Ásia/Oceania

De Neymar a Péricles Chamusca, quem são os brasileiros no Campeonato Saudita

Com a chegada de Neymar ao Al-Hilal, aproveitamos para apresentar os brasileiros em atividade na primeira divisão saudita

O talento brasileiro está na raiz do desenvolvimento do Campeonato Saudita, e isso muito antes dos bilhões despejados nos últimos meses. A chegada de Rivellino ao Al-Hilal é um marco no desenvolvimento do profissionalismo no país durante a década de 1970 e, a partir de então, outras tantas figuras vestiram as principais camisas sauditas. De início, a importância dos treinadores foi até maior para auxiliar nesse crescimento, com uma clara decisão dos dirigentes locais em usar o Brasil como base para a evolução de seus jogadores. Entretanto, também pintaram outros tantos craques – uns consagrados, outros que concentraram sua própria história na Arábia Saudita. E a influência segue notável no atual estágio, em que a Pro League tenta um salto entre as principais competições do mundo.

Os jogadores do Brasil foram importantes a partir de 2018, quando o Campeonato Saudita ampliou o número de atletas estrangeiros e buscou uma internacionalização maior da liga. Nada, porém, nas dimensões do que aconteceu nos últimos meses. A Pro League tenta ser uma liga de craques e muitos brasileiros se mostraram receptivos às cifras surreais oferecidas pelos quatro grandes clubes do país. Neymar puxa a fila num torneio que ganhou ainda bons nomes como Malcom, Fabinho, Alex Telles e Roberto Firmino. Serão colegas daqueles que fincaram a bandeira desde antes, como Romarinho, Igor Coronado, Marcelo Grohe, Anderson Talisca e Michael.

Abaixo, apresentamos uma lista com todos os 28 jogadores brasileiros presentes na primeira divisão saudita. Estão concentrados nos quatro times que recebem o investimento do fundo soberano do governo, mas outros se tornam até alternativas mais viáveis para as equipes de menor orçamento. Se há toda a badalação de Neymar, outros tantos mal são conhecidos no Campeonato Brasileiro e usaram pontes na própria Europa para assinar seus vantajosos vínculos com os clubes sauditas. Ainda há a presença de um treinador, Péricles Chamusca, responsável por dirigir o Al-Taawoun. Confira:

— VEJA TAMBÉM: Um mapa interativo para você conhecer um pouco mais sobre o Campeonato Saudita

Neymar é anunciado pelo Al Hilal (divulgação/Al Hilal)

Neymar (Al-Hilal)

Neymar tomou uma decisão crucial em sua carreira ao se transferir para a Arábia Saudita. O brasileiro continuará com holofotes ao seu redor, mas não necessariamente os do alto nível e das grandes competições. É bem possível que o atacante arrebente no novo campeonato: tecnicamente sua passagem pelo Paris Saint-Germain ainda foi muito boa, os problemas eram outros. Problemas estes que também atravancaram as perspectivas de Neymar em busca de outro time na Europa. Sem condições físicas confiáveis e com um nível de intensidade mais baixo no trabalho coletivo, não era exatamente um objeto de desejo neste mercado. Especialmente pelo salário estratosférico, que só mesmo os sauditas foram capazes de pagar. O Al-Hilal satisfez o PSG com os €90 milhões da transferência e também Ney com um contrato total avaliado em €320 milhões. O craque poderá dar seu show ocasional e talvez nem prejudique a entrega à Seleção, considerando como poderá poupar seu talento para as Datas Fifa. Resta saber qual vai ser o seu compromisso com o alto nível esportivo, quando aceita um acordo que o coloca bem mais como garoto-propaganda de um projeto político-econômico.

