Eurocopa

A imagem do dia na Euro: Por mais cores

Entre bandeiras tremulantes por toda a Allianz Arena, aquela que foi carregada pelo invasor de campo durante o hino húngaro foi a que mais ganhou força

Existe um lugar no mundo onde a intolerância não tem apoio e as pessoas podem ser quem são, em paz, com a dignidade que todo ser humano merece. Nesse lugar, o ódio não vence, e muitas torcidas podem entoar o mesmo canto, abandonando rivalidades clubísticas para abraçar uma causa tão importante.

Nesse lugar, o futebol escreveu uma das histórias mais eletrizantes dos últimos tempos, entre Alemanha e Hungria, ambas em busca de uma vaga nas oitavas de final da Eurocopa. Embora a Allianz Arena em Munique não tenha podido ficar particularmente colorida por fora, do lado de dentro houve arco-íris. E em outros estádios espalhados pelo país, o recado também foi bastante claro.

Há quem leve essas cores na braçadeira de capitão. Há quem as abomine. Quando o primeiro apito celebra o rolar da bola, isso pode até ficar em segundo plano para quem joga. Jamais para quem vê de fora. E nesses simbolismos e histórias paralelas, um grande espetáculo em Munique teve quatro gols, momentos de tirar o fôlego e reviravoltas no panorama do grupo, decidido ao mesmo tempo que também rolava França x Portugal em Budapeste.

A Hungria teve sua melhor atuação no torneio e conseguiu conter os alemães, mas o segundo gol rival, marcado por Leon Goretzka, acabou com as esperanças da seleção de alcançar a fase de mata-mata. Os planetas não se alinharam e, por mais que uma zebra pudesse ter tirado a Alemanha de maneira precoce dessa Euro, deu a lógica para os húngaros, que fecharam na lanterna do grupo da morte.

Entre bandeiras tremulantes por toda a arquibancada da Allianz Arena, aquela que foi carregada pelo invasor de campo, durante o hino húngaro, foi a que mais ganhou força na memória de quem acompanhou a partida. Resta uma tola esperança de que os atletas um dia entendam que representar um país e corroborar com seus ideais são coisas completamente diferentes. O goleiro Peter Gulácsi parece ter assimilado essa questão.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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