Premier League

O Chelsea continua sem limites nas apostas, mesmo que Cole Palmer seja promissor

Cole Palmer começou bem a temporada com o Manchester City e brilhou no Europeu Sub-21, mas é mais uma aposta cara do Chelsea num jogador pouco experiente

O Chelsea segue em frente com seu planejamento de colecionar alguns dos jovens mais promissores à disposição na Premier League. Os Blues ainda não frearam suas atividades no fechamento da janela de transferências e, nesta sexta-feira, levaram mais um garoto para Stamford Bridge. Cole Palmer deu algumas mostras de qualidade pelo Manchester City e parecia pronto a ganhar espaço com a saída de Riyad Mahrez, mas os celestes não recusaram a boa proposta que chegou de Todd Boehly. Os londrinos desembolsam €47 milhões para comprar o meia de 21 anos, um valor bastante alto por um atleta que não chega a 20 aparições na Premier League. O novato oferece um pé canhoto habilidoso e doses de elegância, mas é mais uma aposta do Chelsea.

Obviamente há outros fatores que elevam o preço de Cole Palmer, como o fato de ser inglês, dentro da regra que obriga os clubes da Premier League a contarem com atletas formados no país. De qualquer maneira, o valor se mostra bastante elevado dentro das circunstâncias. O Manchester City não é exatamente o clube que tem necessidade de vender seus jogadores, com todo o dinheiro dos proprietários emiratenses. Enquanto isso, fica fácil de esfolar o Chelsea quando Boehly chega a cifras inéditas no mercado. Palmer desembarca sob grandes expectativas em Londres, mas também um preço que resultará em mais pressão. Sua sorte é que não é o único sob essas visão em Stamford Bridge – e nem é o mais caro.

Muito talento desde a base

Nascido em Manchester, Cole Palmer jogou no Manchester City durante toda a sua vida. O jovem é um exemplo do investimento que o clube fez nas categorias de base e deu bons resultados. Progrediu em diferentes níveis dos celestes, com destaque para seu desempenho na Premier League 2, voltada ao segundo quadro dos clubes. Já suas primeiras aparições sob as ordens de Pep Guardiola aconteceram a partir de 2020/21. Primeiro ganhou oportunidades nas copas nacionais e na Champions League. Chamou atenção por, quase sempre com poucos minutos, entregar seus primeiros gols.

A temporada passada foi a primeira em que Cole Palmer realmente se estabeleceu no elenco principal do Manchester City. Foi nome frequente ao menos no banco de reservas e disputou 14 partidas na Premier League. Seus números não impressionaram tanto, com um gol e uma assistência. Entretanto, ganhou mais minutos na reta final do Campeonato Inglês, quanto os Citizens se preparavam para a decisão da Champions. Destacou-se com uma assistência exatamente na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, num time cheio de garotos.

O atual verão foi ainda mais produtivo para Cole Palmer. Primeiro, pelo destaque na seleção sub-21 da Inglaterra. O meia ganhou a posição de titular durante o Campeonato Europeu Sub-21 e se tornou um dos responsáveis diretos pelo título. Participou de todos os gols da equipe na semifinal e na final, com um tento e três assistências. Guardiola também aproveitou para lançá-lo nos primeiros compromissos da nova temporada com o Manchester City. O garoto marcou gols na Community Shield e também na Supercopa da Europa, com grande atuação diante do Sevilla.

A tendência era de que Cole Palmer fosse melhor aproveitado pelo Manchester City nesta temporada, especialmente após a venda de Riyad Mahrez. Nas três primeiras rodadas da Premier League, disputou um jogo, saindo do banco contra o Burnley. Porém, o interesse do Chelsea tornou a venda do garoto interessante para os celestes – até porque o dinheiro dos pratas da casa costuma ter mais peso nos cálculos do Fair Play Financeiro. O dinheiro recebido já foi reinvestido na contratação de Matheus Nunes, que atua numa posição diferente, mas é mais tarimbado em alto nível. Enquanto isso, Palmer tentará se transformar numa fonte de inspiração para os Blues. Ajuda o fato de ser encaixado em diferentes posições na ligação, como meia ou ponta. Sua criatividade será valiosa.

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O mercado do Chelsea

A questão para o Chelsea é que o time parece um tanto quanto saturado. Cole Palmer vem para brigar por posição. A lesão de Carney Chukwuemeka pode acelerar a participação do novo contratado. De qualquer maneira, a faixa de campo onde atua ainda conta com outros jovens de talento como Noni Madueke e Mykhaylo Mudryk. Vai depender bastante da maneira como Mauricio Pochettino vislumbra o time, embora o novato tenha características que o distinguem mais como um meia criativo e com ótima finalização do que como um ponta veloz. É o seu trunfo dentro do novo ambiente. Será interessante também a combinação com Raheem Sterling, seu velho conhecido no Estádio Etihad.

Com a vinda de Cole Palmer, o Chelsea totaliza €464 milhões em reforços nesta janela de transferências. Os maiores gastos aconteceram no meio-campo, especialmente com as compras de Moisés Caicedo (Brighton), Roméo Lavia (Southampton) e Lesley Ugochukwu (Rennes) para a cabeça de área. O ataque ganhou boas peças com Christopher Nkunku (RB Leipzig), Nicolas Jackson (Villarreal) e Deivid Washington (Santos). Já na defesa, o goleiro Robert Sánchez (Brighton) e o zagueiro Axel Disasi (Monaco) foram as principais adições. O clube ainda garantiu a vinda de Ângelo, do Santos, mas o emprestou de imediato para o Strasbourg, de mesmos donos.

É verdade que o Chelsea também ganhou dinheiro nesta janela, com €260,7 milhões em vendas. Os Blues aproveitaram para fazer uma limpa no elenco, que se valeu de ofertas dilatadas de outros clubes da Premier League por nomes como Kai Havertz, Mason Mount e Mateo Kovacic. Também ajudaram as saídas para a Arábia Saudita ou mesmo para clubes da Europa continental. A folha de pagamentos se reduziu ainda mais pelas despedidas de tantos medalhões. Mesmo assim, a estratégia de mercado dos londrinos é bastante agressiva desde a chegada de Todd Boehly ao controle do clube na temporada passada.

Somando as três últimas janelas de transferências, o Chelsea gastou €1,075 bilhão desde a vinda de Todd Boehly. Há um déficit no mercado de €747,1 milhões no período. O clube busca um número imenso de jovens promessas, que ainda podem crescer e se valorizar no futuro. A aposta é num time que renda em alto nível durante longos períodos, até pela duração dos contratos assinados. Porém, olhando para o elenco atual, os Blues não sugerem uma equipe com esse valor todo. Será necessária paciência para que muitos desses garotos se afirmem em Stamford Bridge. A questão é que a pressão no futebol não costuma dar muita trégua, especialmente quando os investimentos são inversamente proporcionais à pressa por resultados. O Chelsea busca um caminho diferente e é preciso compreender isso, inclusive dentro do próprio clube.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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