Malcom (Al-Hilal)

De todos os brasileiros que desembarcaram na Arábia Saudita, Malcom é aquele que vem de melhor temporada. Pena que pouca gente viu, com as limitações ao Campeonato Russo. O atacante revelado pelo Corinthians teve ótimos momentos em sua aventura na Europa, a começar pelos golaços que anotava no Bordeaux. Não conseguiu se firmar quando teve a chance no Barcelona, até aceitar o dinheiro do Zenit. Conseguiu marcar seu nome na Rússia, especialmente pelas atuações absurdas na conquista do pentacampeonato nacional em 2022/23. O atacante ofereceu gols com frequência e também primou pelas jogadas plásticas. Como não deixou São Petersburgo nem com o início da guerra, mudar-se para a Arábia Saudita nem parece oferecer qualquer conflito moral. Vai continuar oferecendo seu talento num mercado periférico, mas que o pagará muito bem. Também saiu por um valor muito acima do mercado, com €60 milhões pagos ao Zenit.

Michael (Al-Hilal)

É fácil simpatizar com Michael. Era assim desde os tempos em que despontou no Goiás, com um estilo mais peladeiro e ousado, de quem tinha sido moldado pelo futebol de várzea. O Flamengo pode não ser o time mais querido fora de sua torcida, mas os lances plásticos do ponta chamavam atenção, especialmente a partir do momento em que ele engrenou com a camisa rubro-negra. O atacante não tinha muito a forma de jogo que se espera na Europa. Contudo, poderia estourar em outro contexto, e por isso mesmo o Al-Hilal pagou €7,6 milhões por seu futebol em janeiro de 2022. Desde então, Michael também conquistou os torcedores sauditas. Os lances de habilidade continuam presentes em seu repertório e ele faturou a liga nacional em seus primeiros meses, bem como disputou o Mundial de Clubes. Outros estrangeiros que já estavam no elenco tinham relação até mais forte com os alviazuis. Porém, enquanto a maioria fez as malas, o goiano ficou em meio ao atual investimento. E vem sendo aproveitado na ponta direita por Jorge Jesus. Anotou até gol na final da Copa Árabe de Clubes Campeões, apesar do vice.

Romarinho, do Al Ittihad (Divulgação)

Romarinho (Al-Ittihad)

Romarinho tem a história a seus pés desde o fatídico gol na Bombonera, que abriu o caminho para o Corinthians se consagrar como campeão da Libertadores em 2012. Xodó da torcida alvinegra depois daquele tento, os números do ponta no clube não eram muito impressionantes. E ele optou por escrever uma história ímpar no Oriente Médio quando pintou a chance de se transferir. A porta de entrada foi o Catar, através do El Jaish. Romarinho não foi campeão, mas anotou 39 gols em 66 partidas na liga local. Em 2017/18, o brasileiro teve uma passagem curta pelo Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos. Disputou o Mundial de Clubes e anotou até gol contra o Real Madrid. Sua chegada ao Al-Ittihad aconteceu pouco depois, em 2018/19, por €7 milhões. Desde então, são 186 jogos e 101 gols pelos aurinegros. Não é exagero colocar o status de lenda, ratificado com a conquista do Campeonato Saudita em 2022/23, com repetidas atuações decisivas do atacante e fim do longo jejum do clube. Não foi ofuscado nem quando precisou vencer Cristiano Ronaldo. E manteve a braçadeira de capitão mesmo com a companhia de Karim Benzema. Aos 32 anos, terá sua fama se expandindo também por outros cantos do mundo.

Igor Coronado (Al-Ittihad)

