Premier League

Ao recontratar Moyes, West Ham admite a desilusão com um projeto que não saiu do papel

Diante da sequência ruim na Premier League, o West Ham anunciou a demissão de Manuel Pellegrini neste sábado. Entretanto, a criatividade da diretoria dos Hammers deixou a desejar na busca por um substituto. Os londrinos deram um passo para trás e recontrataram David Moyes, justamente o antecessor de Pellegrini. Apostarão no escocês para ver se ele conseguirá salvar a lavoura, num momento em que a equipe sofre a ameaça do rebaixamento.

Ao longo de um ano e meio à frente do West Ham, Pellegrini não conseguiu empreender a revolução esperada no Estádio Olímpico de Londres. O chileno ganhou reforços de peso durante sua estadia nos Hammers e teve algumas sequências razoáveis, mas nunca conseguiu se estabilizar à frente da equipe. A décima colocação na temporada passada caracterizava bastante o trabalho mediano. Já na atual campanha, a venda de Marko Arnautovic representava uma perda significativa, embora os londrinos tenham buscado reforços pontuais. Nada suficiente para Pellegrini deslanchar.

A primeira metade da temporada do West Ham é tumultuada. Há vários problemas no clube, incluindo o excesso de lesões, os reforços que não se encaixaram, os protagonistas que caíram de produção e as escolhas equivocadas do treinador. A derrocada de Pellegrini se acentuou a partir da contusão de Lukasz Fabianski, que carregava o time, para a desastrosa entrada de Roberto Jiménez no gol. Com somente duas vitórias nos últimos três meses e a um ponto da zona de rebaixamento, a demissão tornou-se esperada. A derrota para os reservas do Leicester selou o adeus do treinador, que conquistou apenas 43% dos pontos disputados pelo clube.

Surpreendente é a escolha de David Moyes. Rebaixado com o Sunderland, o técnico foi contratado pelo West Ham a primeira vez em novembro de 2017. A situação dos Hammers era até pior que a atual, quando o time já aparecia no Z-3 da Premier League. O trabalho demorou um tempo para engrenar, mas o segundo turno razoável manteve os londrinos a salvo, no 13° lugar da tabela. Todavia, ao final do contrato de seis meses, o clube não demonstrava tanta confiança em Moyes. Depois de namorar com outros comandantes, o West Ham fechou com Pellegrini. Já o escocês não conseguiu outro emprego desde então.

“É fabuloso estar de volta. É ótimo estar em casa. Eu senti falta daqui, porque realmente aproveitei minha passagem pelo clube. Gostava de ir ao estádio e ser parte deste mundo. Tinha saudades do West Ham, então mal posso esperar para começar. Estou orgulhoso de voltar, mas o mais importante é ver o que posso melhorar, como podemos obter vitórias com estes jogadores e como conseguir uma guinada imediata. Acredito que este elenco é melhor do que o elenco que assumi em 2017, então estou ansioso para trabalhar com eles”, declarou Moyes, durante sua reapresentação neste domingo.

Em seu retorno a Londres, Moyes encontrará um plantel razoável. O West Ham não possui uma equipe de encher os olhos, mas há boas opções em todos os setores e alguns jogadores subaproveitados. Se realmente não parece time para lutar pela metade de cima da tabela, como se vislumbrou por um tempo com Pellegrini, os Hammers podem se safar dos riscos com certas sobras. Para tanto, recontratam um comandante que conhece o ambiente e possui boa relação com vários atletas. Mas o futuro próximo dos londrinos não parece ir além disso.

Moyes chegou a ser especulado no Everton, mas perdeu o posto para Carlo Ancelotti. No próprio West Ham, possui um aproveitamento inferior ao registrado por Manuel Pellegrini. Depois da passagem frustrada pelo Manchester United, não conseguiu grandes perspectivas e os próprios trabalhos seguintes mantiveram seu moral baixo. Ao que parece, os Hammers apostam meramente na salvação, quem sabe para que haja alguma estabilidade depois disso, sem novas megalomanias no mercado.

Moyes não será um treinador para exibir um futebol ofensivo, mas tentará emular a regularidade de seus tempos no Everton. Este, aliás, era o intuito do escocês em sua primeira passagem pelo Estádio Olímpico Londres – quando planejava melhorias estruturais e mais poderes no mercado de transferências. A partir de agora, terá uma nova oportunidade. Resta saber o que representará: o reconhecimento aos planos modestos do West Ham ou o início de uma história diferente. Neste momento, soa bem mais como desilusão dos Hammers, e a torcida tem todos os motivos para permanecer reticente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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