas mesmo fora de casa. No primeiro tempo, com o time quase todo considerado titular, foi um passeio, e mesmo o 3 a 0 parcial pareceu pouco. No fim, 4 a 1 após domínio e controle quase que do início ao fim. Isso é o que se espera do Galo em jogos do tipo, mas não tinha acontecido na temporada.

Com Felipão, o Atlético nunca conseguia dominar seus adversários, mesmo os mais fracos, muito pelo estilo de jogo do treinador, que presa mais pela defesa e menos pela posse de bola. Mesmo assim, esperava-se que o Galo se portasse melhor contra adversários inferiores, fazendo valer a sua superioridade técnica. Só que isso não ocorreu.

Estreia no Mineiro com derrota para o Patrocinense (agora rebaixado), empate em casa contra o Tombense e dificuldades de encarar o América (por três vezes) foram alguns jogos que deixaram evidente como o potencial técnico do time não estava sendo aproveitado da forma correta. Com Milito, mesmo que só com uma semana e meia de trabalho, isso mudou.

Atlético agora tem que “gostar de controlar o jogo”

Gabriel Milito tem estilo de jogo completamente diferente de Felipão, prezando muito mais a posse de bola, o domínio da partida (e do adversário) e o ataque. Para ele, controlar as ações do jogo é crucial, independente do adversário. Quando é contra um considerado mais fraco, então, é obrigação. E o Galo fez isso contra o Caracas.

O Atlético teve tanto o controle do jogo na Venezuela que trocou quase 800 passes, batendo o recorde da Libertadores nos últimos 10 anos. Só no primeiro, foram 416 passes, sendo 391 certos, outro recorde nos últimos 10 anos. Isso resultou, no fim, em mais de 70% de posse de bola para o time atleticano.

— Uma das características principais da ideia de jogo do Milito é gostar de controlar o jogo pela posse de bola. Isso é uma ideia complexa, que demanda muito treinamento, mas, aos poucos, a equipe vai ficando com a cara que ele pretende — afirmou o auxiliar Lucas Gonçalves, que substituiu Milito na beira do campo, já que o argentino cumpriu suspensão por uma expulsão por outro clube em 2023.

Ainda segundo o auxiliar atleticano, Milito chegou ao Atlético com ideias muito claras do que pensa sobre futebol e do que queria implementar no time. Essa clareza e a didática usada por ele facilitam na hora dos jogadores entenderem o que fazer. Até por isso, mesmo com pouco tempo de trabalho, o Galo já parece mais adaptado ao estilo do argentino, mesmo que ainda precise de tempo para encaixar todas as peças.

O único momento que o Atlético pareceu se perder um pouco no jogo foi no início da segunda etapa, quando entrou desatento e sofreu o gol. No entanto, diferente de como aconteceu no último domingo, contra o Cruzeiro, que o time sofreu um gol e desabou, o Galo conseguiu se recuperar e deu controlou de novo o jogo, inclusive marcando mais uma vez.

— Depois da gente ter feito um ótimo primeiro tempo, no início do segundo tempo teve a bola parada e sofremos o gol. Faz parte do jogo, mas certamente o Milito vai corrigir isso. Naturalmente, o adversário se entusiasma, e ali tivemos um momento mais abaixo, mas logo a confiança foi retomada e as trocas funcionaram muito bem, fazendo a equipe manter com o mesmo padrão — afirmou Lucas.

Com Milito, o Atlético está sendo o que se espera

Dominar um adversário fraco da forma que o Atlético dominou, era o que a torcida pedia. Não só pelo nível do adversário, mas pelo histórico do clube. Jogar para frente e se dedicar para atacar é algo enraizado no Galo, mas foi perdido com Felipão.

Fora isso, fica cada vez mais evidente como Scolari não aproveitava todo o material que tinha em mãos. O Atlético é um time muito bom tecnicamente, mas não tinha muito a bola para fazer isso. E pior, quando tinha, não sabia muito bem o que fazer coletivamente. A sensação era de que Felipão tinha um carro de alto velocidade nas mãos, mas preferia controlá-lo a 20 km/h. Com Milito, dá para ver que o Galo já joga a, pelo menos, 80 km/h.

A diferença é visível, e é exatamente o que não só o torcedor pedia, mas que todos esperavam ver de um time como o Atlético.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
Botão Voltar ao topo