Pogba e ex-Chelsea: Quais atletas assinaram manifesto pedindo exclusão de Israel por guerra em Gaza
Organização Athletes 4 Peace apela que Uefa suspenda israelenses por 'justiça, humanidade e os valores do futebol'
Dias após a Uefa mostrar que pode colocar para votação a suspensão de Israel, um grupo de atletas, entre jogadores de futebol, de críquete e pugilistas, se reuniu para publicar um manifesto contra a presença israelense em competições europeias pelas mortes na guerra na Faixa de Gaza, considerada por um relatório da ONU como genocídio.
— O esporte não pode permanecer em silêncio enquanto atletas e civis — incluindo crianças — são mortos indiscriminadamente em massa em Gaza. As entidades esportivas têm a obrigação de agir contra equipes que representam um país que, segundo uma comissão da ONU, está cometendo genocídio contra os palestinos em Gaza — diz o comunicado da organização “Athletes 4 Peace” (“Atletas pela paz”, na tradução livre).
A entidade tem entre seus signatários o francês Paul Pogba, com histórico de manifestações pró-Palestina, os marroquinos Hakim Ziyech, ex-Chelsea e Ajax, e Anwar El Ghazi, também conhecido pelo ativismo na causa dos palestinos, e o malinense Cheick Doucoure, do Crystal Palace, além de outros atletas do futebol inglês, de outros centros e até o clube chileno Palestino.
Moroccan star Hakim Ziyech 🇲🇦 entered the stage with the Palestinian flag to celebrate Galatasaray’s championship 🇵🇸 pic.twitter.com/jDBfSGGYW0
— Leyla Hamed (@leylahamed) May 27, 2024
A assinatura de Pogba, no entanto, não está mais no site oficial da Athletes 4 Peace.
— Isto não é sobre política, nem sobre tomar partido. Trata-se de justiça, humanidade e dos valores que o esporte diz representar — e de não permitir que nações usem o esporte para “lavar” suas ações ilegais e desumanas. […] Apelamos à UEFA para que suspenda imediatamente Israel de todas as competições, até que o país cumpra o direito internacional e cesse os assassinatos de civis e a fome em massa.
Os jogadores que assinaram a manifestação pela exclusão de Israel
Futebol
- Anwar El Ghazi
- Hakim Ziyech
- Cheick Doucoure
- Sam Morsy
- Keshi Anderson
- Ilias Chair
- Rayan Kolli
- Hassan Hamid
- Raheem Conte
- Cyrus Christie
- Saidou Khan
- Akwasi Asante
- Tanil Salik
- Yousef Salech
- FC Palestino (clube)
- Idris El Mizouni
- Easah Suliman
- Momo Dabre
- Adi Yussuf
- Fouad Bachirou
- Michel Termanini
- Farouk Miya
- Ibra Sekajja
- Yasine En Neyah
- Lamine Kaba Sherif
- Yakou Meite
- Halil Dervisoglu
- Ali Reghba
- Boy Waterman
- Tete Yengi
- Jonathan Benitez
- Antonio Ceza
- Layla Banaras
- Cheick Diabate
- Harun Hamid
- Richard Chin
- Alie Sesay
- Riza Durmisi
- Taofiq Olomowewe
- Harry Panayiotou
- Panutche Camara
- Ziyad Larkeche
- Nigel Pearson (ex-jogador e treinador)

Outros esportes
- Moeen Ali (críquete)
- Ajaz Patel (críquete)
- Abtaha Maqsood (críquete)
- Zak Chelli (boxe)
- Ty Mitchell (boxe)
- Illiess Macani (rugby)
- Khadijah Mellah (jóquei)
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Fifa pode ser contra expulsão de Israel
Segundo a agência de notícias “Associated Press (AP)”, a Uefa já formou maioria entre as federações nacionais para exclusão de Israel das competições europeias, punição que tiraria a seleção israelense das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, além de eliminar os clubes do país asiático na Champions League, Liga Europa e Conference League.