Igor Coronado possui uma trajetória pra lá de inusitada no futebol. Nascido em Londrina, o meia nunca atuou profissionalmente no Brasil. Deixou o país aos 13 anos e se juntou às categorias de base do MK Dons, da Inglaterra. Defendeu também os juniores do Grasshoppers, antes de tentar a sorte no futebol de Malta, com a camisa do Floriana. Coronado teve boas campanhas no Campeonato Maltês, o que valeu a mudança para a Itália. Jogou a Serie B com o Trapani e teve um grande ano em 2017/18, levado pelo Palermo. O camisa 10 esteve entre os destaques dos rosaneri na segundona, mas a equipe bateu na trave em sua tentativa de acesso. Foi quando o Sharjah ofereceu um contrato para o paranaense se transferir aos Emirados Árabes Unidos. Foram três temporadas excelentes de Coronado no Campeonato Emiratense, com 41 gols e 28 assistências em 68 partidas. O Al-Ittihad pagou €10 milhões para levar o meia em 2021. Virou um dos donos do time, destaque na conquista do título saudita em 2022/23. Tanto é que permanece no clube, titular e destaque mesmo com a invasão estrangeira. Aos 30 anos, tem história para contar.

Marcelo Grohe (Al-Ittihad)

Marcelo Grohe sempre terá um lugar marcado na história do Grêmio. O goleiro formado pelas categorias de base precisou esperar um bocado até ganhar sua chance na equipe titular. Entretanto, quando se confirmou como uma realidade para os tricolores e virou um dos melhores do Brasil, possibilitou um dos maiores momentos do clube. A conquista da Libertadores em 2017 passa necessariamente pelos milagres de Grohe na meta gremista, em especial o absurdo nas semifinais contra o Barcelona de Guayaquil. O Campeonato Saudita surgiu em seu horizonte na temporada 2019/20, com a proposta do Al-Ittihad, quando o fluxo de estrangeiros começava a aumentar no país. O arqueiro abriu mão da adoração que recebia na Arena do Grêmio, mas já passava dos 30 anos e viu a oportunidade de encher os bolsos. Olhando para trás, sua escolha deu resultado em muitos aspectos, mesmo deixando o sonho de ser goleiro de um só clube. Grohe é considerado um dos melhores arqueiros da liga, com temporadas muito boas. Nenhuma comparada à de 2022/23, quando jogou demais para tornar os aurinegros campeões. O goleiro sofreu apenas 13 gols em 30 partidas, sem ser vazado em 19 compromissos. Nomes como Édouard Mendy e David Ospina precisarão destroná-lo, mesmo aos 36 anos.

Fabinho é anunciado pelo Al Ittihad (divulgação/Al Ittihad)

Fabinho (Al-Ittihad)

Fabinho atuou por muito tempo em alto nível na Europa. Somando as passagens por Monaco e Liverpool, o meio-campista completou dez temporadas como titular nas principais ligas do continente. Conquistou feitos imensos no principado, especialmente quando levou a Ligue 1 com os monegascos. Porém, foi a estadia em Anfield que mudou o seu status como jogador: transformou-se no cadeado de Jürgen Klopp para fazer os Reds campeões em diferentes frentes. Contudo, o desgaste também estava exposto, numa temporada na qual o brasileiro rendeu menos que o esperado e o Liverpool não competiu com o mesmo vigor na Premier League. Aos 29 anos, Fabinho tinha tempo para dar a volta por cima no próprio clube. Não quis perder o bonde saudita. Chega não apenas num time que é o atual campeão da liga, como também comporá uma baita dupla com N’Golo Kanté. Os €46,7 milhões pagos ao Liverpool pelo menos possibilitam uma reposição digna.

Roberto Firmino (Al-Ahli)

Roberto Firmino escreveu uma das histórias mais bonitas de jogadores brasileiros na Europa neste século. A qualidade do alagoano estava evidente desde os tempos de Hoffenheim, o que fez o Liverpool gastar um bom dinheiro em sua contratação. A idolatria de Bobby em Anfield, porém, transcende as próprias conquistas que teve no Liverpool e os muitos gols que entregou. Firmino é parte integrante de um mítico trio formado com Sadio Mané e Mohamed Salah. Era a parte mais cerebral e mais dedicada, pela maneira como abria espaços para os companheiros e se doava para o time. Claro, também com seus tantos momentos de brilho. Firmino optou por não renovar seu contrato com o Liverpool, em busca de mais espaço e melhores condições salariais. A Arábia Saudita não oferece o mesmo nível de partidas, mas garante tranquilidade e um dinheiro para muitas gerações. Até por estar livre no mercado, tinha um cenário até melhor nas tratativas com os dirigentes. Já não estava em seu máximo, aos 31 anos, mas a estreia pelo Al-Ahli evidenciou como poderá sobrar em campo.

