Mundial de Clubes

Manchester City goleou um corajoso mas insuficiente Fluminense e é dono do mundo

Manchester City não deu chance a um Fluminense que não mudou estilo, mas assim como outros sul-americanos, não foi páreo para campeões europeus

O Manchester City teve atuação cirúrgica e venceu o Fluminense por 4 a 0 para se tornar campeão do Mundial de Clubes. Essa foi a primeira vez que os Citizens chegaram ao topo do mundo, e não à toa. O time de Pep Guardiola não deu qualquer chance ao Tricolor de Fernando Diniz e chegou ao título com gols de Álvarez (2), Nino (contra) e Foden.

Sem sair de seu estilo, o Flu até foi superior em parte do jogo, mas os erros na defesa deram o título de bandeja ao City. Marcelo, André e Samuel Xavier falharam, e nas três vezes, os europeus colocaram a bola na rede. A comemoração foi pequena e opaca, com a importância que os europeus dão a um torneio que não oferece competição.

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Gol relâmpago coloca City em vantagem, mas Fluminense começa melhor

Não deu nem para pensar em tática. Menos de um minuto após o apito inicial, o Manchester City já vencia o Fluminense por 1 a 0. Irretocável no jogo, os Citizens aproveitaram a primeira chance que tiveram.

E não é como se o estilo de Fernando Diniz, tão criticado, fosse o culpado. O treinador não fugiu um milímetro de suas ideias, e os jogadores tiveram o mérito de confiar.

Uma pena que, aos 40 segundos, Marcelo tenha errado virada de jogo e a bola tenha sobrado no pé de Nathan Ake. O holandês bateu colocado para defesa de Fábio antes que a bola encontrasse a trave e sobrasse limpa no rebote para o iluminado Julián Álvarez. Um 1 a 0 dolorido para os tricolores.

O Fluminense teve outro mérito: não sentiu o gol. Foram 20 minutos de domínio completo da posse de bola, mas o Tricolor criou poucas chances no período em que fez o Manchester City correr atrás de seus atacantes.

André erra, e Nino marca contra para ampliar para o City

Passados 25 minutos, o Flu ainda era melhor quando o City foi cirúrgico. André cochilou na marcação e aos 27, Foden recebeu sozinho na ponta direita. Nino tentou cobrir e acabou desviando para dentro do gol.

O telão deu gol contra ao zagueiro do Fluminense que não teve má atuação, e em gafe, mostrou sua comemoração.

Se o Tricolor não sentiu quando o City abriu o placar, o mesmo não pode ser dito ao ver os ingleses ampliarem. A bola passou a ser artigo de luxo para o Flu, que assistiu ao time de Pep Guardiola usar a bola para se defender e controlar o jogo. Um fim de primeiro tempo modorrento que só teve emoção em uma cabeçada de Arias que Ederson salvou aos 39.

Fluminense volta com mexidas, mas cede mais espaços ao City

Diferente do que faz sempre, Fernando Diniz não tirou um zagueiro para colocar mais um homem ofensivo. Dessa vez, o técnico tirou Keno, que não foi bem na primeira etapa, e lançou John Kennedy. A mexida não funcionou tão bem.

Sem mais um homem na recomposição pelas pontas, o Manchester City aproveitou para aproximar os homens de frente e criar vantagem numérica no centro do campo. Não demorou para os ingleses darem trabalho para Fábio, que fez duas grandes defesas em chutes de Bernardo Silva e Foden.

Samuel Xavier falha e Foden dá o título para o Manchester City

O Fluminense bem que tentou, ao seu estilo, enfrentar o Manchester City. Mas os erros da defesa, como era de se esperar, não foram poupados. Foram três, e o time de Pep Guardiola colocou o mesmo número de bolas na rede.

O terceiro foi de Samuel Xavier. O lateral direito do Fluminense tomou a frente do adversário e poderia matar a bola para construir, mas tentou um toque de cabeça para trás. A bola sobrou para Kovacic achar Julián Álvarez, e o argentino tocou para Foden fazer o terceiro e matar o jogo.

Vantagem no placar escancara diferença entre Manchester City e Fluminense

A verdade é que o Fluminense não tinha margem para erros na final do Mundial de Clubes. E os cometeu, como aconteceu em diversos jogos do ano. É normal, mas escancara uma diferença abissal entre o Manchester City e o Tricolor.

Seria covarde e raso culpar a diferença de estilos. Isso sequer teve chance de ser realmente comparado no King Abdullah Sporting City Stadium. A distinção é financeira: os Citizens, como a enorme maioria dos campeões europeus, tem dinheiro para montar uma seleção mundial. É quase impossível competir com tudo isso.

Além dos jogadores, o dinheiro obviamente compra estrutura. Metodologias inovadoras podem diminuir o tamanho do abismo, mas não são tudo no futebol. É impossível concorrer com as “petrolibras” que Abu Dhabi investe no Grupo City. O Mundial de Clubes cada vez fica mais inalcançável e opaco para a América do Sul, uma vez que não há competitividade suficiente deste lado do mundo e qualquer interesse do outro.

No fim, ainda deu tempo para Julián Álvarez marcar o quarto para fechar o caixão e transformar a vitória do Manchester City em goleada. Difícil falar em justiça, mas impossível não citar que a vitória foi merecida.

Em campo, Diniz e veteranos mostram que motivos de críticas eram equívocos

O Fluminense não perdeu por 3 a 0 porque jogou ao estilo de Fernando Diniz ou tinha muitos veteranos em campo. Muito pelo contrário. Em todo o tempo que foi competitivo, o Tricolor conseguiu o feito por atuar de sua maneira.
E os veteranos foram bem. Fábio e Felipe Melo foram os melhores da defesa do Flu, e talvez os únicos que não falharam. Se errou logo no primeiro gol, Marcelo não fez jogo ruim com a bola nos pés, assim como Ganso.
Na verdade, os piores do Fluminense no jogo não tem a idade como chamariz. Samuel Xavier, André e Keno tiveram partidas muito ruins. Do Flu, além da dupla na defesa, só Martinelli, Arias e John Kennedy não estiveram abaixo do que podem.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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