Eurocopa

Rui Patrício cresceu no momento certo para ter uma atuação enorme na meta de Portugal

A França teve a bola e a iniciativa na decisão da Eurocopa. Não venceu. Diante de um adversário composto por operários, a consistência tática e a vontade preponderaram a Portugal. No entanto, a Seleção das Quintas também precisou contar com um protagonista providencial sob as traves. Rui Patrício não foi o escolhido oficialmente, mas para muita gente terminou como o melhor em campo no Stade de France. Realizou quatro defesas fundamentais para segurar os Bleus. Manteve os sonhos lusitanos vivíssimos, até se transformarem em realidade com o chute de Éder.

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Em uma seleção que historicamente não contava com goleiros unânimes, Rui Patrício também sofreu com as desconfianças. Titular do Sporting desde 2007, firmou-se na meta de Portugal quatro anos depois. Mesmo assim, criticado em certos momentos. Até na Eurocopa o goleiro sofreu altos e baixos. Só que a ascensão aconteceu justamente nos momentos decisivos. Após ocupar um papel importante principalmente contra a Polônia, ao defender o pênalti de Kuba, o camisa 1 deixou o melhor para o final. Fechou o gol contra a França.

Durante os 90 minutos, a decisão já parecia pronta a um herói improvável. Moussa Sissoko era quem mais chamava a responsabilidade do lado francês. Mas suas tentativas paravam na firmeza das mãos de Rui Patrício. Foram três arremates do meio-campista no gol. Todos com força. Todos rebatidos pelo camisa 1. Mas a melhor parte já tinha acontecido logo aos 10 minutos, contra Antoine Griezmann. O desvio de cabeça do artilheiro, por cobertura, tinha endereço certo. Até se encontrar com a ponta dos dedos do sportinguista, botando para escanteio. E, quando não pôde fazer nada, o arqueiro ainda foi salvo pela trave, na jogadaça de Gignac nos acréscimos.

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É preciso dizer que, apesar da grande atuação de Rui Patrício, outros companheiros de Portugal não ficaram tão atrás assim no Stade de France. Com motivos compreensíveis, Pepe ganhou o prêmio da Uefa por mais uma noite impecável na Euro, liderando o sistema defensivo e dominando o jogo aéreo. Raphaël Guerreiro também gastou a bola, tanto pela saída de bola segura quanto pela boa alternativa no ataque. Já Nani foi o que os portugueses acharam que perderiam sem Cristiano Ronaldo: o homem de referência combativo e que não escapava de suas responsabilidades. Não criou tanto, mas dedicou-se e liderou.

De qualquer maneira, o peso decisivo de Rui Patrício acaba sendo maior, até pela importância dos lances nos quais ele foi exigido. Repete o papel de herói que outros goleiros lusitanos já tiveram, mas com o título que nenhum outro conquistou. Bota o seu nome na história, e de uma maneira que ninguém pode contestar, apesar de sua irregularidade. Quando mais se precisou, o camisa 1 se agigantou.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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