Fifa

Logo após o fim da Copa do Mundo 2026 (título da Espanha sobre a Argentina), Gianni Infantino surfava um momento de força: o novo formato com 48 seleções foi bem recebido pela Fifa, com médias de público mais altas e mais jogos, e o dirigente era esperado para ser reeleito sem oposição em 2027. Ele chegou a sinalizar interesse em ampliar o Mundial para 64 seleções em 2030, ideia defendida pela Conmebol mas rejeitada por Uefa, AFC e Concacaf.

O cenário mudou drasticamente no fim de julho, quando veio à luz o plano da Fifa Forward Enterprise (FFE): a Fifa pretendia vender uma participação de até 21% de uma nova subsidiária comercial, avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, a investidores privados, buscando arrecadar US$ 4,2 bilhões — o que incluiria direitos ligados à Copa do Mundo. A Uefa reagiu no mesmo dia anunciando que nenhuma seleção europeia participaria de competições da Fifa enquanto a proposta estivesse em vigor, e chegou a apontar Nasser Al-Khelaifi (presidente do PSG) como possível candidato de oposição a Infantino nas eleições de março de 2027.

A pressão foi tão forte que Infantino recuou: após enfrentar resistência de confederações, federações nacionais e integrantes da própria Fifa, ele anunciou a retirada da proposta da FFE. Internamente, o assessor Carlos Cordeiro renunciou chamando o projeto de “mau negócio”, e o diretor de operações Kevin Lamour disse que era “o projeto de uma pessoa só”.

O desgaste segue mesmo após o recuo

Abandonar o plano não bastou para conter a crise. A Uefa afirmou ter perdido a confiança na gestão de Infantino e cobrou uma revisão completa da liderança da Fifa, com apoio da Federação Inglesa (FA) e da Confederação Asiática (AFC). Segundo o “Telegraph”, as 55 federações da Uefa estariam dispostas a votar pela destituição de Infantino caso ele não saísse voluntariamente.

  • Próximo capítulo decisivo: o Congresso da Fifa em março de 2027 (em Rabat, Marrocos), quando se decide a reeleição de Infantino — daí a jogada de oferecer a final de 2030 ao Marrocos, buscando garantir esse apoio regional.

Ou seja: mesmo tendo recuado do projeto polêmico, Infantino está cada vez mais isolado na Europa, mas segue com uma base relevante nas Américas e África, o que deixa o desfecho da disputa pelo comando da Fifa ainda em aberto.

Quando e onde será a próxima Copa do Mundo?

A próxima Copa do Mundo ocorrerá 8 de junho de 2030, com as celebrações do centenário e as primeiras partidas de Uruguai, Argentina e Paraguai em casa. A cerimônia de abertura oficial do torneio, já em solo europeu/africano, acontece nos dias 13 e 14 de junho. A final está prevista para 21 de julho de 2030, no que deve ser a Copa mais longa da história.

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