Respiro na Premier League, sonho europeu: Como Vítor Pereira transformou o Forest em tempo recorde
Vitória sobre o Aston Villa abre vantagem na semifinal da Liga Europa e reforça reação do Forest em duas frentes
O Nottingham Forest segue vivo em duas frentes que, até pouco tempo atrás, pareciam incompatíveis. Nesta quinta-feira (30), venceu o Aston Villa por 1 a 0, no City Ground, e largou na frente na semifinal da Liga Europa. O resultado reforça uma sensação que vem se consolidando nas últimas semanas: o time encontrou um caminho sob o comando de Vítor Pereira.
Quando o treinador português assumiu, em 15 de fevereiro, o cenário era de urgência. O Forest, que já havia despedido Nuno Espírito Santo, Ange Postecoglou e Sean Dyche, ocupava a 17ª colocação da Premier League, apenas três pontos acima da zona de rebaixamento. Não havia margem para grandes experimentos — era preciso organizar a casa rapidamente.
Dois meses e meio depois, o time ainda não decolou na tabela, mas ganhou fôlego: aparece em 16º, agora cinco pontos acima do Z3, com quatro rodadas restantes. Mais importante do que a posição é a curva de desempenho. Em 15 jogos, são sete vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Números que, isoladamente, não impressionam. Mas o contexto muda a leitura.
O Forest passou a competir melhor, somou pontos em cenários improváveis e, sobretudo, abandonou a sensação de desorganização constante. O empate por 2 a 2 contra o Manchester City no Etihad Stadium, a vitória por 3 a 0 sobre o Tottenham em Londres e o contundente 5 a 0 diante do Sunderland fora de casa são retratos claros dessa mudança.
Ao mesmo tempo, a campanha europeia ganhou corpo. Eliminou o Fenerbahçe na fase inicial do mata-mata, passou pelo Midtjylland nos pênaltis e despachou o Porto nas quartas de final. Agora, com a vantagem construída diante do Villa, começa a enxergar com mais nitidez a possibilidade de voltar a conquistar um título internacional — algo que não acontece desde o bicampeonato da Champions League em 1979/80.
Vítor Pereira no Forest: arrumar a casa antes de encantar
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A primeira intervenção de Vítor Pereira foi simples, mas decisiva: dar estrutura.
O Nottingham Forest que ele encontrou era um time reativo por necessidade, mas desorganizado por hábito. A equipe defendia baixo, não conseguia sustentar posse e frequentemente recorria ao jogo direto sem critério. O português não tentou reinventar o elenco — ajustou funções.
A base tem sido um 4-2-3-1, com dois meio-campistas (Ibrahim Sangare e Elliot Anderson) responsáveis por dar saída limpa. A ideia não é dominar jogos por longos períodos, mas evitar a entrega constante da bola. O Forest passou a escolher melhor quando acelerar e quando baixar o ritmo, algo essencial para um time que briga na parte de baixo da tabela.
Sem a bola, a mudança também é perceptível. A equipe ficou mais compacta e agressiva na pressão, especialmente em momentos específicos do jogo. Não é uma pressão alta constante, mas coordenada. O time sabe quando subir as linhas e quando proteger a própria área — e isso, por si só, já reduziu a sensação de descontrole que marcava o time anteriormente.
Há também um pragmatismo evidente. Em alguns jogos, Vítor Pereira abriu mão do 4-2-3-1 e utilizou um 4-4-2 mais direto, explorando cruzamentos e bolas longas. Não por convicção estética, mas por leitura de cenário. Foi assim em vitórias importantes, como a goleada sobre o Sunderland, em que a verticalidade apareceu como arma principal. O sistema, portanto, não é fixo — é funcional.
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Mais presença e lógica no ataque
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Se sem a bola o Forest ficou mais confiável, com ela o avanço é mais funcional do que vistoso. A equipe ainda não se destaca pela criatividade, mas passou a atacar com mais critério. Hoje, ocupa melhor os espaços, distribui o jogo com mais lógica pelos lados e chega ao último terço com referências mais definidas.
Nesse ponto, o elenco oferece alternativas. Igor Jesus vinha sendo o principal centroavante da equipe desde o início da temporada, com desempenho consistente independentemente da troca de comando — Vítor Pereira já é o quarto técnico da equipe em 2025/26.
Já Chris Wood, após retornar de lesão grave no joelho, passou a ser reintegrado gradualmente. Contra o Aston Villa, os dois atuaram juntos, evidenciando uma das soluções encontradas por Pereira: aumentar presença na área a depender do adversário em questão.
A utilização dos pontas e do meia central também ficou mais racional. Em vez de jogadas isoladas, o Forest passou a construir ataques com alguma progressão, ainda que simples. Cruzamentos seguem sendo uma arma importante, assim como bolas paradas, mas agora inseridas dentro de um plano — não como único recurso.
Essa combinação de controle básico com verticalidade pontual ajuda a explicar a campanha recente. O Forest não virou um time dominante, tampouco sofisticado. Ainda oscila, ainda depende de momentos e ainda convive com limitações técnicas claras, mas passou a ser competitivo de forma consistente.
Entre a luta contra o rebaixamento na Premier League e a surpreendente caminhada europeia, Vítor Pereira construiu algo raro em pouco tempo: um time que sabe o que fazer em campo. Pode não ser suficiente para encantar, mas tem sido suficiente para manter o clube de Nottingham vivo.