Eurocopa

Wijnaldum vai usar braçadeira de arco-íris em Budapeste e diz que considera deixar o gramado em caso de racismo

Capitão da seleção holandesa fará manifestação por diversidade na capital húngara e pede que a Uefa tome um papel de liderança nessa questão

O meio-campista Georginio Wijnaldum usará uma braçadeira de capitão com um arco-íris no jogo da Holanda contra a Tchéquia, no próximo domingo, em Budapeste. Além disso, o jogador afirmou que o time deixará o campo se sofrer ofensas como Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé sofreram.

O arco-íris é um símbolo da comunidade LGBTQ+ e foi usada também pelo goleiro Manuel Neuer, capitão da Alemanha. A braçadeira do capitão alemão, aliás, chegou a ser investigada pela Uefa, mas o procedimento foi abandonado. A Uefa inclusive proibiu a Allianz Arena de ser iluminada com as cores do arco-íris, a pedido do prefeito de Munique, em protesto contra a lei homofóbica aprovadas na Hungria.

Segundo Wijnaldum, a braçadeira é um símbolo da diversidade. O jogador diz que é, em parte, direcionada à lei aprovada na Hungria que proíbe a disseminação de informações consideradas pró-homossexualidade nas escolas e restringe a mídia de veicular conteúdos que tenham homossexuais em programas direcionados a menores.

No jogo entre Alemanha e Hungria em Munique, um torcedor invadiu o campo com uma bandeira colorida antes do jogo. O autor do gol de empate da Alemanha por 2 a 2, Leon Goretzka, fez um símbolo de coração na direção da torcida húngara. Além disso, publicou em suas redes sociais “Espalhe o amor” comemorando o gol.

O capitão neerlandês, porém, diz que a questão é muito maior que a Hungria. “Não é apenas contra a Hungria. A braçadeira representa muito porque nós apoiamos a diversidade. ‘One Love’ significa que todo mundo é parte disso e todo mundo deveria ser livre para ser quem são”, afirmou. “Na nossa opinião, o direito de ser você mesmo foi invadido. Como jogadores, nós temos uma plataforma para fazer o que pudermos para ajudar”.

A Uefa investiga alegações de ofensas racistas direcionados a Kylian Mbappé no jogo entre Hungria e França, em Budapeste, e também xingamentos homofóbicos contra Cristiano Ronaldo no jogo entre Hungria e Portugal. Wijnaldum afirmou que caso algo similar aconteça no jogo da Holanda pelas oitavas de final, o time poderá deixar o gramado em protesto. Mais do que isso, pediu que a Uefa tome qualquer decisão que seja necessária.

“A Uefa deveria estar lá para proteger os jogadores e tomar essa decisão”, disse Wijnaldum. “Isso não deveria ser deixado para os jogadores. Os jogadores frequentemente são punidos por tentarem se proteger, então a Uefa precisa assumir um papel de liderança nisso”.

“Eu disse que eu realmente não sei como eu irei reagir em uma situação assim. Penso que primeiro eu sairia de campo, mas talvez não agora porque o adversário pode pensar: ‘Deixem que a torcida faça ofensas racistas e eles sairão de campo’. Pode ser o caso de deixar o gramado, mas eu irei falar com os jogadores sobre isso primeiro”.

NA TV

Holanda x Tchéquia
Domingo, 27 de junho, 13h (horário de Brasília)
SporTV

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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