Camisa 8.5? Briga pelo título da Premier League ‘cria’ nova posição no futebol
Havertz, Gakpo e Álvarez são exemplos de camisa 8.5 na Premier League, cuja função mistura características distintas para a "nova" posição
A 10 rodadas do fim da Premier League, a briga pelo título está cada dia mais interessante. Arsenal, Liverpool e Manchester City estão protagonizando uma disputa parelha pela liderança do campeonato. Mais do que isso, Mikel Arteta, Jürgen Klopp e Pep Guardiola estão ajudando a ‘criar’ (ou seria consolidar?) uma nova posição no futebol: o camisa 8.5.
Kai Havertz, Cody Gakpo e Julián Álvarez são apenas alguns exemplos de jogadores que exercem essa função, que mistura características distintas entre meio-campistas e atacantes. Mas afinal, o que faz um 8.5? Para responder essa pergunta, primeiro é preciso resumir o que faz um camisa 8, um camisa 9 e um camisa 10, já que a “nova” posição na Premier League traz certos elementos de cada um.
No cenário ideal, o 8 é responsável pela ligação do meio-campo com o ataque, tendo tarefas defensivas como recomposição no meio-campo, mas também liberdade para avançar até à área adversária (o famoso jogador box-to-box, que circula pelo gramado de uma ponta a outra). Já o 10 mexe com o imaginário do apaixonado por futebol, principalmente os brasileiros.
3 goals in 3 games for Kai Havertz 🙌 pic.twitter.com/Am1aP3muTh
— Arsenal (@Arsenal) March 5, 2024
É aquele atleta diferenciado, com habilidade e controle de bola impecável, além de uma visão de jogo que possibilite o último passe para a finalização. E é aqui que entra o 9, que, basicamente, tem o trabalho de colocar a bola no fundo da rede. Acredite ou não, o camisa 8.5 carrega um pouquinho de cada uma dessas características, o que ajuda a explicar o sucesso de Gunners, Reds e Citizens nesta Premier League.
O camisa 8.5 e seus desdobramentos na Premier League 2023/24
Se tem um debate que dura há anos no futebol é o “fim do camisa 10”, um jogador que não precisa ter as preocupações defensivas e pode esbanjar todo seu talento no setor ofensivo. Os esquemas táticos em que esses atletas eram mais utilizados (4-3-1-2 e 3-4-1-2) perderam sua vez, com o 4-2-3-1 e o 4-3-3 ganhando mais espaço, que é o acontece mundialmente. Ou seja, também na Premier League.
Quem primeiro adotou esse termo do “camisa 8.5” foi o jornal The Athletic, que informou essa nova vertente no Arsenal, no Liverpool e no Manchester City. Versatilidade é uma palavra que se aplica a Havertz, Gakpo e Álvarez. O trio não se limita a ser um 10 na equipe de cada um, já que são importantíssimos na recomposição. O futebol de elite de hoje exige intensidade, e eles sabem disso.
Dias benched and Alvarez in midfield. Pep Guardiola and his big bald head has done it again
— ¹⁰ (@SxrgioSZN) March 10, 2024
A maioria dos clubes do futebol europeu chegam ao último terço de campo com uma linha de cinco jogadores perto da grande área. Com isso, eles estão mais próximos uns dos outros do que uma década atrás. Os “experimentos” de Gunners, Reds e Citizens resultam em atletas que sabem ligar o jogo e, mais do que isso, entregam bastantes participações em gols.
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Os papéis de Havertz, Gakpo e Álvarez
Na corrida pela taça da Premier League, Arsenal, Liverpool e Manchester City compartilham uma ideia: ter um jogador que ocupe o centro de ataque, mas que também possam ser inseridos no trio de meio-campo em um 4-3-3. Esses são os papéis de Kai Havertz, Cody Gakpo e Julián Álvarez, que possibilitam inúmeras estratégias para Arteta, Klopp e Guardiola, respectivamente.
Gakpo, por exemplo, já atuou como meia, como ponta, como falso 9 e até mesmo centroavante nos Reds nesta Premier League. Seja por necessidade, ou escolha técnica, o neerlandês abre um leque para o Liverpool, gerando fluidez ao jogo do treinador alemão. Haverz também faz algo parecido nos Gunners, sendo o camisa 8.5 do técnico espanhol.
He’ll come around ⏳
We didn’t give up Núñez, we can’t give up on Gakpo🙏💪pic.twitter.com/lAYpK7XHdy
— Anything Liverpool (@AnythingLFC_) March 18, 2024
Até aqui, o alemão já ocupou o flanco esquerdo do meio-campo do Arsenal. Suas qualidades de ataque são exploradas principalmente quando Zinchenko está na lateral esquerda, permitindo Kai Havertz a avançar pelas costas da defesa adversária. Por fim, se precisar, ele também assume a função de goleador – pisando na área – quando Mikel Arteta o orienta a isso.
Álvarez, centroavante de origem, jogou ao lado de Lionel Messi e assumiu as funções defensivas do gênio na conquista da Copa do Mundo. Isso foi suficiente para o técnico catalão utilizá-lo ao lado de Haaland. Na ausência de De Bruyne, o argentino fez a função de criador dos Citizens, mas também chegou a buscar o jogo ao lado de Rodri, assim como exerceu papel de centroavante sem o artilheiro norueguês.
Algumas ressalvas
Obviamente, o camisa 8.5 traz alguns problemas para as equipes. Trazer atacantes de origem para fechar uma linha de meio-campo às vezes pode enfraquecer as capacidades defensivas de um time. Até porque, um meia mais marcador exerce essa função bem melhor do que um homem de frente, que no máximo está acostumado a pressionar a saída de bola adversária.
🏆 World Cup
🏆 Premier League
🏆 FA Cup
🏆 Champions League
🏆 Super Cup
🏆 Club World CupWhat a year! Julian Alvarez: Standing Alone arrives on CITY+ soon 🇦🇷🕷️ pic.twitter.com/XAg8PnHQLb
— Manchester City (@ManCity) March 12, 2024
Havertz e Gakpo, por exemplo, também atuam como 8.5 devido suas estaturas avantajadas – ambos têm 1,93m de altura. Ou seja, eles podem dar trabalho dentro da área em duelos aéreos, mas sem necessariamente serem centroavantes. Outra ressalva importante é que a “nova” posição não é exclusividade da Premier League. Antoine Griezmann fez boa parte de sua carreira no Atlético de Madrid realizando essas funções híbridas.
Até mesmo o Chelsea da primeira passagem de José Mourinho tinha um camisa 8.5. Na campanha do título inglês de 2004/05, Eidur Gudjohnsen atuava com Didier Drogba buscando mais o jogo no meio-campo, deixando muitas vezes a grande área do rival para ficar ao lado de Frank Lampard e à frente de Claude Makelele. Mesmo assim, é interessante ver como Arteta, Klopp e Guardiola estão se aproveitando dessa ideia.



