AlemanhaBundesligaEspanhaEuropaFrançaInglaterraItáliaLa LigaLigue 1Premier LeagueSerie A

Ingleses arrecadam três vezes mais que italianos com seus estádios

Mais ricos e com maior possibilidade de formar grandes times, os clubes ingleses acabam tendo seu futebol mais valorizado, o que leva a melhores acordos de televisão, que, por sua vez, aumentam ainda mais a distância para as outras ligas e potencializam todo esse processo. Esse enriquecimento cíclico se reflete em diversas áreas. A arrecadação com bilheteria e serviços oferecidos no estádio é uma delas, e um novo estudo revelou o abismo entre a Premier League e as outras grandes ligas europeias. A comparação com a Itália, por exemplo, revela números três vezes maiores.

VEJA TAMBÉM: Campeonato por campeonato, canal por canal: veja quem passa o que na TV brasileira

A KPGM fez um levantamento para estipular quais clubes tiveram a maior renda média por assento de seu estádio entre as cinco principais ligas da Europa (Premier League, La Liga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1) na temporada 2013/14. O cálculo levou em consideração a renda gerada com cada um dos assentos disponíveis em cada jogo em casa, a arrecadação com ingressos, o número total de jogos disputados e também a capacidade dos estádios. Bastante superior em relação aos concorrentes, o Campeonato Inglês teve média de arrecadação por assento de € 33, mais do que o dobro que o Campeonato Espanhol, segundo colocado com € 16. A França, por exemplo, teve média de € 14, enquanto a Itália, apenas € 10.

No ranking de clubes, os ingleses apareceram com larga vantagem na liderança. Em parte, pela tradição dos ingleses de passar um bom tempo no estádio em dias de jogo, consumindo produtos e serviços oferecidos pelo clube no matchday. O Chelsea é o que tem o maior rendimento médio por assento, com € 78, seguido por Arsenal (€ 69), Liverpool (€ 64) e Manchester United (€ 61). Fechando o top 5, o Bayern de Munique, primeiro não-inglês na lista, tem um número consideravelmente menor: € 49. O Barcelona arrecada bastante com ingressos, mas a capacidade enorme de seu estádio, que comporta mais de 99 mil pessoas, derruba a renda média. E esse é um dos fatores que ajuda a explicar o baixíssimo número da tradicional dupla de Milão.

renda-média-assento

Milan e Internazionale têm, respectivamente, renda média por assento de € 12 e € 11, número absurdamente baixo para equipes de tamanha tradição. A fase técnica ruim é um dos fatores para isso, claro, mas o excesso de capacidade do San Siro, onde jogam, em contraste com a baixa demanda por ingressos explica bem os números irrisórios. Os dois times não empolgam tanto quanto em outros tempos, mas a KPMG encontra outras razões por trás da baixa atratividade da dupla. Segundo a empresa responsável pelo levantamento, clubes com estádios próprios e renovados, em vez de públicos e antigos, como é o caso do San Siro, têm resultados significativamente melhores.

A Juventus entendeu isso mais cedo que seus rivais, aumentando sua renda com ingressos a partir de 2011, quando inaugurou sua arena. A Itália é, aliás, a liga que registra a maior diferença entre seus principais clubes, com os Bianconeri tendo uma renda média por assento de € 37, ainda baixo perto dos ingleses, mas bastante alto em seu próprio mercado. Agora, os rivais correm atrás do prejuízo, e Milan e Roma, por exemplo, já têm projetos de estádios menores, mas mais modernos e confortáveis, definidos e com obras prestes a começar.

A França, com a construção e reforma de estádios para a Eurocopa do ano que vem, já dá indícios de que crescerá no ranking, com o Olympique de Marseille servindo como exemplo da eficácia de se reduzir a capacidade, oferecendo mais conforto. Segundo a KPMG, a Ligue 1 foi o campeonato que teve o maior crescimento médio de público, com 6% em 2014/15 em relação à temporada anterior. Diante da disparada financeira inglesa, buscar fontes alternativas de dinheiro precisa ser prioridade para as outras ligas se manterem competitivas nos torneios europeus e no mercado. Quem enxergar isso cedo o bastante terá maiores chances de não ser deixado para trás.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo