Eurocopa

Na Euro 2004, um República Tcheca x Dinamarca também decidiu quem seguiria à semifinal – e foi um baile

Confirmando o excelente futebol naquela Eurocopa, a República Tcheca atropelou a Dinamarca com um show do artilheiro Milan Baros

A Euro 2004 permanece na memória afetiva de muita gente. E uma das partidas mais importantes daquele torneio será reeditada na Euro 2020. Também pelas quartas de final, Dinamarca e República Tcheca fizeram um jogo decisivo no Estádio do Dragão, abrindo os mata-matas. Contudo, em papéis invertidos, pois quem apresentava o fino da bola na época eram os tchecos. O timaço recheado de craques encarava uma equipe dinamarquesa bem treinada e com bons nomes, mas longe de se equiparar à magia dos adversários. Aquela seria mais uma das partidaças de Milan Baros na competição, com dois bonitos gols, conduzindo a vitória da Tchéquia por 3 a 0 – em tarde na qual Karel Poborsky e Pavel Nedved brilharam com suas assistências. O resultado, aliás, corroborava uma freguesia histórica dos escandinavos nos embates com o país do Leste Europeu, desde os tempos de Tchecoslováquia.

A hegemonia tchecoslovaca no Século XX

A história do confronto entre dinamarqueses e tchecos começa em 1922, quando o futebol da Tchecoslováquia despontava entre os mais poderosos da Europa Central e a Dinamarca baseava sua estrutura no amadorismo. E a freguesia dos escandinavos durou ao longo de todo o Século XX, sem uma vitória sequer. Na década de 1920, os tchecoslovacos venceram dois amistosos, por 3 a 0 em Copenhague e por 2 a 0 em Praga. O reencontro aconteceu em 1947, com empate por 2 a 2 em novo amistoso no Estádio Idraetsparken. Já o primeiro duelo competitivo ficou para as fases eliminatórias da Euro 1960.

O encontro valia pelas oitavas de final, em tempos nos quais apenas os quatro melhores disputavam a fase decisiva da Eurocopa. A Tchecoslováquia era franca favorita com a geração que três anos depois seria vice-campeã mundial no Chile. Nomes como Ladislav Novák, Svatopluk Pluskal, Ján Popluhár e Villiam Schroijf participaram daqueles embates. Já a Dinamarca tinha uma equipe que se concentrava na própria liga local, com destaque ao meio-campista Flemming Nielsen, que depois defenderia a Atalanta. Curiosamente, um estreante na ocasião foi Richard Moller Nielsen, atleta do Odense que encerraria sua carreira precocemente e só disputaria dois jogos pela seleção. Muito mais importante foi sua história como técnico, responsável pela conquista da Euro 1992 na grande façanha dos dinamarqueses.

A Dinamarca até surpreendeu na ida em Copenhague, com o empate por 2 a 2. Os anfitriões chegaram a abrir dois gols de vantagem em 20 minutos, mas cederam o resultado na sequência. O problema seria segurar a Tchecoslováquia em Praga, especialmente pela presença de nomes importantes que se ausentaram na ida. Os anfitriões golearam por impiedosos 5 a 1. Curiosamente, de novo os dinamarqueses abriram o placar, mas a virada seria contundente. Adolf Scherer foi o destaque dos tchecoslovacos, com dois gols na partida. A equipe seria semifinalista daquela Eurocopa, sucumbindo apenas à campeã União Soviética.

O reencontro de Dinamarca e Tchecoslováquia aconteceu nove anos depois, em 1968, pelas Eliminatórias da Copa de 1970. As duas equipes figuravam no Grupo 2 e, mesmo que a Dinamarca tenha surpreendido rumo à Euro 1964, a Tchecoslováquia ampliou sua hegemonia. A vitória por 3 a 0 em Copenhague seria complementada pelo triunfo por 1 a 0 em Praga. Nomes como Ivo Viktor, Jozef Adamec e Karol Dobias participaram daqueles compromissos. O time dirigido por Jozef Marko se garantiu no Mundial, liderando a chave que ainda incluiu Hungria e Irlanda. Já nas Eliminatórias para a Copa de 1974, novos encontros. A Tchecoslováquia aplicou um 6 a 0 em Praga, com uma tripleta de Bohumil Vesely. O problema aconteceu no empate por 1 a 1 em Copenhague. Esse resultado tirou os tchecoslovacos do Mundial, superados num triangular ponteado pela Escócia.

