Futebol feminino

Brasil x Japão: saldo positivo em campo não reflete organização do evento, e torcedores se frustram

Torcedores relatam experiências negativas no estádio ou a dificuldade de comparecer in loco para o primeiro amistoso da Seleção

O saldo positivo que a Seleção Feminina levou do campo na vitória por 4 a 3 sobre o Japão, na Neo Química Arena, não foi o mesmo para uma parcela dos 7 mil pagantes em relação à organização. Seja pelo horário ingrato para ir ao estádio, às 15h15 de uma quinta-feira útil, ou pela falta de tato de alguns funcionários, a experiência num jogo de seleção deixou alguns torcedores frustrados.

A Trivela ouviu depoimentos de torcedores nas arquibancadas, conversou com pessoas da organização, e levanta alguns pontos a seguir.

Horário ingrato para uma partida de peso

Foram alguns os relatos de pessoas que não conseguiram acompanhar a partida da Seleção Feminina. Por ser em uma quinta-feira, dia útil, no meio da tarde, houve quem quisesse ir ao estádio, mas não conseguiu conciliar com o horário de trabalho. Foi o caso do jornalista Felipe Abreu, 42, que não conseguiu se desvencilhar do trabalho para ir ao estádio acompanhar a equipe feminina.

– A CBF fez um jogo para ninguém ir, porque não é um horário normal. E a gente viu o resultado… Apenas 7 mil pessoas foram até Itaquera para assistir a Seleção Brasileira – disse Felipe, que sentiu muito não poder acompanhar o jogo.

– Na semana passada (domingo), teve a final do Paulistão com 41 mil pessoas, foi a partida com mais público no final de semana no Brasil inteiro. E, agora, a gente vê um jogo da Seleção, que tem que ter bastante público, com menos de 10 mil pessoas em um estádio em que cabem 44 mil. Tem alguma coisa estanha – completou.

Fontes ouvidas pela reportagem atribuem a questão de horários alternativos das partidas da Seleção Feminina à grade de TV. O mesmo aconteceu em jogos recentes do futebol feminino de outros campeonatos. Se não fosse às 15h15, a partida perderia o apelo para transmissão e também da cobertura das grandes emissoras, que priorizam outros campeonatos nos horários nobres. Por conta disso, a CBF tem colocado a visibilidade nacional da modalidade em primeiro lugar, mesmo que isso venha com a custa de um estádio vazio.

Torcedores reclamam de tratamento da organização

O episódio de pessoas barradas na entrada por usarem camisas de clubes, incluindo uma criança que precisou entrar só de cueca no estádio, não foi o único momento constrangedor. No caso das camisas, a PM foi a responsável, mas, dentro do estádio, foram os funcionários da Primícia Serviços, empresa organizadora do evento, que causaram estresse com torcedores.

A professora Sirlene Alves vai constantemente ao estádio do Corinthians para acompanhar os jogos do time e costuma ficar nas cadeiras da área oeste. Na última quinta, para assistir a Seleção, não foi diferente. Ela comprou ingressos da segunda fileira do bloco 405. Ao entrar na área indicada, ela foi instruída a se sentar cinco fileiras atrás do que indicava no ingresso. O acesso aos assentos foi bloqueado, inclusive por um steward.

A informação passada pela equipe era que o espaço mais, colado na proteção de vidro, onde Sirlene havia comprado seu assento, estava reservado para membros da CBF. No entanto, assim que a partida começou, o local foi liberado e ocupado por outros torcedores.

– Os funcionários foram extremamente mal educados, maltrataram as pessoas. Eu queria entender o que estava acontecendo, porque quando alguém compra um ingresso, a expectativa é que se possa sentar onde comprou. O mesmo aconteceu com outras pessoas que estavam aqui. No fim, liberaram os assentos. Ou seja, só não estavam mesmo deixando a gente sentar – contou Sirlene.

No momento da entrevistava com Sirlene, os mesmos funcionários, sem saber explicar o que havia acontecido com os assentos dianteiros, pediram que a reportagem se retirasse do local pois na área Oeste não permitido ficar em pé durante a partida.

– A gente não podia ficar em pé para ver a partida, nem se levantar no assento por um determinado período de tempo. A forma como fomos tratados aqui, pelo corpo de funcionários, foi muito desagradável. Uma experiência bem negativa – disse Bruna Almeida, mãe do menino Leonardo, que precisou entrar de cueca na arena.

A Trivela tentou contato com a assessoria da Primícia Serviços, que coloca como seus principais clientes a CBF, a Federação Paulista de Futebol (FPF), a WTorre e a própria NeoQuímica, mas até agora não obteve resposta.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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