Futebol feminino

Corinthians feminino usa pressão da Arena a seu favor, tática que o masculino desaprendeu

Equipe feminina do Corinthians aproveitou apoio da torcida para reverter resultado negativo dentro de casa, enquanto a masculina sofreu goleada no mesmo fim de semana

O Corinthians possui uma arma letal nas mãos, principalmente em momentos decisivos: a Neo Química Arena. O time de Itaquera tem uma média de 39 mil torcedores por jogo em casa, só nesta temporada, a maior desde que o estádio foi inaugurado, em 2014. E a equipe feminina não fica de fora do sucesso de público. Por sinal, são as Brabas do Timão que têm aproveitado melhor o incentivo da torcida, enquanto o elenco masculino apresentado repetidos fracassos em seus domínios.

O último resultado do Corinthians na Arena, a goleada vexatória sofrida para o Bahia por 5 a 1 pelo Brasileirão, na última sexta-feira (24), provou que nem mesmo a torcida é capaz de restaurar a confiança de uma equipe abalada (e que precisa de bons resultados para deixar o fantasma do rebaixamento para trás). Já as corintianas souberam usar o apoio da Fiel para reverter o resultado negativo da partida de ida da final do Paulistão Feminino. Na Vila Belmiro, o São Paulo venceu por 2 a 1, de viradamas em casa a história foi outra.

A gente sabe o quanto somos fortes aqui e o quanto a torcida nos incentiva. Esse apoio é fundamental em tudo o que a gente faz. Quando a gente joga na Arena, a gente se sente confiante, empurradas pelo torcedor – afirmou Tamires à Trivela após a conquista do tetra paulista.

A final do Paulistão contou com 39.901 torcedores, o terceiro maior público do Corinthians na Arena, para uma renda de R$ 970.782,20 – o recorde de arrecadação da modalidade.

– Eu acho isso fundamental. Outros times ainda não conseguiram trazer isso para os clubes, mas aqui nós conseguimos. Olhar esse estádio lotado, de público pagante, é muita alegria. Aqui é diferente, a torcida empurra muito e faz a diferença pra gente – disse Katiuscia.

Um ponto interessante da torcida alvinegra é “converter” as adversidades em mais pressão. Foi o que aconteceu quando as Tricolores diminuíram o placar, no segundo tempo da decisão estadual. Dudinha fez um golaço marcar 2 a 1 no placar. Ao invés de se calar diante da reposta, a Arena se inflamou e, no minuto seguinte, o terceiro gol das Brabas aconteceu.

– Falo sempre para quem ainda não teve a oportunidade de jogar no Corinthians, que o torcedor corintiano é diferente. Aqui, eles te apoiam do primeiro minuto até o fim do jogo, ainda mais quando as decisões são aqui na Arena… Não tem como dar errado. A não ser que (o time adversário) pegue a gente em um dia muito ruim, em que a gente esteja muito mal mesmo. Os caras gritam do primeiro ao último minuto e aquilo vai inflamando na gente. Não tem como dar errado – contou Grazi, jogadora que veste a camisa do Timão há oito anos, e se aposenta nesta temporada.

Arena para todas

Três gerações de corintianas da mesma família viram as Brabas fazerem história na Arena, no último domingo. As gêmeas Angélica e Angelina Novelli, professoras no projeto “Muretinhas”, que acolhe crianças carentes da Grande São Paulo por meio do futebol, levaram a avó Natalina e mãe Érica – torcedoras fanáticas do Corinthians – para acompanhar a decisão. Um momento que só pôde se concretizar graças ao futebol feminino.

– Não dá pra vir só mulheres (no jogo do masculino). É muito difícil. Nós quatro já fomos juntas, só nós quatro, em uma partida, mas dá muito medo. Quando fazemos esse tipo de programação, vamos com amigos ou vai mais gente. Nos jogos do feminino nós nos sentimos mais acolhidas, tranquilas. É mais convidativo, inclusive para as famílias – contou Angelina, que é gerente administrativa e voluntária no projeto esportivo que atua em comunidades de Barueri e Osasco, à reportagem.

– Na nossa família, as mulheres são mais torcedoras do que os homens, e é todo mundo corintiano. Não ia ser diferente com a gente – completou Angélica.

Família Novelli comparece à Arena com três gerações de torcedoras do Corinthians (Foto: Arquivo Pessoal)

Recordes atrás de recordes

Por mais que seja a casa do Corinthians, a Neo Química Arena se tornou a casa dos recordes do futebol feminino no Brasil. Dos cinco maiores públicos da modalidade, quatro estão no estádio em Itaquera, inclusive o recorde sul-americano. O Clássico Majestoso foi mais uma oportunidade de um número expressivo entrar na lista.

Veja os recordes de público da Neo Química no futebol feminino:
  • 42.566 – Corinthians 2 x 1 Ferroviária, (Brasileirão 2023)
  • 41.070 – Corinthians 4 x 1 Internacional, (Brasileirão 2022
  • 39.901 – Corinthians 4 x 1 São Paulo (Paulistão 2023)
  • 30.077 – Corinthians 3 x 1 São Paulo, (Paulistão 2021)
  • 28.862 – Corinthians 3 x 0 São Paulo, (Paulistão 2019)
Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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