Inglaterra

Jogo mais valioso do mundo termina com acesso do Southampton à Premier League em 24/25

Em Wembley lotado, os Saints confirmaram o acesso à elite do futebol inglês com gol solitário de Armstrong

A última vaga para o acesso à Premier League é conhecido por ser o “jogo mais valioso do mundo” pelo quanto dinheiro vale jogar a elite do futebol inglês.

Sorte do Southampton, que bateu o Leeds por 1 a 0 em um Wembley lotado com 85 mil pessoas neste domingo (26) – público maior que a decisão da Copa da Inglaterra de ontem.

O playoff decisivo da Championship, a segunda divisão inglesa, foi decidido com um gol solitário de Adam Armstrong.

Aos 23 do primeiro tempo, após jogada de paciência desde os zagueiros, Will Smallbone viu que Ethan Empadu saiu para caçar e abriu o espaço para infiltração do atacante. Na cara do gol, Armstrong finalizou cruzado rasteiro e marcou o 24º gol na temporada.

Até o apito final, o Leeds não repetiu os bons jogos que marcaram toda a temporada. De pouco repertório, também em dia ruim de Crysencio Summerville, os Whites só foram criar mais a partir dos 35 da etapa final.

Daniel James tentou duas. Uma parou no travessão, a outra em Alex McCarthy, já nos acréscimos. Os Saints também se aproximaram de marcar duas vezes, mas o placar seguiu magrinho até o término dos 90 minutos.

Quanto vale o acesso à Premier League?

Rebaixado em 2023, o Southampton volta a elite já no ano seguinte. Com isso, a equipe garante já 170 milhões de libras em receitas adicionais nas próximas três temporadas, segundo estudo de 2023 do Sports Business Group, da Deloitte.

São 97 milhões garantidos apenas por jogar a Premier League, mais 65 milhões pelo sistema de paraquedas em caso de rebaixamento logo em 2024/25 e outros 8 milhões em receitas adicionais, como comercial e matchday.

Se conseguir ficar na primeira divisão do Campeonato Inglês, garante 290 milhões nas próximas cinco temporadas.

Leeds começa melhor, Southampton melhora e quase abre dois

Quem viu o início do primeiro tempo não poderia imaginar os 45 iniciais terminarem com o Southampton melhor e em vantagem.

O Leeds amassou nos primeiros minutos. Dominava a bola, era ainda mais rápido para pressionar e retomá-la dos pés do adversário, e vinha amadurecendo o gol.

Arche Gray deu o primeiro chute, arriscando torto de longe. Wilfried Gnonto foi outro a tentar, em batida no meio do gol encaixada por Alex McCarthy.

Eis que uma transição bem encaixada dos Saints, a primeira vez que conseguiu emplacar uma saída sem perder a bola, tudo mudou no jogo.

Era 10 minutos, Armstrong recebeu sozinho na esquerda da área e tentou duas vezes acionar Smallbone, sem sucesso.

Cerca de dois minutos depois, Smallbone acertou o primeiro chute: falta de longe contou com defesaça de Illan Meslier.

Essas chances antecederam ao gol de Armstrong, aos 23, e o mesmo quase ampliou aos 44. Em falta bem ensaiada, novamente com Smallbone, o atacante foi acionado sozinho na direita da área e bateu cruzado, exigindo que Meslier se jogasse no chão para pegar.

Whites criaram pouco e não conseguiram empatar

O Leeds até controlou a etapa final. Tinha a bola, rodava, buscava espaço, mas não encontrava. Summerville até teve boa chance em batida colocada que quase foi no ângulo, mas McCarthy “tirou” com o olho aos três minutos.

Foi muita dificuldade até, enfim, começar a criar a partir dos 38, ambas pelos pés de Daniel James, que saiu do banco.

Na primeira, a bola veio quicando perfeita para o galês mandar uma bomba. Passou pelo goleiro dos Saints, mas parou no travessão e ainda foi no chão.

Já adentrando os nove de acréscimos, o atacante arriscou de fora da área e foi a vez de McCarthy impedir. Não deu tempo de mais.

O Southampton se defendeu até demais. Pouco fez para atacar, só que, na única vez que foi, quase ampliou. Após erro de Joe Rondon, Samuel Edozi invadiu a área, cortou para perna direita e finalizou colocado pertinho da trave.

Leicester e Ispwich confirmaram acesso antes

Quando foi rebaixado para Championship na temporada passada, o torcedor do Leicester saiba que aquele elenco poderia mais e o retorno para Premier League seria eminente. E realmente aconteceu – mesmo que com um grupo bem diferente daquele que caiu. Menos de um ano depois, os Foxes confirmaram a volta para elite do futebol inglês e ainda veio com o título da segunda divisão.

É inegável, nas 46 rodadas da competição, o Leicester foi o melhor coletivo. Treinado por Enzo Maresca, ex-auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City, o time conquistou o título com 97 pontos, sendo líder ou entre os primeiros em várias estáticas, como gols (2º, 89), defesa (1º, 41 sofridos), posse de bola (2º, 62%), grandes chances criadas (1º, 142), entre outras.

Os Foxes só não foram mais absolutos porque o vice-campeão fez uma campanha interessante. Com apenas um ponto a menos do campeão, o Ipswich, do jovem técnico Kieran McKenna, 38 anos, foi o time mais legal de se assistir pelos jogos serem um tanto caóticos (marcaram 92 gols e sofreram 57).

Mesmo com um elenco bem abaixo dos concorrentes, vindo de um acesso à terceira divisão, eles lutaram ponto a ponto contra Leicester e Leeds e desbancaram os Whites, que jogaram a Premier League na última temporada. Os Tractor Boys são quem mais somaram pontos nas quatro divisões da Inglaterra desde dezembro de 2021, quando assumiu McKenna. Até o City de Guardiola ficou para trás.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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