Inglaterra

David Moyes fez história e marcou época no West Ham, mas desempenho era aquém

Após quatro anos e meio, David Moyes deixará o West Ham com legado, títulos e feitos históricos, apesar de desempenho abaixo

Tem sido uma bonita, duradoura e histórica passagem de David Moyes no West Ham desde dezembro de 2019, quando substituiu Manuel Pellegrini. Mas tudo acabará ao término desta temporada, quando finaliza o contrato do treinador, confirmaram os Hammers em comunicado divulgado nesta segunda-feira (6). Toda imprensa inglesa garante que o espanhol Julen Lopetegui será o técnico do clube londrino para 2024/24.

– Gostei muito de trabalhar com todos no West Ham e gostaria de agradecer à diretoria por me dar a oportunidade de dirigir este grande clube. Desfrutei de quatro anos e meio brilhantes no West Ham e o clube está numa posição mais forte do que quando voltei [para uma segunda passagem] em 2019. – disse o técnico escocês ao site oficial do West Ham.

Com apenas mais dois jogos pela Premier League 2023/24, Moyes se despedirá da torcida no London Stadium já neste sábado (11), quando recebe o Luton Town pela 37ª rodada. A partida final é contra o Manchester City, no Etihad Stadium, em 19 de maio.

Como disse o experiente de 61 anos, ele mudou o clube de patamar nesses quatro anos. Pegou um time que lutava contra o rebaixamento, inicialmente o manteve na primeira divisão e, ao passar das temporadas, o tornou presença frequente em competições europeias — pela primeira vez na história, os Hammers se classificaram para três de forma consecutiva. Ainda deu para fazer história ao quebrar um tabu de 43 anos sem título.

Confira neste especial da Trivela os vários pontos altos e alguns baixos da histórica passagem de David Moyes pelo leste de Londres.

Os pontos altos da passagem de David Moyes no West Ham

Título da Conference League e alma lavada após 43 anos

No Brasil, times entram em crises com alguns anos sem conquistar um título. Imagine ser um torcedor que passou mais de quatro décadas sem saber o que é gritar “é campeão”. Bom, foi isso que aconteceu com o West Ham. Desde a Copa da Inglaterra de 1980, o clube londrino não venceu mais nada de importante até 2023. Isso mudou justamente sob comando de David Moyes, e ainda com uma competição da Europa, a primeira desde Recopa Europeia de 1965.

O início da trajetória daquela Conference League de 2022/23 deu indícios do que viria pela frente. A equipe terminou o grupo B com 100{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} de aproveitamento, batendo duas vezes Anderlecht, Silkeborg e FCSB. Como a terceira competição continental, não encontrou adversários muito complexos no começo do mata-mata: venceu por 6 a 0 no agregado o AEK Lamaca, do Chipre, e goleou o Gent por 4 a 1 após empatar a ida. Na semifinal, venceu as duas contra o AZ e avançou para decisão.

Aí, na final, encontrou o adversário mais pesado de toda a campanha. Cerca de 20 mil ingleses invadiram Praga e viram a Fiorentina fazer jogo duro e bem equilibrado. Quando o time de Moyes abriu o placar de pênalti com Saïd Benrahma no segundo tempo, a Viola tratou de igualar cinco minutos depois. No fim, o brasileiro Lucas Paquetá, um dos grandes jogadores comandados pelo escocês nesses quatro anos, desequilibrou com um passe perfeito para David Bowen marcar o gol que quebrou o ingrato jejum. Foi uma festa histórica, a mais marcante do clube neste século.

A chegada e o primeiro objetivo concluído

Quando assumiu os Hammers no fim de 2019, Moyes encontrou o time na 17ª colocação, uma acima do Z3, com 19 pontos, apenas um a mais que o Aston Villa. Apesar de uma estreia perfeita, vencendo o Bournemouth, rival direto pela luta contra as últimas posições, por 4 a 0, o escocês não encontrou facilidade para mobilizar o elenco. Tanto que não venceu nos sete jogos seguintes e só voltou a conquistar três pontos no fim de fevereiro. Após isso, bateu Chelsea, Norwich e Watford, resultados essenciais para livrar a equipe de cair para segunda divisão.

Desde o início, vimos um time que apostava em ficar pouco com a bola e ser vertical nos ataques, sempre com Michail Antonio, importante para o time até hoje. No entanto, esse estilo seria a marca do time nos quatro anos seguintes e, na ausência de resultados, minou a paciência do torcedor.

