Sul-Americana

Botafogo abriu mão da Sul-Americana, e final da temporada deixou claro como isso foi errado

Desde o começo da Copa Sul-Americana, o Botafogo deixou a competição em segundo plano e perdeu a oportunidade de brigar por outro título em 2023

Não foi só no Campeonato Brasileiro em que o Botafogo deu vexame em 2023. Na Copa Sul-Americana, onde o time também tinha chances de buscar o título, a equipe deixou a desejar e ficou pelo caminho precocemente. Desde o começo de 2023, o Botafogo parecia não se importante tanto com a competição continental. Mas, agora, ficou ainda mais claro como a diretoria errou neste planejamento.

Se dividindo entre Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana no primeiro semestre, o Botafogo deixou a competição continental em terceiro plano. Por mais que Luís Castro e, depois, Bruno Lage e os dirigentes não admitissem isso publicamente, era claro que a Sul-Americana não era a prioridade do clube. Mesmo quando escalava os titulares, o que não acontecia sempre, o time não jogava com a mesma intensidade, por exemplo, imposta no Brasileiro.

Mesmo em um grupo acessível, com LDU, Magallanes e César Vallejo, o Botafogo teve dificuldades durante esta primeira parte da competição. Ainda assim, o time chegou na última rodada precisando de apenas uma vitória, no Nilton Santos, contra o fraco time do Magallanes. Mas ficou só no empate e viu a LDU assumir a primeira colocação, forçando o Glorioso a disputar o playoff antes das oitavas de final.

Em um calendário apertado, este dois jogos a mais complicaram a sequência do Botafogo. Ainda assim, o Botafogo passou sem maiores dificuldades pelo Patronato, da Argentina. Com o interino Caçapa, o Glorioso venceu por 2 a 0, fora de casa. Depois, na estreia de Bruno Lage, ficou no 1 a 1, no Nilton Santos. Nas oitavas de final, o Botafogo venceu o Guaraní, do Paraguai, por 2 a 1, no jogo de ida, em casa. Na volta, com um time com muitos reservas, ficou no 0 a 0 e avançou para as quartas de final.

O Botafogo estava a quatro jogos de uma final continental e a dois de voltar a uma semifinal internacional, o que não acontecia desde 1993, quando foi campeão da Copa Conmebol. Contra o modesto Defensa y Justicia, no jogo de ida, no Nilton Santos, o técnico Bruno Lage optou por escalar um time com oito jogadores considerados reservas e ficou apenas no empate em 1 a 1. Na volta, na Argentina, mesmo com mais titulares em campo, o Glorioso foi derrotado por 2 a 1 e foi eliminado da Sul-Americana. Além disso, aquele resultado acabou com uma invencibilidade que já durava 19 jogos e iniciou uma sequência de cinco jogos sem vencer, que acabou com a demissão de Bruno Lage no começo de outubro.

Botafogo foi eliminado da Copa Sul-Americana nas quartas de final, para o modesto Defensa y Justicia (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

O que deu certo para o Botafogo na Copa Sul-Americana?

Apesar de exagerar em alguns momento, a Copa Sul-Americana deu rodagem ao elenco do Botafogo. Em um momento em que, de fato, o clube tinha muitos compromissos e um elenco não tão grande, era compreensível a necessidade de, às vezes, poupar os jogadores que estivessem mais desgastados. E, em alguns jogos da Copa Sul-Americana, o Botafogo conseguiu fazer isso.

O que deu errado para o Botafogo na Copa Sul-Americana?

A escolha de Bruno Lage em poupar quase todo o time titular no jogo de ida contra o Defensa y Justicia, no Nilton Santos, se mostrou muito equivocada. O empate em 1 a 1 deixou o clube em situação complicada para o jogo de volta, quando os argentinos conseguiram confirmar a classificação, eliminando o Botafogo. O clube parecia certo do título do Brasileirão e abriu mão da possibilidade de outro título na temporada. É claro que não havia garantia de taça na Sul-Americana, mas o clube desperdiçou até a oportunidade de briga por um título internacional em 2023.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor de Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
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