Roger Ibañez (Al-Ahli)

A lista de zagueiros contratados pelos clubes sauditas não impressiona tanto quanto a lista de atacantes. O fundo soberano não quis despejar seu dinheiro em beques tão badalados. Ibañez chegou como uma alternativa de segundo escalão, com o rótulo de ter passado pela seleção brasileira recentemente. O gaúcho formado pelo Fluminense construiu sua carreira profissional na Itália. Passou pela Atalanta e se firmou como titular da Roma por três temporadas. Era um jogador bastante querido pelos giallorossi e as palavras de carinho de José Mourinho deixaram clara sua importância, depois de ter conquistado a Conference League com o clube. Entretanto, também com momentos irregulares, o brasileiro não parecia tão pronto a um salto maior rumo a clubes de elite da Europa. A chance para ganhar dinheiro na Arábia Saudita é única, especialmente quando os 24 anos de idade permitem voltar no futuro para um clube com a dimensão da Roma. A Loba aproveitou os €28,5 milhões pagos pela transferência do defensor, montante acima do mercado.

Anderson Talisca (Al-Nassr)

Talisca escolheu ser herói em mercados alternativos. O prata da casa do Bahia ainda viveu seus primeiros anos em ligas menos visadas da Europa. Teve um bom primeiro ano no Benfica, antes de destruir em sua transferência no Besiktas. Desde então, buscou cenários mais rentáveis para si, por mais que pudesse também entregar em ligas de maior nível competitivo. Yaya Talisca foi excepcional primeiro na China, protagonista no Guangzhou Evergrande. Quando a torneira chinesa secou, a Arábia Saudita abriu novos horizontes através do Al-Nassr. O baiano custou €8 milhões, num momento de abertura a estrangeiros no Campeonato Saudita, mas não de gastos tão assustadores. Independentemente disso, Talisca fez o suficiente para se tornar rei. O meia é uma das principais fontes de inspiração do time. Anotou 20 gols na primeira temporada e mais 20 na segunda, sem se acanhar mesmo com a companhia de Cristiano Ronaldo ao seu lado. Justifica sua permanência, apesar dos companheiros mais badalados agora. E foi intocável na conquista da Copa Árabe de Clubes Campeões.

Alex Telles (Al-Nassr)

A expectativa que Alex Telles gerou quando estourou no Grêmio se confirmou na Europa. O lateral pode não ter sido impecável em todos os clubes, mas vestiu camisas pesadas em diferentes países. Teve seu primeiro impulso no Galatasaray, sem deixar saudades depois na Internazionale. A passagem pelo Porto marca o auge de sua carreira, a ponto de se transferir para o Manchester United. Também não fincou o pé em Old Trafford, mas saiu emprestado ao Sevilla e conquistou a Liga Europa, além de alcançar a Copa do Mundo com a seleção brasileira. Aos 30 anos, tornou-se um jogador acessível para o Al-Nassr, por €4,6 milhões. Vai ganhar um dinheiro também acima de suas perspectivas na Arábia Saudita, quando dificilmente teria outra chance nos clubes de primeira grandeza da Europa. E agrega aos auriazuis, mesmo sem ser tão caro. É daqueles caras que vão consagrar Cristiano Ronaldo e Talisca com seus cruzamentos.

