Quais contratações ainda faltam para os grandes da Premier League?

Impulsionados pelo novo acordo dos direitos de televisão, os clubes ingleses têm investido pesado para a nova temporada. A um mês do fechamento da janela de transferências, o valor gasto por times da Premier League já é superior ao de 2009/10, e o histórico mostra que agosto é o mês em que maior parte das contratações acontece. Portanto, a tendência é de que possamos ver um recorde quebrado quando o período de transferências se encerrar. Os clubes mais ricos do país são parte importante da equação, é claro, e os buracos no elenco apontam que suas atividades nesta janela estão longe de estarem encerradas.
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Os objetivos factíveis das principais equipes acabam sendo revelados apenas no decorrer da temporada, e no início é normal que todos mirem alto. Imaginando o que cada um dos times espera lograr nesta nova campanha – e baseados também na expectativa de quem acompanha de perto o Inglesão –, reunimos quais contratações os seis primeiros colocados da última Premier League ainda precisam buscar na janela que se fecha em 1º de setembro.
Chelsea
Parte do motivo pelo qual o Chelsea teve tanta estabilidade e conseguiu com certa tranquilidade o título da Premier League passada foi seu elenco profundo, repleto de opções para cada setor do campo e com reservas que poderiam ser titulares nos concorrentes. Portanto, não havia muito o que fazer nesta janela de transferências. A primeira necessidade, criada pela saída de Cech, já foi suprida com a chegada de Begovic, que estava no Stoke. O bósnio é seguro e mais do que suficiente para um goleiro reserva. A outra necessidade está na lateral esquerda, e José Mourinho ainda precisa resolver essa carência.
A saída de Filipe Luís, que retornou para o Atlético de Madrid, torna a contratação de um lateral esquerdo reserva a principal busca do time nesta janela. Baba Rahman, do Augsburg, tem sido especulado já há algum tempo e pode ser o nome escolhido. Com Cahill, Terry e Zouma como opções para a zaga, alguém para este setor também seria muito bem-vindo. John Stones, do Everton, é o principal alvo dos Blues, mas os Toffees já recusaram duas propostas, e o suposto interesse do Manchester United deve acirrar a busca pelo garoto. Considerando que as duas contratações de que o Chelsea precisa seriam para compor elenco, dá para dizer que Mourinho está muito bem servido.
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Manchester City
A grande busca do Manchester City é por um criador, e seu nome já está definido: Kevin de Bruyne. O belga fez temporada espetacular pelo Wolfsburg, foi o líder de assistências da Bundesliga e é o tipo de jogador de que os Citizens precisam: ágil, inteligente, jovem e, claro, iniciador de jogadas. Do meio-campo para a frente, a equipe não tem um elenco dos mais jovens. Com exceção de Raheem Sterling – que chegou agora e que ainda precisa ser observado para que saibamos seu impacto na equipe –, os nomes nos setores mais próximos do gol adversário estão com idade relativamente avançada.
Jesus Navas e David Silva, com 29 anos, Nasri, com 28, e Yaya Touré, com 32, em breve podem não render o que hoje rendem (o que já não é muito, no caso de Navas e Nasri). Por isso De Bruyne está no radar do City desde dezembro, e a intensificação dos rumores de uma transferência nas últimas semanas apontam ele como o grande alvo. Mas isso não significa que não existam outras carências no elenco vice-campeão da temporada passada.
Com as saídas de Jovetic para a Internazionale e de Dzeko para a Roma, Pellegrini tem apenas Agüero e Bony como opções para o ataque. Para qualquer equipe que busque o título de um campeonato disputado a longo prazo, isso é pouco, sobretudo no Inglês, em que a disputa é tão grande, o calendário apertado e com períodos de vários jogos em intervalos curtos, como o da virada de ano. A defesa é outro setor que precisa de reforço. Os melhores dias de Kompany parecem ter passado, Mangala não foi confiável em sua temporada de estreia (apesar de seu potencial), e Demichelis, com 34 anos, mesmo quando em forma, não passa confiança.
Arsenal

