Inglaterra

Mais problemas para o Everton? ‘Financiador’ da 777 Partners é acusado de fraude nos EUA

De acordo com o 'Josimar', empresa que emprestou dinheiro para a 777 Partners, dona do Vasco, comprar o Everton, é controlado por homem que responde processo por fraude financeira

Enquanto o Everton vive uma de suas piores crises na história, a 777 Partners segue confiante de que vai conseguir concluir o negócio da compra do clube em breve. Até perto do Natal, para ser mais específico. De acordo com o site norueguês “Josimar”, a dona da SAF do Vasco já está trocando documentos com os advogados do clube inglês para finalizar a aquisição do time que luta contra o rebaixamento na Premier League. Mas o dinheiro que será usado na compra do Everton parece estar vindo de uma fonte nem tanto confiável.

Essa confiança por parte da 777 Partners de que o negócio será fechado se dá porque a empresa americana já teria conseguido levantar 350 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) para a compra do Everton. A fonte do dinheiro seria um empresa de seguros chamada Haymarket. E este valor poderia chegar até 500 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões). No entanto, estes números ainda estão longe dos especulados pela imprensa inglesa. De acordo com a mídia local, o negócio deve girar em torno de 600 milhões de libras (R$ 3,7 bilhões) por 94,1% das ações do clube.

O problema é que a Haymarket, fundada em 2015 no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, pertence a Kenneth King, o mesmo empresário que comanda A-CAP. Esta outra empresa é uma das principais credoras da 777 Partners. Recentemente, o mesmo “Josimar” revelou que a 777 deve cerca de US$ 338 milhões (cerca de R$ 1,6 milhões) à A-CAP.

A 777 Partners estaria encontrando dificuldades em conseguir capital externo para os seus investimentos no futebol. Kenneth King tem sido a única fonte do dinheiro levantado para os clubes da empresa americana, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos negócios.

‘Financiador' da 777 é acusado de fraude nos Estados Unidos

Além disso, Kenneth King é réu em um processo civil em andamento nos Estados Unidos. Na denúncia, o empresário e o vice-presidente da A-CAP, Daniel Cathcar, além de outras pessoas, estariam envolvidas em um esquema de fraude que teria causado um prejuízo de mais de US$ 135 milhões (R$ 657 milhões) à Great Western, uma empresa de seguro domiciliar de Utah, nos Estados Unidos.

De acordo com a Great Western, todos os acusados mantinham ligações entre si e faziam negociações internas, sem o conhecimento da companhia. O esquema seria feito com outra companhia de seguro e gestores de investimentos controladas pelos réus. King e os outros suspeitos negam as acusações. O processo foi aberto em 2018 e está em andamentos nos Estados Unidos até hoje.

Todas essas informações aumentam ainda mais as dúvidas – ou certezas – sobre o quão misteriosa é a origem do dinheiro da 777 Partners, que comanda, além do Vasco, o Hertha Berlin, da Alemanha, o Genoa, da Itália, o Standard de Liège, da Bélgica, o Red Star, da França, e o Melbourne Victory, da Austrália. Além disso, o grupo tem uma pequena porcentagem do Sevilla, da Espanha.

Kenneth King e a 777 Partners preferiram não comentar sobre a negociação e as acusações. No entanto, de acordo com o “Josimar”, um porta-voz da 777 se recusou a negar que a Haymarket estaria financiado parte do dinheiro para a compra do Everton.

Dono da 777 Partners, Josh Wander (de boné) acompanhou partida do Everton em Goodison Park (Foto: Icon sport)

Compra do Everton seria maior – e mais difícil – passo da 777 Partners

A possível compra do Everton é vista pela 777 Partners como o seu maior passo nesta empreitada no mundo do futebol. A aquisição de um clube da Premier League iria aumentar ainda mais o valor do portifólio da empresa e também seria um “recado” para o mercado.

Mas, para isso, a 777 tem enfrentado problemas. As conversas entre a empresa e o empresário britânico-iraniano Farhad Moshiri, ex-dono do Everton, se iniciaram ainda no primeiro semestre. Em setembro, as partes anunciaram a negociação envolvendo 94,1% das ações do clube. Mas, até o meio de outubro, o processo estava estagnado porque a 777 não havia apresentado demonstrações financeiras auditadas ao órgão regulador do governo do Reino Unido, o que poderia até ter feito o negócio fracassar.

Depois, a 777 Partners apresentou os documentos, mas o atraso pode fazer com que o negócio só seja fechado em 2024. Isso, é claro, se a 777 for aprovado pela “Financial Conduct Authority” (“Autoridade de Conduta Financeira”), pela Premier League e pela Football Association, o que também não deve ser fácil. Recentemente, a Premier League introduziu novas diretrizes em seu teste para proprietários e diretores em março. Quando comprou o Standard de Liège, a 777 viveu problema parecido, mas conseguiu contornar em uma negociação um tanto quanto misteriosa.

Dono da 777, Josh Wander cumprimenta Farhad Moshiri, ex-proprietário do Everton (Foto: Icon sport)

No Vasco, a 777 Partners também tem vivido uma relação conturbada. Entre setembro e outubro, os americanos atrasaram o pagamento de um aporte de R$ 120 milhões e parcelaram o pagamento no dia final do prazo para o recebimento do dinheiro por parte do clube carioca. O episódio gerou criticar por parte da diretoria e da torcida, que vive com um pé atrás em relação a 777, dona de 70% das ações da SAF vascaína.

A possível compra pela 777 Partners pode ser só mais um problema para os torcedores do Everton. Na última semana, a Premier League anunciou a decisão de punir os Toffees com a perda da 10 pontos na tabela de classificação da atual temporada por violar as regras do fair play financeiro da liga sobre rentabilidade e sustentabilidade do clube durante a temporada 2021/22. Agora, o Everton aparece em penúltimo lugar na Premier League, com apenas quatro pontos em 12 jogos. Antes, o clube era o 14º colocado.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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