Levaria tempo para que as duas seleções voltassem a se pegar. Foram disputados amistosos em 1982 e 1984, em tempos nos quais Sepp Piontek já comandava uma revolução à frente da Dinamarca. Todavia, a Tchecoslováquia venceu ambas as partidas, mesmo num período em que já tinha perdido os jogadores campeões da Euro 1976. Logo após a Copa de 1982, em que estiveram presentes, os tchecoslovacos aplicaram 3 a 1 em Praga. Já às vésperas da Euro 1984, à qual se classificou, a Dinamarca perdeu por 1 a 0 em Praga. Piontek escalou naquele compromisso cobras como Michael Laudrup, Preben Elkjaer, Morten Olsen e Allan Simonsen, que levariam os escandinavos às semifinais do torneio continental.

Novos jogos oficiais aconteceram nas Eliminatórias para a Euro 1988. Dinamarca e Tchecoslováquia estavam no mesmo grupo, que também trazia Gales e Irlanda. A Dinamáquina vinha cheia de moral após da Copa de 1986, mas não venceria os tchecoslovacos. Empatou por 1 a 1 em Copenhague e perdeu por 1 a 0 em Praga. Mesmo assim, os dinamarqueses conseguiram se classificar àquela Eurocopa. Os tchecoslovacos perderam pontos vitais contra os outros rivais e, na última rodada, até ajudaram os escandinavos. Uma vitória sobre Gales seria a chave para que os comandados de Sepp Piontek participassem da competição continental pela segunda edição consecutiva. Já o ápice daquela geração da Tchecoslováquia só ocorreria mesmo na Copa de 1990.

Um sinal desse potencial da Tchecoslováquia aconteceu em 1988, pouco antes da Eurocopa. De novo a equipe prevaleceu no confronto, batendo a Dinamarca por 1 a 0 num de seus duelos preparatórios rumo ao torneio continental. Por fim, o último amistoso do Século XX aconteceu em agosto de 1998, o primeiro após a independência da República Tcheca. O favoritismo era dinamarquês, ainda mais depois do bom papel do time rumo às quartas de final da Copa do Mundo. Porém, mesmo ausente na França, os tchecos mantiveram intacta sua invencibilidade no duelo. Ganharam por 1 a 0 em Praga, tento de Karel Rada. Naquela altura, as duas seleções tinham se encarado 15 vezes, com dez vitórias da Tchéquia e cinco empates.

Duelos frequentes

O momento mais relevante do duelo entre Dinamarca e República Tcheca aconteceu na virada do século. Seriam quatro embates importantes às duas seleções. E o equilíbrio se tornaria maior, quando finalmente os dinamarqueses começaram a fazer frente para os tchecos. Ainda assim, os escandinavos perderiam mais uma vez na fase de grupos da Euro 2000, num confronto com os dois times já eliminados.

Dinamarca e República Tcheca compunham o Grupo D daquela Eurocopa, que também reunia França e Holanda. Os dois favoritos bateram os dois azarões nas primeiras rodadas. Os tchecos perderam dos holandeses por 1 a 0 e depois sucumbiram aos franceses por 2 a 1. Já os dinamarqueses engoliram duas derrotas por 3 a 0. Desta maneira, enquanto Bleus e Oranje definiriam a liderança na rodada final, o duelo paralelo em Liège só apontaria quem ficaria num inútil terceiro lugar.

A Dinamarca era dirigida na época por Bo Johansson. Peter Schmeichel surgia como grande estrela, em uma de suas últimas aparições pela equipe nacional. Thomas Helveg, Jan Heintze, Jesper Gronkjaer e Jon Dahl Tomasson foram outros nomes importantes que entraram em campo. Não era a versão mais forte dos escandinavos em Eurocopas. Já a República Tcheca dirigida por Jozef Chovanec vivia a transição entre duas gerações memoráveis. Pavel Kuka, Pavel Nedved, Karel Poborsky e Vladimir Smicer eram remanescentes do vice de 1996. Enquanto isso, Jan Koller e Marek Jankulovski pediam passagem. Os tchecos acabaram preservando sua honra na despedida da Eurocopa, com a vitória por 2 a 0.

