Futebol feminino

Roteiro da vitória do Brasil sobre o Japão mostra evolução psicológica após ‘Era Pia’

Nova mentalidade implementada por Arthur Elias já causa impacto positivo na Seleção Feminina; Brasil encara novamente o Japão neste domingo, às 11h

O Brasil venceu o primeiro amistoso contra o Japão por 4 a 3, na última quinta-feira (30), mas sofreu bastante em alguns momentos do jogo. Dois dos três gols que tomou foram consequências de erros de passe e momentos de clara desconcentração. No entanto, a equipe se recuperou mentalmente e marcou o gol da vitória no finalzinho da partida. Essa é uma conquista significativa para uma seleção que estava acostumada a tomar gols e se abalar emocionalmente. Mérito de Arthur Elias.

Ao longo do ciclo de Pia Sundhage na Seleção Feminina, uma das críticas constantes à treinadora era que ela não conseguia motivar as jogadoras nas partidas em que o Brasil saía em desvantagem no placar ou apresentava um desempenho ruim no primeiro tempo. Inclusive, a atacante Cristiane, não convocada para a Copa do Mundo deste ano, criticou a “apatia” da comandante no banco de reservas, ao longo do torneio, em entrevista recente à Trivela.

Outra atleta que apontou uma postura passiva – e até instável – de Pia Sundhage foi a zagueira Nilla Fischer. Em sua autobiografia, intitulada “Eu não disse a metade” (na tradução livre), a atleta conta que a passagem da treinadora pela seleção da Suécia teve aspectos muito negativos no mental. Fischer afirma que Pia até substituiu o então psicólogo da seleção por uma profissional que se preocupava mais com a saúde mental da treinadora do que das atletas. 

Desde a chegada de Arthur à Seleção Feminina, a criação de uma nova mentalidade e de um psicológico blindado no grupo têm sido prioridades para o treinador. As próprias jogadoras passaram a entender a importância que o novo ambiente teve no desempenho dos três amistosos realizados sob o comando do técnico. 

– Ele era o cara mais preparado, na minha visão, para assumir a Seleção Brasileira. Desde o começo nós falamos sobre isso. Arthur está trazendo um espírito vencedor pra gente, de buscar até o último minuto, fazer o gol. Talvez, não jogando tão bem, como infelizmente aconteceu quando tomamos os gols, mas, sim, a gente tem que se reerguer porque estamos vestindo a camisa da seleção. Então, é sair com a vitória independentemente de qualquer coisa – disse a meio-campista Ary Borges após o amistoso. 

As brasileiras encaram as japonesas novamente, neste domingo (3), no Morumbi, a partir das 11h (horário de Brasília). O Sportv transmite a partida ao vivo.

Falta de ritmo de atletas que jogam nos EUA teve impacto no desempenho

Mas nem só de desatenção foram ocasionados os erros do Brasil. Um ponto que pesou bastante foi a falta de ritmo de algumas jogadoras que atuam na NWSL. A liga norte-americana terminou na segunda semana de novembro e, desde então, Rafaelle, Lauren, Ary Borges, Bruninha, Debinha, Marta, entre outras jogadoras, estavam de férias. 

– Fazendo uma auto análise, eu acho que sofremos um pouco pela falta de ritmo de jogo. Eu estou há quase um mês sem jogar e isso acaba dificultando muito, mas a gente está em uma seleção brasileira. Essas são as melhores do país hoje – ponderou Ary, que atua no Racing Louisville FC, dos EUA. 

– A gente jogou contra uma grande seleção, que tem um nível de intensidade altíssimo, então isso cobra muito mais da gente na nossa parte física.É uma coisa normal e a gente tem que estar acostumado a isso. Eu acho que essa foi a maior dificuldade mesmo, né? Particularmente, para mim, a parte física pesou um pouco. A gente tinha que conseguir estar bem no meio de campo porque a equipe japonesa é uma seleção que usa muito esse setor e eu acho que no segundo tempo a gente foi muito melhor.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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