Ásia/Oceania

Gallardo tenta convencer que desafio, e não milhões de dólares, o levaram à Arábia Saudita

Marcelo Gallardo encerrou seu período sabático após deixar o River Plate para treinar na milionária Arábia Saudita, mas afirma que dinheiro não foi o que motivou a decisão

Não foi apenas dentro dos gramados que a Arábia Saudita fez grandes contratações ao longo de 2023. O argentino Marcelo Gallardo era um dos técnicos desempregados mais cobiçados do mundo e decidiu encerrar seu período sabático indo para o Oriente Médio, onde hoje é treinador do Al-Ittihad, time que, entre outros, conta com jogadores do porte de Karim Benzema, N'Golo Kanté e Fabinho. Poucos dias após completar um mês como treinador no futebol saudita, ele se mostrou bastante adaptado ao novo país em entrevista à revista francesa SoFoot.

— Estou aqui [na Arábia Saudita] há 30 dias, então ainda o estou descobrindo [o futebol local]. Acredito que a chegada de jogadores importantes elevou significativamente o nível. Ele continuará a crescer, a se fortalecer a cada ano. É uma boa coisa para todo o país que o futebol esteja se desenvolvendo, com todos esses grandes nomes do futebol chegando. O fato de termos uma Copa do Mundo no horizonte [em 2034] também contribuirá para aumentar as expectativas — afirmou Gallardo durante a entrevista.

Peça-chave no desenvolvimento do futebol da Arábia Saudita

Um dos fatores que atraiu o multicampeão pelo River Plate para a Arábia Saudita foi a chance de ser um dos alicerces de um ambicioso (para não dizer megalomaníaco) projeto que o governo local tem de transformar o país em uma potência futebolística — ou ao menos em um grande centro do esporte, respeitado em todo o planeta.

— A Arábia Saudita é um país que deseja se desenvolver. Eu acredito que ela terá sucesso em se estruturar muito bem. Até o momento, ela não possui essa base, mas com o tempo, a chegada de novos jogadores e o crescimento dos jogadores locais, ela conseguirá alcançar esse objetivo — pondera Gallardo.

Seu começo na Arábia Saudita está longe de ser ruim, mas ficou marcado por uma inesperada desclassificação precoce no Mundial de Clubes, vencido na última semana pelo Manchester City em final com goleada por 4 a 0 contra o Fluminense. O Al-Ittihad de Gallardo era tido como favorito para enfrentar o time brasileiro nas semifinais, mas acabou sendo eliminado na fase anterior pelos egípicos do Al Ahly, atual campeão da África. Para o treinador argentino, a rotina corrida e a falta de tempo para implantar sua filosofia foram cruciais na eliminação.

— Eu tento explicar que não posso ser responsável pelo que aconteceu antes da minha chegada. Desde que estou aqui [desde 18 de novembro passado], tivemos muitos jogos, viagens, e de todos os jogos que disputamos no campeonato, perdemos apenas um. Tivemos que jogar a Liga dos Campeões Asiática, a Copa do Mundo de Clubes… No entanto, leva tempo para estabelecer uma estrutura, bases de trabalho sólidas — explicou o argentino.

Por fim, o treinador argentino também comentou o motivo de ter rejeitado propostas de grandes centros, como América do Sul ou Europa, para aceitar trabalhar na Arábia Saudita. Para isso, voltou a apontar que o desenvolvimento do futebol local é uma ‘aventura que o excita'.

— Eu quis experimentar algo diferente. Por exemplo, como mesclar esse elenco de jogadores locais e estrelas internacionais com a paixão e emoção dos argentinos. Senti que descansei o suficiente e que tinha vontade de voltar a trabalhar, e como sou uma pessoa curiosa, quero descobrir como o futebol é vivido nessas terras. Até agora, tenho visto muita paixão nos jogadores — concluiu.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
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