Depois de um primeiro tempo sem gols, o resultado acabou construído na segunda etapa. Smicer seria o destaque do triunfo em Liège. Num bom contra-ataque, Poborsky deu o passe perfeito para seu companheiro apenas escorar às redes com 22 minutos. Logo na sequência, Koller triscou uma bola de cabeça e Smicer invadiu a área sozinho. Deu um toquinho para chapelar Schmeichel e fazer o goleiro passar lotado, antes de só rolar a bola rumo ao barbante vazio. Um belo tento, mas sem grandes efeitos práticos à competição. O contexto entre as duas equipes, porém, se ampliaria.

Menos de um ano depois, Dinamarca e República Tcheca voltaram a se encarar. As duas seleções foram sorteadas no Grupo 3 das Eliminatórias para a Copa de 2002, e eram as principais candidatas à classificação. Numa chave em que apenas o líder garantiria a vaga direta no Mundial, corriam por fora também Bulgária, Irlanda do Norte, Islândia e Malta. O primeiro encontro, em Praga, ocorreu pela quinta rodada. O empate por 0 a 0 teve uma coleção de gols perdidos. Poborsky chegaria a desperdiçar um lance incrível com o gol aberto, enquanto Tomasson veria um tento anulado. Apesar do tropeço em casa, os tchecos apareciam na primeira colocação e mantinham uma vantagem de dois pontos sobre os dinamarqueses.

O embate mais importante, contudo, seria o realizado no Estádio Parken pela rodada seguinte do qualificatório. A Dinamarca, depois de 17 confrontos em jejum, finalmente conseguiu derrotar a República Tcheca. Escolhido como treinador dos escandinavos após a Eurocopa, o lendário Morten Olsen trazia uma equipe com renovações pontuais. Thomas Sorensen e Dennis Rommedahl ganhavam as primeiras chances na equipe nacional, dividindo o campo com Ebbe Sand, Tomasson, Helveg, Gronkjaer e Heintze. Já os tchecos permaneciam sob as ordens de Jozef Chovanec. Pavel Nedved capitaneava a equipe, atuando ao lado de Koller, Smicer, Poborsky, Patrik Berger, Tomás Galásek e Tomás Ujfalusi.

Diante de 41 mil torcedores, a vitória por 2 a 1 começou a ser desenhada logo cedo. Aos seis minutos, uma cobrança de escanteio resultou no primeiro gol da Dinamarca, em cabeçada firme desferida por Sand. O empate da República Tcheca veio pouco antes do intervalo. Roman Tyce arriscou um chute de fora da área e mandou um pombo sem asa na gaveta. A bola perfeita não deu qualquer chance a Sorensen. Os dinamarqueses, apesar disso, fariam a alegria da torcida. O gol do triunfo ocorreu somente aos 38 do segundo tempo. Os escandinavos conseguiram uma troca de passes envolvente, até que Martin Jorgensen rabiscasse na esquerda. O cruzamento veio na medida e Tomasson definiu o resultado de cabeça.

Naquele momento, a Bulgária assumia a liderança do grupo. A Dinamarca, em compensação, ultrapassava a República Tcheca para ficar na segunda colocação. E esse resultado teria enorme peso no final da campanha. Os dinamarqueses fecharam o Grupo 3 com dois pontos a mais que os tchecos e confirmaram sua classificação à Copa de 2002. Restou ao time de Jozef Chovanec disputar a repescagem, que encerraria o sonho de alcançar o Mundial. Com duas derrotas para a Bélgica, a Tchéquia viu suas esperanças irem para o ralo. Em decorrência, a federação mudaria o comando técnico e promoveria Karel Brückner da seleção sub-21 para a principal.

Nas Eliminatórias para a Euro 2004, os dois times cumpriram sua missão e voltaram ao torneio continental. A Dinamarca venceu o Grupo 2, superando uma concorrência apertada com Noruega e Romênia. Já a República Tcheca vinha em alta com seu novo treinador e ficou com a vaga direta do Grupo 3, despachando a Holanda para a repescagem. As duas equipes levariam boas expectativas àquela Eurocopa. Os tchecos um pouco mais, pelos talentos individuais e pela boa sequência de resultados que os botaram como cabeças de chave. Já os dinamarqueses não tinham tantos craques à disposição como nos anos 1990, mas seguiam competitivos e fizeram um papel razoável durante a Copa de 2002, quando ajudaram a eliminar a favorita França.

