Inglaterra

Petr Cech: ‘O Chelsea é um clube completamente diferente do que era’

Histórico goleiro dos Blues questionou diretrizes da atual gestão e defendeu atual dono da meta londrina

Petr Cech viveu 11 temporada da sua carreira defendendo o Chelsea. O goleiro tcheco, que se tornou ídolo e ícone dos Blues, viveu o clube como ninguém, tornando-se o sétimo atleta a mais vezes vestir a camiseta da equipe londrina (494 oportunidades).

Em Londres, Cech conquistou a Premier League quatro vezes, a Champions League de 2012, entre outras glórias, além de garantir estabilidade na meta em momentos difíceis vividos pelo clube.

Agora, o goleiro aposentado afirma que já não reconhece mais o clube que mais defendeu ao longo de sua vida. Para ele, a nova gestão do Chelsea mudou radicalmente o que o ex-arqueiro viveu por anos.

— Pelo que se vê de fora, acho que não dá para comparar, por causa da visão e da forma como o clube opera, como eles querem fazer as coisas. É completamente diferente de como era o Chelsea antes. O que você vê agora, o que o clube faz e, obviamente, o elenco. Muita coisa mudou. Então, é uma abordagem completamente diferente, uma mentalidade diferente. O Chelsea sempre estará no meu coração e quero que eles se saiam bem, mas é um clube diferente — afirmou em entrevista ao “The Athletic”.

Logo depois de se aposentar em 2019, jogando pelo rival Arsenal, Cech assumiu como consultor técnico e de desempenho do Chelsea; No entanto, deixou o cargo em 2022, logo após Román Abramovich, que era dono do clube dura sua passagem, vender o Chelsea.

Um dos principais goleiros da historia do Chelsea e de toda a Premier League, Cech nunca escondeu seu carinho e admiração pelos Blues. Até por isso compreende a frustração dos torcedores em mais uma temporada que vem sendo delicada e tumultuada.

Atualmente, o Chelsea está na nona posição da Premier League, ainda sonhando com uma vaga nas competições continentais, teve troca de dois treinadores — Enzo Maresca e Liam Rosenior –, mas está na grande final da FA Cup, contra o Manchester City.

— O legado do clube foi a conquista de troféus. Então, se você pegar qualquer torcedor do Chelsea que começou a acompanhar o time nos últimos 15 anos, tudo o que eles viram foi sucesso. Quando você passa por um período em que não tem tanto sucesso e as posições na liga não são tão boas, é claro que os torcedores sentem isso. Os torcedores questionam isso, e acho que é exatamente nessa situação que o clube se encontra no momento — disse o ex-jogador.

Petr Cech ex-goleiro do Chelsea
Petr Cech ex-goleiro do Chelsea. Foto: IMAGO / PRiME Media Images

Cech tem dúvidas sobre estratégia do Chelsea

Nos últimos anos, a BlueCo, empresa que administra o Chelsea, investiu aproximadamente 1,5 bilhão de libras (R$10 bilhões) em transferências de jogadores. A ideia do clube era contratar jovens e desenvolvê-los a longo prazo.

Neste cenário, Cole Palmer, Moisés Caicedo e muitos outros foram adquiridos, com a dupla sendo os exemplos mais bem-sucedidos. Outros tiveram dificuldades. Para Cech, essa estratégia é incoerente com as expectativas do clube.

— Você precisa analisar o que quer alcançar. Você pode ter jogadores jovens e talentosos e pode vencer, mas é muito raro conseguir isso. Se você se concentra em trazer jogadores jovens e talentosos e aprimorá-los, isso é uma coisa, mas se você quer vencer todas as temporadas e competir todas as temporadas, isso não combina. Você precisa mudar sua filosofia. Certas coisas não combinam porque, para ganhar uma Liga dos Campeões ou uma Premier League… são competições muito difíceis, e você precisa ser consistente — analisou o ex-goleiro histórico.

— É preciso ter um núcleo forte na equipe. Só então você pode trazer jogadores jovens e talentosos que se desenvolverão mais rapidamente e serão acolhidos pelos jogadores experientes, que os ajudarão a superar os momentos difíceis quando eles surgirem. Quando a maioria do seu elenco é jovem e não tem experiência em passar por momentos difíceis, eles quase se olham pensando: ‘OK, quem vai me ajudar?’ Pode ser difícil para eles. Você precisa perceber em que fase está e o que é necessário — seguiu.

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Goleiros também são analisados por Cech

Desde que o tcheco deixou o clube em 2015, o clube tem dificuldades para encontrar um goleiro que passe confiança, como era o caso dele. Thibaut Courtois, que deixou a equipe em 2018, deixou o clube com grandes méritos e fez parecer que a questão da meta não seria um problema em Londres.

Porém, após a saída do belga, é possível dizer que apenas Edouard Mendy, por um curto período, ofereceu alguma estabilidade ao Chelsea na função.

Nos últimos anos, Gabriel Slonina, Robert Sanchez, Djordje Petrovic, Filip Jorgensen e Mike Penders foram contratados pela gestão da BlueCo. Sanchez é o que vem sendo titular e o que teve mais destaques pelo clube nos anos recentes, no entanto, acumula erros e é constantemente questionado.

— A situação geral não está ajudando os goleiros. Como goleiro, se seu time está com dificuldades, você também tem um problema, porque fica exposto e sofre muita pressão. Isso pode afetar seu desempenho, já que, como goleiro, você depende do trabalho em equipe e da ajuda das pessoas ao seu redor ou do sistema que o cerca — analisou.

— O Rob (Sanchez), dá para ver, tem um potencial enorme, enorme mesmo, e há jogos em que isso fica evidente. Dá para ver a habilidade dele, a capacidade de defender chutes e as defesas que ele consegue fazer em alguns momentos. Mas ele também precisa trabalhar em algumas coisas, como a consistência. Há jogos em que ele obviamente toma decisões erradas, e como goleiro, você sabe, essas decisões ficam bem visíveis — seguiu Cech.

O Chelsea amarga a nona colocação na Premier League com 48 pontos, 10 a menos que o Aston Villa, primeiro clube dentro da zona de classificação para a próxima Champions League. Em busca de garantir alguma vaga continental via campeonato nacional, os Blues enfrentam o Forest, que vive um ótimo momento na competição, na manhã desta segunda-feira (04), às 11h (horário de Brasília).

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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