Ligue 1

Luis Enrique segue ‘punindo’ Mbappé, enquanto PSG precisa evoluir coletivamente

O 0 a 0 contra o Monaco mostra o quanto o PSG ainda não está na melhor forma coletiva - Mbappé foi substituído no intervalo

Desde que comunicou ao Paris Saint-Germain que sairá do clube ao término da temporada rumo ao Real Madrid, o atacante Kylian Mbappé passou a conviver com algo quase inédito na temporada: ser substituído ou começar os jogos no banco de reserva. Nesta sexta-feira (1), no péssimo empate por 0 a 0 com o Mônaco pela Ligue 1, até iniciou como titular, mas foi sacado logo no intervalo (o que não acontecia desde 2018) e nem no banco ficou. Foi flagrado conversando no celular nos corredores do vestiário e depois foi para as tribunas do Stade Louis II. Questionado recentemente sobre o assunto, o técnico Luis Enrique justificou que “mais cedo ou mais tarde, quando ele sair, teremos que nos acostumar a jogar sem Kylian” – para isso, sua equipe precisa mostrar muito mais tática e individualmente.

Esse “gelo” no atacante francês começou em 17 de fevereiro, quando Mbappé começou no banco contra o Nantes e só entrou aos 16 minutos do segundo tempo – ainda marcou o segundo gol da vitória por 2 a 0. No último domingo (25), até começou como titular, mas foi substituído já aos 19 da etapa final, momento que o PSG perdia por 1 a 0. O francês deu lugar a Gonçalo Ramos, que marcou nos acréscimos o gol do empate. Antes disso, a única vez que o camisa 7 havia sido sacado no meio de um jogo nesta temporada foi por lesão, ainda em setembro do ano passado, na goleada por 4 a 0 sobre o Olympique de Marselha.

Luis Enrique não deveria abrir mão de seu principal jogar, por sua gigante capacidade de decidir jogos (são 32 gols em 35 jogos, além de sete assistências) e ainda mais porque seu PSG simplesmente não evolui. Desde o começo da temporada 2023/24, vemos aquele 4-3-3 que o técnico espanhol adora, os jogadores cumprindo suas funções como exige o jogo de posição, muita posse de bola e só.

Quando um time posicional é mal treinado – ou as ideias são mal executadas – tem muito a bola, há pouca movimentação e não conseguem avançar mais no campo. A posse fica normalmente com o trio que faz a saída de bola, enquanto os pontas ficam estáticos, os meias não avançam no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário e o centroavante não utiliza bem a profundidade e as costas da defesa rival.

Foi esse o cenário por quase todo o jogo de hoje, mas a deficiência ofensiva não foi o único ponto negativo. O PSG sofreu muito com os ataques velozes do Monaco. Por detalhes, Folarin Balogun, Wissam Ben Yedder e outros homens de frente não marcaram gols. Gianluigi Donnarumma brilhou com gigantes defesas. Na etapa inicial, o clube de Paris permitiu que o adversário desse mais de 20 toques em sua área, enquanto só fez o mesmo três vezes na área rival.

O Monaco também incomodou a saída de bola do PSG com uma tremenda pressão no campo de ataque. A equipe de Luis Enrique, por algumas vezes, teve que forçar lançamento ou chutões aleatórios para não perder a bola na defesa. Essa dificuldade lembrou a ida das oitavas de final da Champions League com a Real Sociedad, que pressionou e atrapalhou muito os franceses até o gol de Mbappé.

No entanto, vale citar que na parte final do segundo tempo o Paris Saint-Germain melhorou ao ponto que o dono da casa caiu muito de rendimento. Com Ousmane Dembélé na ponta direita, Bradley Barcola na esquerda e Kolo Muani de centroavante, os espaços passaram a acontecer de forma mais natural. Mas não foi o suficiente para vencer.

Agora, o PSG, que praticamente já é campeão na França – possui 12 pontos a mais que o Brest, que ainda joga na rodada -, foca na Champions, o grande sonho do projeto catari no clube parisiense. Com dois gols de vantagem, visita a Sociedad nesta terça-feira (5) e, se vacilar, pode abrir espaço para equipe bem treinada de Imanol Alguacil tentar esboçar uma reação – apesar da má fase recente dos espanhóis.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
Botão Voltar ao topo