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O abismo: Aston Villa e Newcastle gastaram mais que todo o Campeonato Holandês

O novo contrato de direitos de TV da Premier League, que começa a valer a partir da temporada 2016/17, é o maior da história. O medo quando ele foi anunciado é que poderia causar um abismo financeiro entre o futebol inglês e o de outros países, a ponto de clubes médios da Inglaterra serem capazes de arrancar jogadores dos grandes do continente. Ainda é cedo para avaliar os efeitos práticos da injeção de mais de R$ 40 bilhões, mas algum abismo já existe com muita clareza.

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Na metade da principal janela de transferências da temporada, Aston Villa e Newcastle, dois clubes ingleses de médio porte, gastaram mais com contratações do que todo o Campeonato Holandês, abrigo de seis títulos da Champions League, três vice-campeonatos da Copa do Mundo e formador de alguns dos maiores craques da história. PSV, Ajax, Feyenoord e outros seis clubes da primeira divisão do país gastaram apenas R$ 139 milhões até agora. Os outros não pagaram um centavo por jogador.

O Newcastle tem uma transferência simbólica. Por R$ 74,7 milhões, valor nada exorbitante no atual mercado inflacionado, tirou Georginio Wijnaldum do PSV, um dos principais jogadores do campeão da última temporada. Também trouxe Aleksandar Mitrovic e Chancel Mbemba, do Anderlecht, totalizando R$ 189 milhões.

Impulsionado pela venda de Benteke para o Liverpool e de Fabian Delph para o Manchester City, o Villa desembolsou R$ 205,5 milhões em cinco jogadores, o mais caro deles Jordan Ayew, do Lorient, que saiu por R$ 44,8 milhões. É verdade que o gasto foi escorado em duas boas vendas, uma delas gigantesca, mas ambas foram negociadas com clubes ingleses. Existe, também, um efeito cascata.

Mais preocupante é ver que Sunderland (R$ 130 milhões), West Ham (R$ 124 milhões), Southampton (R$ 117 milhões), e até o Watford (R$ 112 milhões), que acabou de subir da segunda divisão, gastaram quase a mesma coisa que todos os holandeses juntos.

O maior investimento na terra do Cruyff por enquanto foi do PSV no meia uruguaio Gastón Pereira. O Nacional recebeu R$ 26,1 milhões pela contratação. O atual campeão também gastou R$ 16,8 milhões em Davy Pröpper, do Vitesse, e R$ 10,5 milhões para adquirir Guardado em definitivo, após uma temporada emprestado pelo Valencia. Total de R$ 67 milhões de investimento. Isso porque desde maio sabia que receberia uma bolada (R$ 102 milhões) pela saída de Depay para o Manchester United.

Melhor jogador do Campeonato Holandês, Depay foi contratado por R$ 102 milhões (Foto: AP)
Melhor jogador do Campeonato Holandês, Depay foi contratado por R$ 102 milhões (Foto: AP)

O Ajax fez a segunda contratação mais cara da janela holandesa. Pagou R$ 22,5 milhões para tirar Nemanja Gudelj do AZ Alkmaar, e não fez nenhum outro negócio digno de nota. Gastou R$ 42,2 milhões no total. O Feyenoord desembolsou R$ 13 milhões por Marko Vejinovic, do Vitesse, e quase só isso. Desembolsou R$ 18,7 milhões em todos os negócios. Isso significa que o clube que mais gastou na Holanda, o PSV, investiu menos que 12 equipes da Premier League.

Nenhum dos outros clubes da Eredivisie, para ficar na moeda dos ingleses, gastou mais de um milhão de libras. Ou seja, o Everton, sempre muito modesto no mercado a não ser que venda jogadores, foi o que menos gastou na Premier League (R$ 23,5 milhões), e ainda assim essa quantia representa mais do que o dobro do que os 15 clubes da primeira divisão do futebol holandês gastaram juntos: R$ 9,8 milhões.

Há pouco horizonte para o futebol holandês voltar a ser relevante em competições europeias enquanto os seus clubes mais poderosos não conseguirem igualar o investimento de mais da metade da competição mais rica do mundo. Menos ainda quando o resto do campeonato não consegue competir nem com o mais pobre dos times ingleses.

Veja quanto gastou cada clube inglês*:

Liverpool – R$ 411 milhões
Manchester United – R$ 369 milhões
Manchester City – R$ 315 milhões
Aston Villa – R$ 205,5 milhões
Newcastle – R$ 189 milhões
Sunderland – R$ 130 milhões
West Ham – R$ 124 milhões
Southampton – R$ 117 milhões
Watford – R$ 112,33 milhões
Tottenham – R$ 104 milhões
Chelsea – R$ 90 milhões
Crystal Palace – R$ 70 milhões
West Brom – R$ 65,7 milhões
Arsenal – R$ 53 milhões
Swansea – R$ 48 milhões
Leicester – R$ 47 milhões
Stoke – R$ 46 milhões
Norwich – R$ 43,81 milhões
Bornemouth – R$ 42,3 milhões
Everton – R$ 23,5 milhões

Na Holanda*:

Ajax – R$ 67 milhões
PSV – R$ 42,2 milhões
Feyenoord – R$ 18,7 milhões
Todos os outros clubes juntos: R$ 9,8 milhões
Total do país: R$ 139 milhões

*Dados do Transfermarkt

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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