Leste Europeu

Eis porque os brasileiros do Shakhtar estão com medo: estádio do time foi bombardeado

A vida na Ucrânia não está fácil. Se você não vive em outro planeta, a essa altura já ouviu falar dos conflitos em alguns regiões ucranianas, de alta influência russa, que estão sendo disputadas. A Crimeia foi anexada pela Rússia, e este é o principal ponto de um conflito que não tem muita perspectiva de acabar. A Ucrânia considera que o território é seu e está sob ocupação russa. Um dos lugares de influência russa que passa por conflito é Donetsk, cidade do Shakhtar, onde jogam diversos jogadores brasileiros. Neste sábado, o clube publicou em seu site a informação que duas bombas explodiram no seu estádio, a Donbass Arena.

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Segundo a assessoria do clube, não houve nenhuma morte, apesar dos estragos no estádio, como mostrado nas fotos abaixo, todas divulgadas pelo clube. Donetsk é uma região de tensão e conflito neste momento, o que fez, por exemplo, o atacante Bernard, que esteve com o Brasil na Copa do Mundo, não voltar para defender o clube e ser criticado pelo técnico da equipe.

O Shakhtar não está jogando em Donetsk neste momento. Os jogadores estão hospedados pelo clube na capital do país, Kiev, onde não há conflitos. O time tem mandado seus jogos em Lviv, construída para a Eurocopa de 2012. O time já jogou lá na Supercopa da Ucrânia. Já foram quatro jogos do Campeonato Ucraniano, sendo que dois deles foram disputados na Arena Lviv. A situação pode ser mantida por mais tempo, porque a tensão continua alta. Donetsk é a maior cidade controlada por grupos pró-Rússia.

O dono do Shakhtar, Rinat Akhmetov, dono de indústrias metalúrgicas, se opôs publicamente aos separatistas e pediu para os dois lados pararem com bombardeios em Donetsk. Em maio, o ginásio de hóquei no gelo da cidade, onde joga o Donbass Donetsk, time local, foi saqueado e queimado. O clube culpou os separatistas pró-Rússia. Em julho, o estádio do Zorya Luhansk foi atacado com morteiros que danificaram assentos e deixaram buracos no gramado. Não houve feridos. A cidade de Luhansk é um reduto dos separatistas.

Além de Bernard, outros 12 jogadores brasileiros atuam no clube: os laterais esquerdos Ismaily e Márcio Azevedo, o volante Fernando, os meias Wellington Nem, Fred, Marlos, Douglas Costa, Taison, Alex Teixeira, Dentinho e Ilsinho e o atacante Luiz Adriano. Este último deu entrevista à Rádio ESPN neste sábado dizendo que o clube está dando todo suporte para os jogadores ficarem em Kiev, mas que se preocupa. Assim como Bernard, ele diz que suas coisas estão em Donetsk, incluindo coisas de valor.

Veja as fotos dos estragos deixados pelas bombas na Donbass Arena, em Donetsk:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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