Carlos (Al-Shabab)

Carlos surgiu como uma boa promessa no Atlético Mineiro. O atacante teve certo destaque em seus primeiros anos como profissional e se integrou ao time que havia acabado de conquistar a Libertadores. Esteve inclusive no elenco que faturou a Copa do Brasil em 2014. Porém, nunca desabrochou. Passou depois por Internacional e Paraná, até arrumar as malas rumo a Portugal. Não deu certo no Rio Ave, mas conseguiu se projetar no Santa Clara. Anotou 15 gols no Campeonato Português em 2020/21, o suficiente para ser eleito entre os melhores da liga e chamar atenção do Al-Shabab, um dos clubes mais tradicionais do Campeonato Saudita, que pagou €2,5 milhões pela transferência. E seus números são bons. Foram 13 gols em 23 partidas no primeiro ano em Riyadh, antes de assinalar 12 gols em suas 22 aparições em 2022/23. Aos 28 anos, ganha uma visibilidade de certa maneira inesperada.

Iago Santos (Al-Shabab)

Iago Santos surgiu como zagueiro no Duque de Caxias e passou depois pelo CSE, mas não atuou muito no Brasil. O beque teria mais espaço em Portugal. Foram duas temporadas como nome importante da Académica de Coimbra, antes de atuar pelo Moreirense por três temporadas. Passou dos 100 jogos pela liga portuguesa, antes de arranjar uma transferência para a Arábia Saudita, através do Al-Taawoun. Ficou um ano e meio no time, até dar um salto ao Al-Shabab, comprado por €1,35 milhões. Virou uma peça imprescindível no clube de Riyadh e, aos 31 anos, começa a nova edição do Campeonato Saudita como titular na capital.

Vitinho (Al-Ettifaq)

Vitinho tinha um mercado limitado a essa altura da carreira. O atacante surgiu como xodó do Botafogo e, depois de uma passagem curta pela Rússia, também ganhou o carinho do Internacional. Só depois conseguiu brilhar na Europa, com boas temporadas pelo CSKA Moscou. Tal destaque fez o Flamengo pagar caro em sua contratação e nunca o atacante aconteceu de verdade na Gávea. Fez parte da série de conquistas dos rubro-negros, mas com uma influência pequena e sem muito moral com a torcida. Sua saída do Fla até demorou a acontecer e dificilmente conseguiria um contrato tão gordo no Brasil. A longa trajetória com os flamenguistas pelo menos arranjou uma oportunidade na Arábia Saudita, para defender o Al-Ettifaq, time tradicional do Golfo Arábico. Tem a chance de ser treinado por Steven Gerrard, além de compartilhar o campo com Jordan Henderson. Na abertura da atual temporada, venceu de virada o Al-Nassr, saindo do banco e dando novo gás ao time.

Paulo Victor (Al-Ettifaq)

Paulo Victor não é um goleiro unânime entre os torcedores de seus antigos clubes, mas teve o gosto de vestir duas camisas enormes no Brasil. Formado pela base do Flamengo, chegou a ser titular dos rubro-negros por duas temporadas. Saiu para atuar na Turquia, numa passagem breve pelo Gaziantepspor. Voltou para o Grêmio e, depois de esquentar o banco de Marcelo Grohe, se tornou o seu sucessor. Mas nunca convenceu de verdade os tricolores. Teria ainda uma temporada em Portugal, na meta do Marítimo em 2021/22. A experiência valeu como trunfo para se mudar para a Arábia Saudita em 2022/23, comprado pelo Al-Ettifaq. Foi o titular absoluto em sua primeira temporada e mantém mais uma vez a posição nesse início de campanha. Será mais um comandado por Steven Gerrard.

Andrei Girotto (Al-Taawoun)

Andrei Girotto teve suas oportunidades no Brasil. Atuou na Série B com o América Mineiro, pintou na Série A com o Palmeiras. Depois de uma temporada no Japão, voltou ao país para se transformar num dos pilares da Chapecoense em sua reconstrução em 2017. E a vitrine garantiu uma mudança para a França, contratado pelo Nantes em 2017/18. Nestas seis temporadas, Girotto se colocou entre os melhores brasileiros da Ligue 1. Cumpriu muito bem seu papel na zaga dos Canários. Seu melhor ano aconteceu em 2021/22, quando anotou seis gols na Ligue 1 e conquistou a Copa da França. Na temporada passada, fez sua estreia na Liga Europa. E, aos 31 anos, não tinha muito a perder com a oferta saudita. Tentará correr por fora no Al-Taawoun, que não recebe investimentos diretos do governo, mas pagou €4 milhões pelo negócio.

