Brasileirão Série A

Em mais uma situação que levanta dúvidas, 777 Partners ‘parcela’ aporte ao Vasco

Perto do fim do prazo para o pagamento do segundo aporte, empresa americana transferiu para o Vasco apenas uma parte do valor previsto em contrato

Depois de um dia de apreensão, o Vasco recebeu, nesta noite, uma parte do aporte da 777 Partners que era esperado para esta quinta-feira (5). Em mais uma negociação no mínimo estranha, a empresa americana transferiu 35% do valor e informou a SAF e a Associação que o restante do pagamento chegará nas contas do Vasco da Gama SAF até esta sexta-feira (6). A informação foi dada inicialmente pelo “Lance!”.

Por contrato, a 777 Partners deveria ter feito o aporte de R$ 120 milhões até o dia 5 de setembro, quando a assinatura do contrato de venda da SAF completou um ano. No entanto, o acordo tinha um prazo de carência de 30 dias, que se encerrava nesta quinta-feira. Assim, com juros e correções, este montante passou para R$ 126 milhões.

A 777 Partners já havia adiantado R$ 16 milhões na última janela de transferências. Depois de um dia de expectativa, a empresa americana transferiu R$ 38,5 milhões para o Vasco. Ou seja, 35% dos R$ 110 que ainda restava do aporte. Dessa forma, o clube carioca ainda precisa receber R$ 71,5 milhões nesta sexta-feira. A informação recebida pelo clube é de que o dinheiro será remetido de outras contas no exterior.

A demora no pagamento e este “parcelamento” gerou uma certa apreensão, mas o Vasco acredita que receberá o restante do pagamento, de fato, nesta sexta. Depois de um período de relação estremecida entre Associação e SAF, as partes vivem um novo momento de aproximação. E a Associação também tem uma boa comunicação com a 777 Partners.

Vasco pode retomar o controle de 51% das ações da SAF, caso a 777 não efetue o pagamento (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Entenda o negócio entre Vasco e 777 Partners e como são os aportes

Em 2022, o Vasco acertou a venda de 70% das SAF do clube para a 777 Partners por R$ 700 milhões, com a empresa também assumindo até R$ 700 milhões da dívida do clube. No primeiro ano, os americanos fizeram um “empréstimo-ponte” de R$ 70 milhões em fevereiro, quando foi iniciada as negociações, e, em setembro, quando assumiu o controle do futebol do clube, a 777 pagou outros R$ 120 milhões.

Em setembro de 2023, quando o acordo completou um ano, a 777 Partners deveria ter transferido o segundo aporte de R$ 120 milhões. Nesta quinta-feira, foi feito o pagamento de uma parte deste valor. Em setembro de 2024, a 777 deverá fazer mais uma aporte de R$ 270 milhões e, no ano seguinte, um último pagamento de R$ 120 milhões. Depois do pagamento dos R$ 700 milhões, o planejamento é de o “Vasco SAF” seja autossutentável.

Atualmente, a 777 Partners tem 19% das ações da SAF. O restante, até completar os 70%, serão repassados até a empresa concretizar o pagamento dos R$ 700 milhões. Quando finalizar este segundo aporte, o que é esperado para esta sexta-feira, a 777 vai incorporar mais 12% das ações, totalizando 31%.

Caso a 777 Partners não faça o pagamento no prazo, o Vasco, que detém 30% das ações da SAF, pode notificar a empresa. Assim, o grupo teria mais 30 dias para completar o aporte. Caso isso não seja feito, o Cruz-Maltino pode comprar 51% das ações por um valor simbólico de R$ 1 mil, retomando o controle da SAF. Assim, o Vasco poderia negociar as ações com outros investidores ou voltar a tomar conta do futebol do clube.

777 aposta na compra de clubes tradicionais e ëm baixa” no mercado, como o Hertha Berlin e o Everton (Foto: Icon sport)

777 Partners tem negociações polêmicas e foi alvo de denúncias

Em meio as negociações pela compra do Everton, da Inglaterra – agora já efetivada -, a 777 Partners foi alvo de denúncias por parte da imprensa europeia. Em julho, o site norueguês “Josimar Football” publicou um longo artigo com o título “The 777 football mistery” (“O mistério do futebol da 777). A matéria detalhava alguns bastidores das operações da empresa americana no mundo do futebol. Há indícios de que o grupo 777 não é viável financeiramente, enquanto o texto também trazia indagações sobre a origem do dinheiro. Segundo um ex-funcionário que não se identificou, o montante movimentado pelo fundo de investimentos é sempre o mesmo, indo para diferentes clubes a fim de oferecer garantias na compra.

A própria negociação com o Everton também virou polêmica. Acionista minoritários criticaram a venda do clube e acusaram Farhad Moshiri, empresário britânico-iraniano e agora ex-dono do Everton, de não os consultar sobre a venda. A situação ainda precisará passar por uma avaliação da Premier League.

Além do Everton, a 777 Partners também é dona do Hertha Berlin, da Alemanha, do Genoa, da Itália, Standard Liège, da Bélgica, e do Red Star, da França. Recentemente, a empresa também comprou o Melbourne Victory, da Austrália. Além disso, a 777 também tem uma pequena participação (5%) do Sevilla, da Espanha.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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