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Premier League já bateu € 700 milhões em transferências e mira recorde bilionário

Ninguém tinha muitas dúvidas que o mercado de transferências seria movimentado na Premier League. O acordo de £5,136 bilhões (€7,19 bilhões, na cotação atual) com a TV local por três anos de transmissão do campeonato já tinha motivado a gastança dos clubes na última temporada. No entanto, os números que se apresentam a uma semana do início da liga e a um mês do fim da janela assustam mesmo assim. Os clubes da primeira divisão já investiram cerca de 10% do total arrecadado com os direitos de televisão, batendo a casa dos £500 milhões. Já é mais do que o investido em toda a temporada 2009/10 e, diante da tendência que os negócios aconteçam em frequência ainda maior no último mês, a expectativa é de quebra de recorde.

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O fato de que os times ingleses têm dinheiro nos cofres inflaciona o mercado, obviamente. O que não os assustou, indo avidamente às compras. Ao todo, 11 dos 20 clubes passaram da marca de £20 milhões (€28 milhões). O recordista é o Liverpool, que tenta recuperar espaço a um alto custo, bancando as chegadas de Benteke, Roberto Firmino, Clyne e outros reforços por £77 milhões (€108 milhões). Quem também não fica muito atrás é o Manchester United, com £68 milhões (€95,2 milhões) por Schneiderlin, Depay, Schweinsteiger, Darmian e companhia. Já o negócio mais caro foi feito pelo Manchester City, que desembolsou £58 milhões (€81,2 milhões), £43,7 milhões (€61,2 milhões) apenas por Sterling.

“Um novo recorde é provável nas próximas semanas. O que orienta os gastos não é só o dinheiro da Premier League, mas também o novo acordo nacional pela Champions. No entanto, os clubes também estão sendo cautelosos nos negócios, por causa do Fair Play Financeiro. O Liverpool só trouxe Benteke quando vendeu Sterling. Responsabilidade fiscal está se tornando uma rotina e, embora os clubes tivessem resistência antes, eles estão vendo o benefício de serem mais comedidos. É um bom movimento para o futebol em geral”, declarou Rob Wilson, especialista em finanças do futebol, em entrevista à BBC.

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O recorde de gastos da Premier League em uma só temporada foi registrado em 2014/15: £835 milhões (€1,17 bilhão) no total. O valor do atual mercado já bateu a marca das duas janelas de 2009/10. Com mais £100 milhões (€140 milhões), ultrapassa também 2011/12 e 2012/13. E, com mais £200 milhões (€200 milhões), só fica historicamente abaixo das duas últimas temporadas. Valores bastante factíveis para se bater nos próximos dias, diante de todas as negociações que se indicam. E que, juntando com a janela de inverno, pode até mesmo atingir o bilhão de libras.

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O Manchester United é quem mais promete gastar, com a “negociação surpresa” indicada por Louis van Gaal – provavelmente um novo nome para o ataque. O Manchester City também conversa com Kevin de Bruyne, se aproximando de um acordo com o Wolfsburg. Já o Chelsea, ainda comedido em suas movimentações, tenta trazer John Stones por um preço alto. E ainda há o desesperado Liverpool, além dos endinheirados Arsenal e Tottenham, que também foram modestos em seus reforços até o momento.

O maior reflexo na balança, contudo, aparece em relação às outras ligas europeias. A alta da libra em relação ao euro, cerca de 13% apenas no último ano, fortalece ainda mais o mercado inglês. Segundo o site Transfermarkt, o país que mais se aproxima é a Espanha, com mais de € 280 milhões a menos. A segunda divisão inglesa é a sétima liga do mundo que mais gastou nesta janela. Enquanto isso, clubes médios da Premier League, como Newcastle e Aston Villa, já desembolsaram mais do que todos os times juntos de Portugal e Holanda. E este é só o primeiro ano sob o novo acordo. É provável que a empolgação diminua. No entanto, o mercado se consolidará em uma nova realidade, ainda mais rica.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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