Europa

Uefa avança para suspender Israel de competições e Fifa vive impasse por relação com Trump

Entidades devem se reunir na próxima semana para assumir posicionamento relacionado à participação de Israel nas competições

As diAs discussões sobre os conflitos na faixa de Gaza passaram a ser tratadas também na alta cúpula do futebol. De acordo com a “Associated Press” (AP), a Uefa se reuniu nesta quinta-feira (25) e se prepara para que seus associados votem favoravelmente à suspensão de Israel nas competições continentais devido ao genocídio em Gaza.

A fonte da AP informou que a entidade já teria formado maioria na decisão, com aceno dos 20 membros do comitê executivo da instituição, e deve formalizar os votos a favor da suspensão. A votação deve ser realizada formalmente na próxima semana.

O caso se assemelha com o banimento da Rússia em 2022, após o país declarar invasão ao território ucraniano. 

O movimento pela suspensão de Israel foi iniciado ainda no mês passado, segundo o jornal “The Times”, quando diversos clubes europeus questionaram a Uefa se havia alguma maneira de evitar jogar contra adversários israelenses.

Sem grandes movimentações públicas a respeito do tema, o primeiro aceno da Uefa sobre o assunto aconteceu em agosto, quando utilizou uma faixa na final da Supercopa entre Paris Saint-Germain e Tottenham com os dizeres “parem de matar crianças” e “parem de matar civis”.

Houve ação também por parte dos jogadores e das torcidas. Mohamed Salah chegou a cobrar a Uefa por omissão sobre morte de ‘Pelé da Palestina’, o jogador Suleiman al-Obaid que foi assassinado na Faixa de Gaza.

Segundo a “BBC”, manifestantes enviaram mais de 1.900 assinaturas à Uefa em apoio a uma petição lançada esta semana, que dizia que “não poderia haver jogo limpo com representantes do genocídio”.

Protesto em Roma pede suspensão de Israel de competições no futebol (Foto: IMAGO / Independent Photo Agency Int.)
Protesto em Roma pede suspensão de Israel de competições no futebol (Foto: IMAGO / Independent Photo Agency Int.)

O periódico detalhou que um painel de conselheiros das Nações Unidas reforçou o pedido à FifaUefa para a suspensão de Israel após a Comissão de Inquérito da ONU concluir que o país comandado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu está cometendo genocídio em Gaza.

O “The Times” também contou que a entidade do futebol europeu, da qual Israel é membro desde 1994, vem mantendo discussões sérias esta semana sobre as ações do país em Gaza.

Impasse entre Fifa, Uefa e Estados Unidos

Em caso de suspensão de Israel por parte da Uefa, a decisão colocaria pressão sobre um posicionamento por parte da Fifa. Entretanto, a Federação Internacional do Futebol vive um impasse, já que o presidente Gianni Infantino vem demonstrando uma estreita relação com Donald Trump.

Ainda não está clara a posição da Fifa, mas segundo o jornal “A Bola”, o Conselho da Federação se reunirá na próxima semana em Zurique, na Suíça. 

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, um dos maiores aliados de Netanyahu, deixou claro defender a permanência de Israel na Copa do Mundo de 2026.

Um porta-voz dos Estados Unidos afirmou à “BBC” que o país “trabalhará para impedir completamente qualquer tentativa de banir a seleção israelense de futebol da Copa do Mundo”.

Contudo, mesmo que a Fifa decida por não suspender Israel, a decisão da Uefa já seria suficiente para que o país não se classifique para o torneio no ano que vem, já que o órgão máximo do futebol europeu é responsável pelas partidas eliminatórias regionais.

ZURICH – APRIL 10: Headquarter of FIFA international football (soccer) association on April 10, 2016
Emblema da Fifa na sede em Zurique, na Suíça (IMAGO / Depositphotos)

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas também emitiu uma declaração solicitando que Fifa e Uefa “suspendam Israel como uma resposta necessária para lidar com o genocídio em curso no território palestino ocupado”.

— O esporte deve rejeitar a percepção de que tudo continua como sempre. As entidades esportivas não devem ignorar graves violações de direitos humanos, especialmente quando suas plataformas são usadas para normalizar injustiças — afirmaram os especialistas.

A organização ressaltou que o boicote deve ser direcionado ao Estado de Israel e não a jogadores, defendendo que “indivíduos não podem arcar com as consequências das decisões de seus governos e, portanto, não deve haver discriminação ou sanções contra jogadores em razão de sua origem, ou nacionalidade”.

— As equipes nacionais que representam estados que cometem violações massivas dos direitos humanos podem, e devem, ser suspensas, como aconteceu no passado — afirmou o Escritório de Direitos Humanos da ONU.

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O destino de Israel

Atualmente, Israel ocupa o terceiro lugar no Grupo I das Eliminatórias da Copa do Mundo, atrás da Noruega e Itália. Israel tem compromisso com a Noruega previsto para o dia 11 de outubro.

Segundo a “BBC”, a presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, afirmou no início deste mês que sua organização “tem que lidar com a participação de Israel em suas competições, mas não pode e não será indiferente ao sofrimento humanitário que está ocorrendo na região, especialmente os ataques desproporcionais contra civis em Gaza”.

O jornal “The Times” acrescentou que a Federação Norueguesa havia afirmado que doaria todos os lucros da partida contra Israel para a ajuda humanitária em Gaza. Contudo, há o risco de que a partida não aconteça, caso o país seja suspenso da disputa por decisão da Uefa.

Já a rede britânica relembrou que a federação italiana também falou sobre os desafios de jogar contra Israel, que a Itália receberá no dia 14 de outubro em Udine.

Rome, Protest against the Italy-Israel soccer match
Protesto no Pantheon pede cancelamento da partida entre Itália e Israel (Foto: IMAGO / Independent Photo Agency Int.)

Já na Liga Europa, o Aston Villa recebe o Maccabi Tel Aviv no dia 6 de novembro. É o único time israelense envolvido em competições europeias de clubes. Na estreia na fase de liga, o Maccabi enfrentou protestos quando jogou contra o PAOK, da Grécia.

A Federação Palestina, reconhecida pela Fifa, vem solicitando à entidade máxima do futebol mundial que tome a mesma atitude destinada à Russia, que foi banida em fevereiro de 2022 e removida dos playoffs da Copa do Mundo. No entanto, o pedido sobre Israel nunca foi levado à votação.

Desde 2023, ao menos 65.419 palestinos foram mortos e 165.697 feridos, desde o início do conflito entre Israel e o Hamas em 7 de outubro. O relatório da ONU diz que há motivos razoáveis ​​para concluir que quatro dos cinco atos genocidas definidos pelo direito internacional foram realizados desde o início dos conflitos.

Israel nega regularmente que suas ações em Gaza representem genocídio e afirma que são justificadas como forma de autodefesa. O Ministério das Relações Exteriores classificou o relatório da ONU como “distorcido e falso”.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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