Maílson (Al-Taawoun)

O Campeonato Saudita investiu em vários goleiros brasileiros nos últimos anos. Mesmo times sem tanta expressão convenceram os jogadores da posição a se mudarem para a Arábia Saudita. Um deles foi Maílson, muito identificado com o Sport. O goleiro surgiu nas categorias de base do Leão da Ilha e viveu a gangorra dos últimos anos no Brasileirão, mas teve bons momentos na meta rubro-negra, ganhando moral com a torcida. Sonhar com a Europa talvez parecesse demais, mas recebeu sondagens de times da Série A. No fim das contas, próximo do fim de seu contrato, preferiu a independência financeira. O Al-Taawoun garantiu os serviços do arqueiro por apenas €500 mil, em 2022. Maílson foi titular em sua primeira temporada e, aos 26 anos, poderá enfrentar alguns atacantes lendários na liga saudita. A sua escolha soa bem melhor agora.

Flávio (Al-Taawoun)

Flávio tem sua história no futebol brasileiro enraizada em Salvador. O meio-campista surgiu nas categorias de base do Vitória, pelo qual chegou a disputar a Série A, antes de passar também pelo Bahia. A porta de entrada no exterior foi o Trabzonspor, passando uma temporada no clube turco, em 2020/21. Desceu um degrau em 2021/22, ao seguir para o Giresunspor, também na Turquia. Sua transferência para a Arábia Saudita aconteceu na temporada passada, levado pelo Al-Taawoun. Teve dificuldades especialmente por conta de uma grave lesão ligamentar, mas recuperou o seu espaço no time na reta final do Campeonato Saudita. Também estreou como titular na nova edição.

Mateus Castro (Al-Taawoun)

Mateus Castro possui bem mais nome na Ásia do que no Brasil. O ponta de 28 anos passou pela base do Cruzeiro e teve algumas aparições pelo Bahia no profissional, mas construiu sua história no Japão. Seu primeiro clube foi o Omiya Ardija, com o qual se destacou principalmente na segunda divisão. Chegou a atuar no Nagoya Grampus, antes de fazer parte do Yokohama F. Marinos campeão da J-League em 2019, sob as ordens de Ange Postecoglu. Foi uma passagem rápida pelo Estádio Nissan, antes de voltar a Nagoya na temporada seguinte. Desde então, firmou-se como um dos principais destaques do Grampus, a ponto de brigar pelo título na atual temporada. Contudo, deixou o Campeonato Japonês no meio para defender o Al-Taawoun. São 37 gols e 25 assistências em 167 aparições pela J-League.

Anselmo (Al-Wehda)

Lançado pelo Palmeiras, Anselmo misturou clubes estrangeiros e brasileiros em sua história. O meio-campista jogou por Grêmio Barueri e São Caetano, antes de se mudar para a Itália. Fez aparições na Serie A com Genoa e Palermo. Na volta ao Brasil, contribuiu para o acesso do Joinville ao Brasileirão, e também atuou por Internacional e Sport na elite. O Leão da Ilha se transformou em trampolim para a mudança à Arábia Saudita em 2018. O Al-Wehda pagou €3 milhões no negócio, num momento em que o clube era dirigido por Fábio Carille. O treinador não ficou tanto, mas Anselmo ganhou cada vez mais protagonismo. O meio-campista chegou a ser cedido por empréstimo ao Al-Nassr, mas voltou para o Al-Wehda na temporada passada e está entre as referências da torcida.