As quartas de final da Euro 2004

Dirigida por Karel Brückner (e com o atual treinador, Jaroslav Silhavy, como assistente), a República Tcheca seria uma das sensações na fase de grupos da Euro 2004. A vitória por 2 a 1 sobre a Letônia, com gols de Milan Baros e Marek Heinz para buscar uma virada já nos 20 minutos finais, nem impressionou tanto. Muito mais fantástico foi o triunfo sobre a poderosa Holanda, também de virada, num 3 a 2 de tirar o fôlego. Koller, Baros e Smicer balançaram as redes numa partida em que os laranjas anotaram os dois primeiros gols em 19 minutos. Já na terceira rodada, mesmo com a classificação garantida e repletos de reservas, os tchecos fizeram questão de terminar com 100% de aproveitamento e bateram também a Alemanha, que acabou eliminada precocemente. Heinz e Baros fizeram os tentos em nova virada por 2 a 1.

Já a Dinamarca de Morten Olsen ficaria na segunda colocação de uma chave bem mais equilibrada. A campanha começou diante da Itália, e o empate por 0 a 0 permitiu que os dinamarqueses segurassem os favoritos. Na segunda rodada, ganhar da Bulgária era obrigação e assim se cumpriu, com o triunfo por 2 a 0. Tomasson abriu o placar e Gronkjaer ampliou apenas aos 47 do segundo tempo. Paralelamente, Itália e Suécia empataram por 1 a 1. Já na terceira rodada, ocorreu o clássico da Escandinávia. A Dinamarca ficou duas vezes em vantagem, com tentos de Tomasson, mas cedeu o empate para a Suécia por 2 a 2 – com o segundo gol sueco já aos 44 do segundo tempo.

Apesar da frustração, aquele resultado acabou por classificar os dinamarqueses, ainda assim. Dinamarca, Suécia e Itália terminaram todas com cinco pontos. As três seleções empataram entre si e venceram a Bulgária. No confronto direto triplo, o número de gols anotados nos duelos acabou servindo como principal critério de desempate. Enquanto a Suécia balançou as redes três vezes, a Dinamarca ficou à frente da Itália com um gol a mais. E terminou com a segunda colocação, tirando os italianos da competição. O problema seria enfrentar nas quartas de final uma embalada República Tcheca, que havia ficado com a primeira colocação do Grupo D.

A seleção da Dinamarca na Euro 2004 (Foto: Imago / One Football)

Morten Olsen dirigia uma Dinamarca armada no 4-3-3, que se moldou durante a competição. A escalação começava com um bom goleiro, Thomas Sorensen. Na zaga, Thomas Helveg dava um escape bela direita, com Kasper Bogelund na esquerda. Martin Laursen e o capitão René Henriksen eram os zagueiros. A cabeça de área era protegida por Claus Jensen, acompanhado por Christian Poulsen e Thomas Gravesen no meio, dois jogadores de características distintas. Já no ataque, enquanto Jesper Gronkjaer e Martin Jorgensen davam qualidade nas pontas, Jon Dahl Tomasson era o homem de referência. Ainda existiam boas opções no banco, principalmente para o setor ofensivo, com Dennis Rommedahl e Peter Lovenkrands. Titular na fase de grupos e um dos principais nomes do time na época, Ebbe Sand se lesionou e Morten Olsen escalou uma equipe mais leve diante dos tchecos.

O favoritismo, de qualquer maneira, ficava do lado da República Tcheca. E era fácil entender o porquê, com uma equipe cheia de destaques individuais e ofensiva. Karel Brückner privilegiava um 4-1-3-2, com três meias virtuosos para alimentar sua linha de frente. O goleiro era o ascendente Petr Cech. René Bolf e Tomás Ujfalusi compunham a zaga, com Martin Jiránek e Marek Jankulovski nas laterais. Tomás Galásek era o único volante. Na armação, os tchecos combinavam a classe de Karel Poborsky, Tomás Rosicky e Pavel Nedved – este, eleito o Bola de Ouro do ano anterior. Já na frente, Jan Koller abria os espaços para Milan Baros atacar. O banco ainda tinha alternativas de relevo, a exemplo de Zdenek Grygera, David Rozehnal, Marek Heinz e Vladimir Smicer.