Os resultados impressionantes na Premier League

A temporada 20/21 entregou o “prime” do West Ham de David Moyes. Levar um time do 16º na primeira temporada para o 6º logo na seguinte é de um mérito gigante, deixando para trás apenas a dupla do norte de Londres Arsenal e Tottenham. Não foram contratadas grandes estrelas em comparação ao grupo que lutou contra o rebaixamento, mas eles quase foram para a primeira Champions League da história – faltaram apenas dois pontos, mas a ida para Liga Europa já valeu demais.

Na temporada seguinte, novamente a briga pelas competições europeias e a conquista de um justíssimo sétimo lugar, confirmando a primeira e até hoje única ida para Conference, que terminou como histórica.

Competitividade na Liga Europa

Na primeira experiência europeia à frente do West Ham, Moyes entregou uma gigante campanha. Foi quase perfeito no grupo A, perdendo apenas uma vez e empatando outra. Como líder da chave, pegou o pesado Sevilla, especialista na competição, e saiu de uma derrota mínima na ida para virar a desvantagem em Londres. Na sequência, eliminou o Lyon e só caiu na semifinal para Eintracht Frankfurt, quem terminaria como campeão daquela edição.

Na atual temporada, voltou a competição e não fez feio. Eliminou o Freiburg com uma belíssima goleada por 5 a 0 e foi eliminado pelo Bayer Leverkusen nas quartas, o que não é nenhum demérito, ainda mais por ser o único time invicto na Europa.

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Os pontos negativos

Conservador, Moyes não deu repertório ao West Ham

Mas nem tudo foram flores, especialmente quando falamos em desempenho e futebol jogado. Poucas vezes vimos o West Ham desempenhar de forma regular e realmente dominar os jogos. Inicialmente, fazia sentido ter um time talhado ao contra-ataque. Só que com o passar do tempo, o elenco passou a ter mais qualidade, e o trabalho não saia do lugar, faltando repertório tático.

Uma estatística que exemplifica isso é a de posse de bola. Nas cinco Premier Leagues com Moyes, o West Ham nunca esteve entre os 10 times que mais tinham a bola em média. Na primeira o número foi 43.9{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db}, seguido por 42.7{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} (20/21), 47.7{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} (21/22), 41.7{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} (22/23) até chegar aos 40.7{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} (23/24), dados comuns para times modestos, de baixo orçamento e sempre na parte debaixo da tabela, não de quem teve o 18º maior faturamento do mundo em 2023 (275,1 milhões de euros, segundo a Deloitte).

West Ham de David Moyes se notabilizou por ser um time muito conservador e talhado apenas para contra-atacar (Foto: Icon Sport)

É chocante ver um elenco que tem Paquetá, Mohammed Kudus, Antonio, Bowen, James Ward-Prowse e outros talentos ficar com a bola 40{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} do tempo em todo jogo. E ainda não quer dizer que os Hammers se defendem super bem. Nas cinco edições com Moyes, a equipe nunca ficou entre as 8 melhores defesas.

Nova luta contra o rebaixamento na temporada passada

Na temporada passada, conciliando o Campeonato Inglês com a Conference, o West Ham voltou a lutar contra o rebaixamento, fato que não acontecia desde 2019/20. Foram algumas semanas no Z3, saindo e entrando, e só realmente se safaram da “zona da confusão” na 37ª rodada.

As duras goleadas de 23/24

O sistema defensivo, que já não era absoluto, passou a ser uma peneira na temporada atual. Desde agosto do ano passado, a equipe sofreu diversas goleadas: 6 a 0 do Arsenal, 5 a 0 do Fulham e do Chelsea, 5 a 1 do Liverpool e 4 a 1 do Aston Villa. Parte da torcida perdeu a paciência e se tornou comum ver a hashtag “Moyes out (fora)” nas redes sociais.

Os feitos da segunda passagem de David Moyes no West Ham

  • 228 jogos, 102 vitórias, 43 empates e 83 derrotas, média de 1,57 pontos
  • 361 gols marcados e 316 sofridos
  • Campeão da Conference League 2022/23
  • Semifinalista da Liga Europa 2021/22
  • 6º colocado na Premier League 20/21 e 7º em 21/22
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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