Futebol feminino

Cris Gambaré fica? Saiba qual é o futuro do departamento feminino do Corinthians

Atual diretora do futebol feminino do Corinthians, Cris Gambaré fala sobre futuro do departamento e continuidade do projeto das Brabas

Pairam dúvidas sobre o futuro do departamento mais bem-sucedido do futebol feminino no Brasil. No último domingo, o Corinthians levantou a quarta taça da temporada na modalidade, a do Paulistão Feminino, em meio a muitas incertezas decorrentes da eleição presidencial do clube. E, agora, a dúvida é: qual o rumo que a modalidade vai seguir no Timão?

Um dia antes da Quádrupla Coroa corintiana, Augusto Melo foi eleito – com maioria esmagadora nas urnas – para ocupar a cadeira de presidente no próximo triênio. O candidato de oposição ao atual mandatário, Duilio Monteiro Alves, não é do mesmo grupo político de Cris Gambaré, a diretora do futebol feminino que foi responsável pelo processo de profissionalização das Brabas do Timão.

Aliás, por Cris ser muito ligada a Duilio, com quem Augusto teve entraves políticos para além da corrida eleitoral, parte da torcida teme que ela seja substituída no cargo. Ao que tudo indica, não há motivo para pânico. Isso porque a diretora tem um planejamento muito bem desenhado para os próximos dois anos de seu departamento, onde pretende permanecer.

O projeto que nós sempre fizemos a longo prazo. Então, já se tem um projeto até 2025 e nós já mostramos isso. Caiba ao novo presidente que venha com um projeto de sucesso, pregar e continuar (o sucesso). Dar continuidade no que já tem sido feito é muito simples, é muito fácil. Só deixar ele assumir e aí para no ano que vem deve existe uma conversa sobre esse assunto. Porque o projeto já tem, é de dois anos. No futebol feminino, sempre se projetou em dois anos para frente ou ano seguinte, né? E eu acho que não dá para mudar isso – disse Cris em conversa com a Trivela após o título paulista.

Olha onde nós conseguimos chegar, onde nós estamos na América do Sul e, na realidade, o mundo nos conhece (o time feminino do Corinthians). É continuar esse projeto duradouro e ir ampliando só algumas estruturas, ampliando algumas outras coisas que são necessárias no futebol – completou.

Fala misógina de Augusto Melo gerou incômodo

Enquanto ainda era candidato à presidência do clube, Augusto Melo teve um áudio de WhatsApp vazado, no qual se referia à assessora da diretoria administrativa, Cíntia Monteiro, de forma machista. A funcionária do Corinthians chegou a registrar um boletim de ocorrência contra ele. O fato gerou incômodo em Cris Gambaré, que atua na vida política no Timão há muitos anos e sempre levanta as bandeiras feministas em seu trabalho.

É uma realidade: nós mulheres estamos ocupando os espaços aos poucos, né? Existe uma sociedade (machista). Eu digo que isso é mundial, porque ainda se tem poucos espaços para um trabalho. Então, incomoda. Eu sei que não é só de um lado, vem de todos os lados, mas aquele momento realmente me incomodou. Eu sei que depois ele pediu desculpas, acho que está sendo tratativa interna lá… De qualquer forma, isso não pode acontecer, nem dentro de um lugar e nem fora – revelou.

 Independentemente se é um momento eleitoral, as mulheres não estão mais admitindo esse tipo de fala. Da mesma forma, o contrário também prevalece, e as mulheres também têm que respeitar os homens. Nós queremos a igualdade, com respeito mútuo, e não de outra forma. Acho que foi uma lição para ambas as partes, de repente, é um ‘start' que muda alguma chavinha para que (a relação) continue de outra forma.

Futebol feminino sustentável (e rentável) é realidade no Timão

A final do Paulistão Feminino gerou mais um recorde para a Neo Química Arena, a casa do futebol feminino no país. A arena corintiana recebeu quase 40 mil torcedores para a maior arrecadação da modalidade em solo brasileiro: R$ 970.782,20. O número é fruto do trabalho a longo prazo de Cris para tornar os jogos das Brabas mais uma fonte de renda no Timão.

Nós projetamos, em 2021, que, em 22/23 começaríamos a vender ingressos. Estamos fazendo e já se mostrou que é possível, mas dá para melhorar mais. Em 24/25, a trajetória é a mesma. Não existe mais a possibilidade de você não ter receita na venda de ingresso, até porque o futebol feminino já é um produto. Então essa continuidade e a manutenção dessa expectativa, de que seja realmente autossustentável, vem desse planejamento. É só continuar. Nós já mostramos que, dentro da arena ou em qualquer outro lugar, a torcida vem, acompanha as Brabas e acompanha com muito êxito. A qualidade de jogo que elas trazem pro campo é excepcional e nós estamos vendo a qualidade, tá? Cada vez aumentando melhorando mais, não só o Corinthians, mas os demais times e é isso que nós queremos.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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