A partida das quartas de final aconteceu no Estádio do Dragão, com 41 mil torcedores. Acabaram por presenciar outro show da República Tcheca, que desta vez não precisou virar o placar e aplicou sua vitória mais ampla, ganhando por 3 a 0. O resultado, apesar disso, seria construído apenas no segundo tempo. A primeira etapa logo começou com os tchecos mostrando a que vieram. O ataque estava com fome de gols e Sorensen seria testado na meta da Dinamarca a partir de chutes de longe. Porém, os escandinavos também mostraram como queriam jogo. Passaram a trabalhar melhor os passes, controlando a partida com o decorrer dos minutos, mas sem ameaçar tanto Cech. Com isso, a etapa inicial acabaria um tanto quanto morna.

A seleção da República Tcheca na Euro 2004 (Foto: Imago / One Football)

Foi no segundo tempo que a República Tcheca atropelou seus desafiantes. E a vitória começou a ser construída logo aos quatro minutos. Era difícil marcar Koller na bola aérea e o centroavante aproveitou o escanteio cobrado por Poborsky para abrir o placar com uma cabeçada certeira, que não deu chances a Sorensen. A Dinamarca tentou responder de imediato e Jankulovski seria importante do outro lado, com um desarme vital para cima de Tomasson. Todavia, aquele duelo estaria reservado a um recital de Baros. O atacante marcou dois belos gols, o primeiro deles aos 18 minutos.

A jogada se iniciou com uma boa troca de passes pela direita. O toque diferente veio novamente de Poborsky, com um lindo tapa em diagonal para encontrar Baros por trás da zaga e colocá-lo na cara do gol. Diante de Sorensen, o artilheiro não titubeou e deu um leve toque por cobertura, antes de correr para o abraço. A Dinamarca estava atordoada e tomaria outro gol dois minutos depois. Desta vez Nedved participou, ao ganhar a bola no meio e armar o contragolpe de imediato, com um passe preciso por cima da defesa. Baros disparou e, mesmo com a marcação apertando, conseguiu bater firme – sem que Sorensen conseguisse desviar o tiro à meia altura.

Neste momento, a Dinamarca estava nas cordas. E pouco adiantariam as alterações de Morten Olsen, que também pareceu entregar os pontos, sem arriscar nenhuma formação mais ofensiva. Trocou seis por meia dúzia e as participações de novos pontas, Rommedahl e Lovenkrands, não permitiu sequer o gol de honra. Enquanto isso, Karel Brückner pôde tirar Baros sob aplausos do Estádio do Dragão logo depois. A reta final do embate teria poucas emoções, com os 20 minutos avassaladores da República Tcheca já valendo o ingresso. Os favoritos avançavam à semifinal. Porém, sofreriam um inesperado baque com a derrota para a Grécia na prorrogação. O melhor futebol da Euro 2004 não alcançou a final.

Desde aquela partida, Dinamarca e República Tcheca se enfrentaram seis vezes. Foram quatro amistosos, todos eles terminando empatados. As duas seleções ficaram no 1 a 1 em 2006 e 2008, além de não saírem do 0 a 0 em 2010. Já em 2016, um novo 1 a 1 indicou o equilíbrio no retrospecto. Os embates mais importantes vieram entre 2012 e 2013, quando os times integraram as Eliminatórias para a Copa do Mundo, numa chave que também contava com a Itália.

Depois do empate por 0 a 0 em Copenhague, a Dinamarca conquistou uma excelente vitória por 3 a 0 em Olomouc. Os gols saíram todos no segundo tempo, com Andreas Cornelius, Simon Kjaer e Niki Zimling balançando as redes. Aquele resultado não faria muita diferença ao destino do qualificatório, no entanto. Líder, a Itália se confirmou na Copa de 2014. Já os dinamarqueses tiveram a pior pontuação entre os nove segundos colocados e, por isso, sequer puderam disputar a repescagem. Gosto amargo antes do reencontro de muito mais peso neste sábado de Eurocopa.

E a história da nova partida pelas quartas de final pode ser diferente. Enquanto a Dinamarca é uma das sensações do torneio ao se reerguer e apresentar um ótimo futebol, a República Tcheca chega longe novamente com um estilo seguro e sólido defensivamente. O favoritismo desta vez, pela qualidade apresentada, fica com os dinamarqueses – ainda que os tchecos venham de uma vitória imponente nas oitavas. Parece uma brecha perfeita para que a revanche ocorra 17 anos depois, num momento no qual os escandinavos provocam mais encanto e ainda têm a história de superação com Christian Eriksen.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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