Copa do Mundo

John McCain sugere boicote, e Copa de 2018 nunca esteve sob tanta pressão

A Fifa nunca se envolve abertamente na política dos países em que seus torneios são disputados, e assim será também com a Rússia em 2018. É improvável que haja mudança de sede para a próxima Copa, mas não dá para negar que o Mundial russo nunca esteve sob tanta pressão como agora. Após o vice-premier britânico, Nick Clegg, afirmar ser “impensável” a realização da Copa na Rússia diante da interferência de Vladimir Putin na situação da Ucrânia, foi a vez do ex-candidato à presidência dos Estados Unidos John McCain reforçar o coro, convocando a Inglaterra e outros países a um boicote geral ao torneio, como os norte-americanos fizeram nas Olimpíadas de 1980, após a invasão russa ao Afeganistão.

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McCain lembrou a decisão dos Estados Unidos de deixar de participar das Olimpíadas de 1980 diante da invasão da Rússia ao Afeganistão na época. Para ele, no entanto, apenas a ausência dos americanos da próxima Copa não seria pressão suficiente em cima de Vladimir Putin. “Acho que (a escolha da sede) deveria ser completamente reconsiderada, mas eu me apressaria em dizer que uma decisão unilateral dos Estados Unidos não seria nada boa. Sou velho o bastante para lembrar que depois da invasão russa no Afeganistão os Estados Unidos se retiraram das Olimpíadas, como você pode se lembrar, e não foi uma decisão popular no momento. Então, se conseguirmos que a comunidade internacional faça isso, eu apoio completamente”, disse McCain em entrevista à ABC.

Quando John McCain coloca a Copa do Mundo no mesmo patamar que as Olimpíadas, que sempre tiveram maior valor para os americanos que o torneio mundial de futebol, fica clara a dimensão que o esporte tem conseguido nos Estados Unidos, a ponto de poder ser potencialmente usado como instrumento de diplomacia e política externa. Ao mesmo tempo, embora ainda seja muito improvável, não espantaria que a seleção americana realmente deixasse de participar do torneio por questões políticas.

“Eu gostaria de ver os Estados Unidos e outros, digamos os ingleses e outros países, levantar a questão em reuniões, nas reuniões periódicas que eles têm. Que dissessem: ‘Precisamos discutir essa questão. É apropriado sediar (a Copa) na Rússia neste momento particular? Não existem outros países que seriam muito menos controversos?'”, completou o republicano, que não dá importância para o fato de ainda haver quatro anos até o próximo mundial. “Isso tem que ser feito até o final do ano. Você não pode esperar que esse cara (Putin) se acalme e comece a se comportar. E se outra crise na Ucrânia entra em erupção entre 2017/18?”, encerra.

É importante manter as coisas em perspectivas. Quais são as chances de Putin recuar em sua postura por causa de um boicote a um evento esportivo? Embora se trate da competição mais importante do mundo, nem mesmo sanções econômicas e ameaças de intervenção militar, como no texto publicado pelo premiê britânico David Cameron convocando uma resposta do Ocidente, o fizeram recuar. Mas o futebol e a ameaça de boicote também se tornaram um instrumento diplomático no discurso de McCain, por mais que não haja nenhuma perspectiva de serem decisivos.

É difícil imaginar a Fifa colocando a colher nessa história, principalmente pelo histórico posicionamento de se manter neutra em disputas políticas, e também porque ficaria muito enfraquecida se mudasse a sede de dois Mundiais – caso a Copa do Catar realmente suba no telhado. Ainda assim, a Rússia vai ficando cada vez mais fragilizada, depois de reclamações mundiais contra homofobia, racismo e violações de direitos humanos. Agora, vem a pressão do Senado norte-americano, por mais que não seja suficiente para “conscientizar” Blatter e companhia.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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