✖️ Uefa avança para suspender Israel de competições e Fifa vive impasse por relação com Trump
— Trivela (@trivela) September 25, 2025
Entenda como situação de Israel pode causar racha no futebol mundial https://t.co/Z3N7CKVqyH
A decisão da entidade máxima do futebol europeu já garantiria que Israel ficasse fora do Mundial do ano que vem, mas eles podem sofrer pressão da Fifa, atualmente alinhada em sua totalidade com o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, que é pró-Israel.
“[O governo dos EUA] trabalhará para impedir completamente qualquer tentativa de banir a seleção israelense de futebol da Copa do Mundo”, teria dito um porta-voz do país americano à emissora inglesa “BBC”. Mesmo que a Uefa exclua os israelenses, a tendência é a história continuar rendendo no noticiário internacional.
Manifesto completo da Athletes 4 Peace pedindo a exclusão de Israel
Apelo pela Suspensão de Israel da UEFA
Como atletas profissionais de diversas origens, crenças e convicções, acreditamos que o esporte deve defender os princípios de justiça, equidade e humanidade.
O esporte não pode permanecer em silêncio enquanto atletas e civis — incluindo crianças — são mortos indiscriminadamente em massa em Gaza. As entidades esportivas têm a obrigação de agir contra equipes que representam um país que, segundo uma comissão da ONU, está cometendo genocídio contra os palestinos em Gaza.
O relatório da comissão da ONU conclui que as autoridades e forças de segurança de Israel cometeram e continuam cometendo quatro dos cinco atos de genocídio definidos na Convenção sobre Genocídio de 1948, contra um grupo nacional, étnico, racial ou religioso — neste caso, os palestinos em Gaza.
Isto não é sobre política, nem sobre tomar partido. Trata-se de justiça, humanidade e dos valores que o esporte diz representar — e de não permitir que nações usem o esporte para “lavar” suas ações ilegais e desumanas. Concordamos plenamente com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, que declarou recentemente que “Israel não pode continuar usando qualquer plataforma internacional para limpar sua imagem.”
O esporte internacional já agiu no passado para proteger a integridade do esporte e os valores que defende, quando as ações de uma nação violaram gravemente esses princípios, desrespeitando os direitos humanos e o direito internacional.
Hoje, enfrentamos mais uma prova de consciência coletiva, e ficar em silêncio ou não agir não são opções moralmente aceitáveis.
Em agosto deste ano, o mundo perdeu Suleiman al-Obeid, conhecido como o “Pelé Palestino”, um talento do futebol que inspirou inúmeras crianças. Segundo a Associação Palestina de Futebol, ele foi morto quando forças israelenses atacaram civis que esperavam ajuda humanitária no sul de Gaza. Em vida, ele trouxe esperança através do esporte; em sua morte, tornou-se um lembrete doloroso do porquê o mundo — e especialmente as instituições esportivas — precisam agir.
Como entidade oficial representante de atletas muçulmanos no Reino Unido, a Nujum Sports foi procurada por jogadores de diferentes esportes — muçulmanos, não muçulmanos e até mesmo sem religião — que desejam unir suas vozes em nome da justiça.
Esses atletas confiaram à Nujum Sports a missão de amplificar sua mensagem, garantir que ela chegue às entidades reguladoras, à mídia e à comunidade esportiva global. Nosso papel é coordenar essas vozes, proteger seu direito de se manifestar sobre violações de direitos humanos e defender o princípio de que o esporte jamais deve ser cúmplice do silêncio diante da injustiça.
Nós, os signatários de Athletes 4 Peace, apelamos à UEFA para que suspenda imediatamente Israel de todas as competições, até que o país cumpra o direito internacional e cesse os assassinatos de civis e a fome em massa.
O esporte não é neutro diante da injustiça. Permanecer em silêncio é aceitar que algumas vidas valem menos que outras. Acreditamos em um padrão único para todas as nações e todos os povos: justiça, sem dois pesos e duas medidas.
Assinado,
Athletes 4 Peace