Vina (Al-Hazem)

Vina é daqueles jogadores que podem arrebentar no Campeonato Saudita. Currículo não falta ao meia, com uma rodagem imensa pelo futebol brasileiro. A lista de clubes na Série A inclui Coritiba, Fluminense, Athletico Paranaense, Bahia e Atlético Mineiro, antes de viver seu auge pelo Ceará. Ídolo do Vozão, Vina buscou novos ares no Grêmio depois do rebaixamento no Brasileirão e não deixou muitas saudades entre os tricolores. Até demorou para ganhar sua primeira experiência no exterior, negociado pelos cearenses ao Al-Hazem. A qualidade técnica pode fazer a diferença num ambiente de nível mais baixo. Prova disso veio logo na estreia, quando teve a honra de anotar um golaço por cobertura contra ninguém menos que Édouard Mendy, apesar da derrota para o Al-Ahli.

Bruno Viana (Al-Hazem)

Bruno Viana não teve muitas aparições como profissional pelo Cruzeiro, antes de acertar uma transferência precoce ao Olympiacos. A estadia na Grécia não durou tanto, diferentemente do que aconteceu em Portugal, com a camisa do Braga. O beque teve ótimos momentos no clube e se manteve como titular absoluto. A volta ao Brasil aconteceu através do Flamengo, mas o defensor não emplacou com os rubro-negros. A partir de então, aproveitou o cartaz para surfar em diferentes negócios. Teve uma brevíssima passagem pelo Khimki, no Campeonato Russo, e depois ficou um tempo maior no Campeonato Chinês, pelo Wuhan. Estava no Coritiba mais recentemente e, sem espaço, assinou com o Al-Hazem.

Paulo Ricardo (Al-Hazem)

Paulo Ricardo teve algumas experiências em clubes de peso no Brasil. O zagueiro revelado pelo Santos chegou a disputar jogos nas duas primeiras divisões nacionais também por Fluminense, Goiás e Figueirense. Fora do país, defendeu o Sion por duas temporadas no início da carreira. Já seus últimos anos foram vividos na Finlândia, onde passou a defender o KuPS. Sua mudança para o Campeonato Saudita aconteceu em janeiro, para disputar a segunda divisão local. Contribuiu com o acesso do Al-Hazem e se manteve no elenco para figurar na elite. Todavia, ficou de fora da estreia da nova temporada, na derrota contra o Al-Ahli.

Ricardo Ryller (Al-Fayha)

Ricardo Ryller possui caminhos incomuns em sua carreira, aos 29 anos. O meio-campista teve sua afirmação no Luverdense, com temporadas consecutivas na Série B. Com isso, conseguiu uma transferência ao Braga, mas sem disputar tantas partidas pela equipe principal dos portugueses. Assim, pareceu melhor negócio voltar ao Brasil para jogar a segundona com o Bragantino. O volante fez parte da transição rumo à Red Bull e chegou a ser titular na temporada de volta à Série A. Em 2021/22, o meio-campista assinou com o Al-Fayha por €650 milhões. Foi titular em suas duas primeiras temporadas na Arábia Saudita e começou a terceira, a atual, com gol. É o único brasileiro de seu elenco, com a companhia do goleiro Vladimir Stojkovic entre os nomes mais conhecidos.

Petros (Al-Fateh)

Petros está entre os brasileiros mais experimentados do Campeonato Saudita. O meio-campista que estourou no Boa Esporte teve a chance de defender Corinthians e São Paulo, além de uma passagem menos lembrada de duas temporadas pelo Betis. Sem um nível muito satisfatório na Espanha, o baiano foi vendido do Morumbi para o Al-Nassr em 2018/19, por €5 milhões. Logo em sua primeira temporada, Petros contribuiu para a conquista do Campeonato Saudita. Ficou três temporadas nos auriazuis, superando os 100 jogos pelo clube. Depois disso, acabou liberado para o Al-Fateh. Está há uma temporada e meia no novo time, ainda com moral entre os titulares. Cristian Tello e Jason Denayer são seus parceiros, num plantel sem outros brasileiros.

