Brasil

Criança entra só de cueca no estádio em jogo da Seleção após ser barrada por usar uniforme do Corinthians

Em amistoso Brasil x Japão, na Neo Química Arena, pessoas foram proibidas de entrar no estádio usando camisas de clubes

A festa da torcida brasileira foi bonita nas arquibancadas, mas o amistoso Brasil x Japão, na Neo Química Arena, ficou longe de ser tranquilo na organização. Um torcedor mirim precisou entrar só de cueca no estádio, depois que ele e suas mães, Beatriz e Bruna, foram barrados na catraca por usarem uniformes do Corinthians.

– Nós tínhamos outras camisetas [da Seleção Brasileira]. Ela vestiu por cima da camiseta do Corinthians dela e eu estava tão p*** que fiquei me troquei ali mesmo, de sutiã na frente da galera e vesti a minha da seleção. Ele [a criança] entrou de cueca no estádio – contou Beatriz Mancini à Trivela.

As mães de Leonardo Almeida, de três anos, estão acostumadas a levar o filho na Arena, em Itaquera, para assistir aos jogos do time do coração. Porém, assistir à Seleção Feminina era algo inédito para a família. Elas compraram ingressos para o primeiro amistoso contra o Japão e também para o segundo, no Morumbi. O que elas não contavam era que elas teriam que passar por tanto estresse antes do jogo.

– Eu disse a ele que já havia entrado na Arena, inclusive nas Olimpíadas, com camiseta de time. Inclusive com amigas vestindo camisetas de outros times. Eu, quando fico nervosa, eu choro de nervosa. Eu questionei ‘vou fazer o que? o menino vai entrar sem roupa?’. O segurança consultou alguém pelo rádio e essa pessoa confirmou essa orientação. Disse que a torcida do Brasil ficaria no setor Oeste, mas que não poderia entrar de jeito nenhum com camisa de time – desabafou Beatriz.

– Aí meu filho me perguntou ‘mas vou entrar pelado?’. Eu disse a ele que ele estava de cueca, que era assim e que depois veríamos a situação. Ele ficou constrangido. Eu registrei a cena para ter como prova esse absurdo – acrescentou.

E foi exatamente o que aconteceu. Leonardo passou pelas catracas vestindo apenas a cueca e o par de tênis, bastante constrangido e, ao longo do jogo, repetiu diversas vezes para as mães: “Não quero mais entrar no estádio”.

Já dentro acomodada, Beatriz colocou o uniforme de volta no filho e garantiu que, se alguém a questionasse, ela não aceitaria.

– É uma sensação péssima. Eu fiquei muito nervosa. Se tivesse sido emitido um comunicado, se eles falassem que não pode, a gente não viria. Já colocam o jogo no horário que não e favorável e você chega aqui e tem que passar por essa situação. Não vou deixar de ir ao estádio. É muito triste porque é uma criança. Você acha que ele não entendeu, mas ele ficou repetindo que não quer mais entrar no estádio. Por mais que a gente ache que ele não entendeu, deu uma certa traumatizada nele – ponderou a mãe, claramente abalada.

Outras pessoas também foram impedidas de entrar, mas conseguiram contornar a situação colocando as camisetas do avesso ou trocando de roupa na entrada.

Decisão da PM foi equivocada

Segundo apurou a Trivela, a Polícia Militar aplicou o protocolo do Estado de São Paulo, de torcida única, barrando a entrada de pessoas que vestiam camisas de clubes. Ao contrário do que acontece em dias de clássicos, a proibição nas catracas valia para todos os clubes, incluindo o Corinthians, dono da arena.

Porém, a adoção da medida foi equivocada. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que organizou o evento, não solicitou a aplicação de tal protocolo.

A decisão de proibir a entrada de torcedores com camisa de clubes não partiu da Confederação Brasileira de Futebol. Inclusive, a CBF defende a manifestação do torcedor com o uso da camisa de seu time. A própria imprensa é testemunha que em todos os jogos de seleções brasileiras os torcedores usam a camisa do seu time – disse a entidade em nota.

O Corinthians também se manifestou sobre o caso, em comunicado, afirmando que não tem responsabilidade na realização de jogos da Seleção.

A Neo Química Arena está sediando hoje o amistoso da seleção brasileira feminina, jogo esse que é promovido e de responsabilidade da CBF. Pedimos que entrem em contato com a comunicação da Confederação para este caso.

Foto de Livia Camillo

Livia CamilloSetorista

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.

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