Giroud é eficiente, mas Arsenal ainda busca atacante mais renomado (AP Photo)
O brasileiro Gabriel chegou ao Arsenal em janeiro e não teve tanto tempo para mostrar exatamente qual seu potencial na zaga do clube londrino. Pode ser que futuramente ele preencha esse vazio, mas no momento a impressão é de que os Gunners precisam de um nome mais seguro, de ponta, para o setor. Calum Chambers, que chegou do Southampton no início da temporada passada, também tem bastante potencial, mas não dá para esperar que se torne o grande nome da defesa ainda em 2015/16. Dos zagueiros do elenco, Koscielny é o que passa mais segurança, mas o francês precisa de um parceiro melhor do que Mertesacker.
No ataque, Giroud faz o que dá para esperar dele: um gol aqui, outro lá, aparece bem na área e se entende bem com os companheiros ofensivos. No entanto, há a impressão geral (expressada principalmente na voz de Thierry Henry) de que, para quebrar o jejum de 11 anos sem títulos na Premier League, o Arsenal precisará de um atacante de nível mundial. Os também franceses Benzema e Lacazette são os principais nomes especulados. O primeiro seria o tipo de jogador que chega para imediatamente mudar o patamar da equipe, enquanto o centroavante do Lyon teve apenas uma temporada muito boa no Francesão e precisará provar que pode ser um grande goleador estabelecido caso de fato assine com os ingleses.
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Manchester United
Desde a saída de Alex Ferguson em 2013, o Manchester United tem, a cada janela, reforçado sua nova imagem de clube gastador, que vai atrás de estrelas. A barca de contratações da temporada passada foi frustrante, com Falcao e Di María saindo após apenas um ano, mas a política não mudou. Desta vez, chegaram Darmian, Depay, Schweinsteiger e Schneiderlin para um elenco que ainda se forma. Foram € 97 milhões gastos até agora, mas ainda há o que reforçar. O ataque, por exemplo, perdeu Robin van Persie e Falcao. A dupla já não rendeu na campanha passada e mesmo sua continuidade não evitaria a carência do time no setor. Sem eles, porém, o problema é pior, e Van Gaal tem apenas Rooney, Chicharito e o garoto James Wilson para a posição. Enquanto o primeiro parece capaz de desempenhar a função de jogador mais avançado, os outros dois não parecem ter muito mais a oferecer.
O maior problema, no entanto, está na zaga – questão existente desde a chegada do técnico holandês ao Old Trafford. Na janela de transferências do início da temporada passada, a busca por um zagueiro de nível mundial foi grande. Hummels foi especulado por muito tempo, mas acabou chegando apenas Rojo. Desta vez, os nomes mais citados foram os de Otamendi e Sergio Ramos, este último uma novela ainda sem desfecho. Com boas opções do meio para a frente, o Manchester United tem quase um time que, no papel, brigaria por título, mas ainda lhe resta o equilíbrio entre setores que uma zaga confiável lhe conferiria.
Tottenham
Da lista, o Tottenham talvez seja o único que não tem nenhuma pretensão de título, apenas de uma briga pela Champions League. O Liverpool parece longe de se tornar concorrente ao primeiro lugar, mas a esperança da quebra do jejum de mais de 20 anos estará sempre com os torcedores. Já que não almejam tanto, as necessidades dos Spurs são menores do que poderiam parecer.
A principal delas seria a contratação de um companheiro de ataque para Harry Kane (ou então alguém que faça sombra ao garoto e que o mantenha com fome de gols e progresso). Roberto Soldado e Adebayor, que compõem o restante do setor no elenco atualmente, não serão esses caras. Além disso, um volante ou meio-campista central de ponta, como foi Modric, seria de muito bom grado, embora Mason e Bentaleb sejam promissores e já tenham demonstrado um bom futebol na temporada passada.
Por fim, para compor elenco, seria interessante a contratação de um armador, apesar de o garoto Dele Alli ter empolgado na pré-temporada e ainda haver alguma esperança de que Lamela renda o esperado de quando foi contratado. Não faria mal algum também se Townsend voltasse a ser aquela sensação do início da temporada 2013/14.
Liverpool

Antes de falar de carência técnica, é importante pontuar que a principal necessidade do Liverpool no momento é a de uma estrela que chame para si a responsabilidade e acabe blindando um pouco mais os jovens (e o que não falta no elenco dos Reds são jovens com potencial mas que podem acabar queimados). Essa foi uma necessidade também da janela passada, que não foi solucionada e resultou em uma grande cobrança maior do que a necessária na série de atletas contratados por Brendan Rodgers. Todos jogadores promissores, mas que claramente não teriam impacto imediato. Com a saída de Gerrard, essa carência ficou ainda mais latente, e mesmo a chegada de atletas eficazes, como Firmino e Benteke, não resolve o problema.
Falando em questões técnicas, para um time que busque uma vaga na Champions League, o Liverpool estaria suficientemente servido com mais um zagueiro que chegasse para ser titular. Lovren não convenceu em sua temporada de estreia, e Sakho, Skrtel e Touré estão longe de serem brilhantes. O gol é outra posição cuja discussão sobre a necessidade de um reforço vai e volta com frequência. Mignolet alterna muito entre momentos extremamente bons e outros de pura desconfiança, como quando perdeu a posição temporariamente para o fraco Brad Jones na temporada passada. Contratar um goleiro de alto nível daria maior estabilidade ao time, mas esse nome já não está mais disponível no mercado, com as mudanças de clube de Cech e Casillas. Talvez seja preciso se conformar com Mignolet e torcer por uma regularidade maior.
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