Victor Braga (Al-Tai)

Victor Braga é mais um nome de pouquíssima projeção no futebol brasileiro, que fez a ponte de Portugal para a Arábia Saudita. O goleiro de 31 anos nasceu em Salvador e chegou a atuar na base tanto de Vitória quanto de Bahia. Entretanto, saiu cedo do país para rodar em clubes das divisões de acesso em Portugal. Seus melhores momentos aconteceram na segundona. Atuou pelo Famalicão, até participar do acesso com o Arouca. Manteve-se como titular na primeira divisão e teve seu destaque na temporada 2021/22 do Campeonato Português. Conseguiu amarrar um bom contrato com o Al-Tai em 2022/23, tomando conta da posição. Estreou com vitória na nova temporada, mesmo numa equipe que corre por fora.

Pablo Santos (Al-Raed)

Pablo Santos tem sua história no Brasil atrelada ao Paysandu, com seguidas temporadas na zaga do Papão. Sua despedida do clube aconteceu em 2017/18, quando iniciou sua jornada fora do país. Atuou na primeira divisão do Campeonato Português por Marítimo e Braga. Abriu as portas depois no Rubin Kazan, do Campeonato Russo, e fez uma temporada completa no Hatayspor, da Turquia. Ainda voltou a Portugal para vestir a camisa do Moreirense. Sua mudança para a Arábia Saudita aconteceu na temporada passada, ao assinar com o Al-Raed. Seu treinador é Igor Jovicevic, que fez um bom trabalho no Shakhtar Donetsk durante a última temporada – além de já ter atuado no futebol brasileiro, pelo Guarani.

Paulo Vítor (Al-Okhdood)

Outro goleiro no Campeonato Saudita é Paulo Vítor, veterano de 34 anos. O capixaba atuou especialmente em clubes de projeção regional no Brasil. Fez a base no Audax do Rio, além de disputar o Campeonato Capixaba por equipes como o Vitória, o Rio Branco e o Aracruz. Teria a chance de disputar o Campeonato Português a partir da década passada. Esteve no Varzim, na segundona, e depois virou reserva do Rio Ave na elite. Seu maior destaque ocorreu no Chaves, com a conquista do acesso e a campanha positiva na primeira divisão, entre os goleiros menos vazados do Campeonato Português 2022/23. A atual temporada marca sua chegada ao Al-Okhdood, sendo o único brasileiro do elenco – no qual o espanhol Álex Collado e o colombiano Sebastián Pedroza estão entre as companhias.

Péricles Chamusca (Al-Taawoun)

A lista de treinadores brasileiros na Arábia Saudita é imensa e passa por uma série de comandantes históricos do país. Zagallo, Telê Santana, Felipão e Parreira estão entre aqueles que trabalharam por lá. Atualmente o único representante na elite local é Péricles Chamusca, eternizado pela Copa do Brasil de 2004 com o Santo André. A lista de trabalhos do baiano no exterior começa no Japão, quatro anos à frente do Oita Trinita. Ele depois passou por diferentes equipes do Catar, dirigiu o Júbilo Iwata na J-League e também recebeu uma chance nos Emirados Árabes. Já a chegada à Arábia Saudita ocorreu em 2018. Chamusca ficou três temporadas à frente do Al-Faisaly. Depois, comandou o Al-Hilal interinamente. Também assumiu o Al-Shabab em 2021/22. Já na temporada passada, encabeçou o projeto do Al-Taawoun, onde continua. Num campeonato que trocou dez técnicos de uma edição para outra rumo a 2023/24, a confiança na manutenção fala por si. Seu elenco é justamente um daqueles mais recheados de jogadores brasileiros, quatro no total – igualado com o Al-Ittihad.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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