Europa

Wenger vai liderar força-tarefa na Fifa após exigências dos clubes sobre calendário

Aumento no número de jogos e pouco tempo de descanso são as principais reivindicações; jogadores passaram mais tempo na seleção do que descansado

Os muitos protestos dos jogadores em relação ao novo calendário do futebol europeu parece ter surtido efeito. Após jogadores, treinadores e, até mesmo, dirigentes questionarem abertamente o aumento no número de datas e jogos, a Fifa decidiu agir para tentar diminuir a insatisfação.

A entidade máxima do futebol designou o ex-técnico do Arsenal, Arsène Wenger, contratado para o cargo de diretor de desenvolvimento da Fifa, para liderar o que eles estão chamando de “força-tarefa” sobre bem-estar dos jogadores em meio a preocupações com o calendário do futebol.

A medida visa mitigar os impactos do novo calendário europeu, buscando maior tento de descanso baseado em questões de saúde dos jogadores e operacionais dos clubes.

— O objetivo da força-tarefa é examinar como salvaguardas adequadas e eficazes para os jogadores podem ser implementadas, levando também em conta considerações práticas de perspectivas operacionais, médicas, regulatórias e legais –, disse a Fifa em um comunicado.

Pressão do sindicado dos jogadores surtiu efeito na FIFA

No início deste mês, as principais ligas europeias se uniu ao sindicato de jogadores (Fifpro) e entraram com uma queixa legal contra a Fifa na Comissão Europeia sobre o que eles alegam ser um “abuso de posição dominante” da entidade máxima do futebol mundial sobre o calendário de jogos internacionais.

O calendário europeu, que já era considerado agitado pelos principais clubes do continente, ficou ainda mais congestionado com a mudança da Champions League, que ampliou o número de jogos da primeira fase, e a crianção do Super Mundial de Clubes, que será realizada nos Estados Unidos de 15 de junho a 13 de julho de 2025.

Rodri, volante do Manchester City. Foto: Imago
Rodri, atual Bola de Ouro, foi um dos jogadores que mais pressionaram a Fifa sobre o aumento do calendário europeu. Foto: Imago

O presidente da La Liga, Javier Tebas, durante um discurso no Segundo Fórum da União de Clubes Europeus, realizado em Bruxelas, capital da Bélgica, no início do mês de outubro, chegou a fazer uma exigir do presidente da FIFA, Gianni Infantino, o fim da competição que sequer começou.

Os jogadores e os clubes não querem. É uma competição desnecessária, até para a Fifa. A única coisa que faz é desorganizar o calendário […] Acabe esse mundial já — disse Javier Tebas, presidente da La Liga.

Outro que também fez coro por um calendário menor e com mais tempo de descanso foi o volante do Manchester City, Rodri, eleito nesta semana o Bola de Ouro da temporada. O espanhol de 28 anos chegou a propor uma greve entre os jogadores caso o aumento no número de jogos por temporada não fosse revisto.

Pouco mais de 10 dias após o discurso, porém, o Bola de Ouro lesionou o joelho e vai perder toda a temporada.

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Jogadores querem mais tempo de descanso

Segundo um relatório da Fifpro, publicado no início de setembro, alguns dos principais jogadores europeus – principalmente os que disputaram a Eurocopa com suas seleções – tiveram apenas 42 dias de descanso durante o ano, enquanto estiveram a serviço do seu país 62 dias. Ou seja, durante a temporada, o tempo de descanso entre os jogos foi menor do que o tempo em que estiveram nas seleções.

Os dados do relatório também comparou os números de jogos de estrelas atuais com algumas do passado. Jude Bellingham, joia do Real Madrid e da Inglaterra, faz em média 21 jogos a mais por temporada do que Wayne Rooney quando tinha a mesma idade.

Outro número que também chamou a atenção foi o de Julin Alvarez, argentino do Atlético de Madrid que defendeu o Manchester City na temporada passada, apesar de ter entrado em campo “apenas” 68, foi relacionado para 83 jogos entre seleção e clube.

Julian Alvarez, atacante do Atlético de Madrid. Foto: Imago
Quando ainda defendia o Manchester City, Julian Alvares foi um dos jogadores no futebol europeu que mais entrou em campo. Foto: Imago

Com a adição do novo Mundial de Clubes da Fifa ao calendário europeu, além da reformulação das competições internacionais da UEFA, o número de jogos deve aumentar ainda mais.

Agora, com a força tarefa da Fifa agindo em parceria com o sindicato dos jogadores, liderados por Arsène Wenger, a expectativa é encontrar uma solução boa tanto para clubes e jogadores, quanto para a entidade máxima do futebol.

A Fifa, inclusive, garantiu que a força tarefa “fará recomendações baseadas nas pesquisas científicas mais recentes sobre o tema do bem-estar físico e mental dos jogadores”.

Foto de Márcio Júnior

Márcio JúniorRedator de esportes

Baiano formado pela Faculdade Regional da Bahia. Cobriu de carnaval a Copa do Mundo na TVE Bahia, onde venceu o prêmio de reportagem do mês. Passou pela ALBA, Rádio Educadora, Superesportes e Quinto Quarto antes de se tornar repórter na Trivela.

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