Eurocopa

Após a frustração, França precisa aprender com erros de uma seleção que ainda pode triunfar

Do favoritismo que não se cumpriu, restou a frustração. A França deixou a Eurocopa como uma das melhores seleções, dona de boas exibições, de alguns dos melhores jogadores. Mas sem aquilo que realmente interessava: a taça. Os Bleus tiveram mais posse e pressionaram Portugal. Exigiram grandes defesas de Rui Patrício, o melhor em campo. Porém, também encontraram dificuldades para desequilibrar o jogo contra uma defesa muito bem postada. Alguns dos protagonistas não apareceram como deveriam. E o que resta, além da lamentação, é pensar à frente com uma geração que segue capaz de triunfar, embora também tenha os seus problemas a corrigir.

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Nenhum outro jogador francês encerra a Euro mais aclamado do que Griezmann. O atacante foi, com justiça, eleito o melhor da competição. E, de uma promessa que despontava na equipe durante a Copa de 2014, assumiu logo de vez o estrelato. Resolveu os jogos nos mata-matas e, mesmo contra Portugal, foi bem. A marcação forte dificultava, mas o camisa 7 também incomodava os lusitanos com sua movimentação constante. Não à toa, criou duas chances claras de gol. Parou em Rui Patrício.

Griezmann se coloca como o ponto de partida para a sequência do trabalho. Payet, mesmo caindo de rendimento na segunda fase, é outro que também sai como peça importante. Lloris é um líder inegável. Já na zaga, Umtiti terminou como uma grata surpresa pela maturidade em que assumiu a posição, principalmente no jogo contra a Alemanha. De resto, ficam alguma interrogações. Especialmente em cima de Didier Deschamps.

O treinador da França oscilou durante a Eurocopa. Ajudou a melhorar o time, mas também foi teimoso em demasia e demorou a perceber questões que pareciam óbvias. Na decisão, tomou um nó de Fernando Santos, sem responder às mudanças táticas e muito menos reverter um quadro que foi se abrindo a Portugal. Além disso, não demonstrou tanta inventividade nas alterações. Gignac quase serviu de trunfo nos acréscimos, o que na verdade acaba sendo pouco, diante das necessidades da França. Quando “ousou”, botou Martial na vaga de Sissoko (justamente o melhor de sua equipe na noite) só por conta do desespero que batia.

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Já em campo, outros poréns atrapalharam a França. Vivendo de lampejos na Eurocopa, Pogba não foi o craque que se espera, principalmente nas situações em que caberia a ele propor o jogo, como ante os lusitanos. Matuidi melhorou ao longo do torneio, mas não foi tão bem neste domingo. A falta de consistência da defesa pesou contra em diferentes momentos – e Koscielny, que fazia uma ótima atuação contra os portugueses, falhou justo no lace decisivo. Já na frente, Giroud não funcionou bem nos jogos mais fechados. Faltaram alternativas ofensivas. Faltou aos Bleus usarem melhor o vasto elenco que contam – até mesmo na convocação.

De qualquer maneira, o cenário é mais de erros pontuais do que de qualquer coisa mais profunda. Por mais que a seleção francesa tenha enfrentado os seus problemas, a taça não veio por questão de centímetros, detalhes. Fica a lição para uma geração que ainda tem força para se moldar campeã. A experiência ensina, como Alemanha, Espanha e Itália podem bem dizer aos Bleus nos últimos 10 anos. É o que os franceses precisam assimilar agora.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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